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Comportamento

Você fala sozinho?

Ciência comprova que o ato ajuda a atingir objetivos mais rapidamente


    • São José do Rio Preto
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Você certamente já se pegou falando sozinho na rua, no carro, na frente do computador e tenha levado as pessoas a acharem que está louco. Mas não é bem assim. Oralizamos nossas conversas em casos específicos como para estudar, por ajudar na memorização; ouvindo nossa própria voz, aumentando a chance de lembrar a informação; ou quando queremos nos motivar, usando frases como "vamos, você consegue", nos elogiar com frases como "boa, garota, isso foi ótimo", sendo um ótimo recurso para desenvolver habilidades e gerar encorajamento. Falar sozinho pode ajudar na organização dos pensamentos e clarear as ideias.

Falar sozinho tem um nome: solilóquio. O hábito era tratado como uma insanidade, delírio, algo que beirava à loucura ou, até mesmo, esquizofrenia. Com o tempo, a correr para mostrar que não só é salutar como indica uma capacidade muito grande de a pessoa se expressar, inventar, criar e se autoconhecer. Pensar em voz alta ajuda a materializar o que está sendo pensado, pois dá sentido às coisas. É o que mostra um estudo realizado pelos psicólogos Daniel Swigley e Gary Lupyan, da Universidade de Wisconsin-Madison, publicado no Quarterly Journal of Experimental Psychology. Eles concluíram que falar sozinho muitas vezes é, sim, benéfico.

Estudos anteriores já haviam mostrado que para as crianças é importante falar consigo mesmo porque elas se concentram melhor nas tarefas e orientam suas ações. Os pesquisadores decidiram estudar se o mesmo acontece com os adultos.

"Com esse amadurecimento, oralizamos nossas conversas em casos específicos, como para estudar uma matéria considerada difícil por ajudar na memorização, ouvindo nossa própria voz, aumentando a chance de lembrar aquela informação, ou quando queremos nos motivar, sendo um ótimo recurso para desenvolver habilidades, gerar encorajamento e ajudar na organização dos pensamentos e clarear as ideias", diz a psicóloga clínica Mariana Massari.

 

Inicialmente, os voluntários viram 20 fotos de vários objetos e deveriam encontrar um específico. Em algumas rodadas, eles recebiam um texto com o que deviam encontrar e deviam fazer isso em silêncio. Em outras, essas mesmas pessoas deveriam fazer essa busca enquanto repetiam o nome do objeto para si mesmos. A conclusão foi que, quando eles falavam sozinhos, encontraram o objeto mais rapidamente.

Em outro experimento, os voluntários deveriam fazer compras em supermercado virtual. Eles viam fotos de itens como um determinado refrigerante ou maçãs, e deviam encontrá-los nas prateleiras desse mercado o mais rápido possível. Os pesquisadores confirmaram novamente que repetir em voz alta o nome do que estavam procurando ajudou na busca, mas só quando conheciam o que estavam procurando.

A explicação dada pelos cientistas é que repetir alguns pensamentos em voz alta ajuda a memória a trabalhar mais rápido e torna as coisas mais tangíveis. No entanto, eles enfatizam que esse método só ajuda quando você sabe o que precisa, se estiver familiarizado com a aparência do objeto. Isso porque você ativa as propriedades visuais do seu cérebro e ajuda a encontrá-las. Por outro lado, se você não sabe o que parece e diz em voz alta, a única coisa que você vai conseguir é ficar ainda mais confuso.

Outros benefícios de repetir as coisas em voz alta para si mesmo é que isso ajuda você a atingir seus objetivos porque você foca sua atenção, reforça a mensagem, controla suas emoções e distrações, além de ajudá-lo a colocar as coisas em perspectiva e motivar você a alcançá-las.

"Falar com você mesmo não é algo sempre útil - se você não sabe como é o objeto, dizer seu nome pode não ter efeito nenhum ou até deixar você mais lento na sua procura", disse Gary Lupyan. "Se, por outro lado, você sabe que bananas são amarelas e têm determinado formato, ao dizer 'banana' você está ativando essas propriedades visuais no cérebro para ajudá-lo a encontrá-las", completa. Para ele, pesquisas futuras devem analisar a atividade cerebral enquanto esses experimentos são realizados para que se possa entender realmente como isso funciona no cérebro.

  • Melhora a memória: Quando você fala sozinho, em voz alta, a sua capacidade de memorização melhora, pode te deixar mais esperto e até auxiliar na concentração. A prática ajuda nas funções cognitivas e excita o cérebro;
  • Motivação: Pode te ajudar a alcançar uma compreensão maior e chegar ao seu objetivo, mesmo que esse não seja o que você esteja disposto a fazer hoje, mas seja a atividade necessária;
  • Clareia as ideias: Quando falamos as nossas coisas em voz alta, a impressão é que o que queremos passar fica mais claro e objetivo, facilitando as nossas decisões e evitando os nossos conflitos internos;
  • Funciona como um preparo: Falar sozinho antes de uma reunião, apresentação, vai te proporcionar segurança e confiança com o que deve ser feito. É um ensaio para o que está por vir;
  • Relaxa: Seja em voz alta ou em pensamento, falar sozinho é quase um relaxamento. É uma necessidade do ser humano conversar, estar a par das ideias. Há controvérsias na nossa cabeça também e conversar com você mesmo vai te ajudar a chegar a um denominador comum e relaxar para tomar as decisões.

Fonte: Mariana Massari, psicóloga