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TROCAS INTERGERACIONAIS

Projeto integra crianças e idosos por meio da troca de cartas

Projeto Nas Frases Dessa Carta promoveu a troca de correspondências entre crianças do Lar de Fátima e idosos de grupos da terceira idade de Rio Preto


    • São José do Rio Preto
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Os preconceitos que persistem na sociedade não envolvem apenas a orientação sexual, a raça ou a condição social, mas também a idade. Os estereótipos da velhice são tão enraizados no imaginário que perguntar a idade de alguém que chegou à maturidade pode até soar ofensivo. A discriminação etária promove o isolamento de idosos na dinâmica social, ignorando a importância de suas experiências de vida para as gerações mais novas.

Um exemplo de como as trocas entre gerações podem ser positivas tanto no desenvolvimento da criança como na manutenção da velhice é dado pelo projeto Nas Frases Dessa Carta, realizado pelo Shopping Cidade Norte ao longo deste ano. Nele, crianças assistidas pelo núcleo do Lar de Fátima no Jardim Planalto trocaram cartas com idosos que participam de grupos da terceira idade. Além de resgatar uma prática superada por tecnologias como o e-mail e os aplicativos de mensagem, o projeto permitiu a troca de saberes.

Para marcar o encerramento dessa iniciativa - que faz parte das ações do projeto Trilhando a Longevidade Ativa, realizado pela Secretaria de Assistência Social com o apoio do Conselho Municipal do Idoso e da Ambev - o Cidade Norte promoveu, na tarde da última quarta, 30, o encontro entre as crianças e idosos. Foi a oportunidade para os participantes conhecerem pessoalmente aqueles com quem vinham trocando cartas.

O encontro se deu durante o baile da terceira idade que é promovido quinzenalmente pelo centro de compras, às sextas-feiras. As crianças chegaram de surpresa, rendendo momentos de muita emoção. Foi quando a pequena Estela Maria, de 10 anos, conheceu pessoalmente Alice Coelho Bueno, de 67, com quem trocou uma série de cartas.

"Ela [Alice] me contou que já havia trabalhado como professora. É uma das profissões que gostaria de seguir, e isso me deixou bastante ansiosa para conhecê-la pessoalmente", contou Estela ao Diário da Região, minutos antes de seu encontro. A estudante que integra as atividades do Lar de Fátima nunca havia escrito uma carta à mão. Para ela, essa experiência ficará para sempre gravada em sua memória.

"Fazia muito tempo que não escrevia uma carta para ninguém. Hoje, tudo é muito rápido com e-mail e WhatsApp. Lembro de quando a gente ficava na expectativa à espera do carteiro para a chegada de uma carta", destacou Alice, que, quando tinha 18 anos, atuou como professora em um curso de alfabetização de adultos. "Ela [Estela] é uma menina muito inteligente. Percebi isso pelas suas cartas", elogiou.

A emoção também marcou o encontro entre a estudante Lavínia Gonçalves, de 9 anos, e o aposentado Antonio Dornelas, de 83, que também trocaram cartas entre si por meio do projeto. "Em suas cartas, ele [Dornelas] contou que já tinha trabalhado na roça e em uma fábrica de arroz. E ele é do jeitinho que eu tinha imaginado", disse Lavínia. "Tenho as cartas dela guardadas até hoje. É uma forma muito bacana de inspirar a gente para a vida", reforçou Dornelas.

Integração

Segundo o gerente de comunicação do Cidade Norte, Alexandre Silva, o centro de compras sempre buscou realizar atividades que promovam a integração de toda a família. "O projeto das cartas foi uma forma de grupos distintos saírem de suas bolhas. Hoje, a sociedade não tem mais espaço para guetos. É preciso integrar. Muitas crianças nunca tiveram a oportunidade de escrever uma carta, assim como muitos idosos estão aprendendo a dominar o WhatsApp, que é algo que os pequenos já têm mais facilidade. Conseguimos unir dois grupos que acabam ficando distantes dentro da sociedade."