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PROMOÇÕES

Guia para sobreviver à Balck Friday

Campanha com descontos ocorre nesta sexta-feira; siga dicas do diretor do Procon de Rio Preto, Arnaldo Vieira, e se livre das armadilhas


    • São José do Rio Preto
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Mesmo que a gente não queira, é praticamente impossível passar ileso às muitas tentações da Black Friday, que será realizada nesta sexta-feira, 29, em todo o País. Hoje é quando ocorrem as maiores ofertas, mas muitas lojas físicas e virtuais do Brasil e de Rio Preto começaram a oferecer promoções já no início da semana ou mesmo ao longo do mês e devem encerrar a campanha apenas neste domingo.

E para quem está pensando em comprar alguma coisa, vale a pena ficar muito atento, já que nesta época do ano - a maior campanha promocional do varejo - muitos golpistas aproveitam para enganar consumidores e fazer um dinheiro fácil. O problema fica mais grave já que boa parte das compras são feitas pela internet, um campo mais fácil de se tornar uma cilada. "Historicamente, a promoção começou nas lojas virtuais, mas as lojas físicas também se aproveitam, o que ajuda a aquecer a economia", afirma o diretor do Procon de Rio Preto, Arnaldo Vieira.

Dados do Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, apontam para um crescimento nominal de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 3,5 bilhões. Ao todo, devem ser realizados 5,8 milhões de pedidos, representando aumento de 24% em relação à Black Friday do ano passado. No topo dos itens mais desejados, estão: eletrônicos (elencados por 51% dos entrevistados), telefonia (35%), informática (28%), moda e acessórios (24%) e eletrodomésticos (23%).

Segundo o especialista em direito do consumidor, esse período é interessante para compras com desconto, mas o cuidado deve considerar também os golpes em que o consumidor não recebe o produto comprado porque a loja é fraudulenta ou quando paga mais pelo item porque o valor final é diferente do da oferta. "Uma questão importante é o endividamento. Pesquisas mostram que 43% das pessoas que compram na Black Friday têm dificuldade em pagar as contas de início de ano", afirma.

E uma das razões para isso é o parcelamento facilitado por muitas lojas. O anúncio prevê um pagamento em até 12 vezes, o que significa que a pessoa vai estar pagando esse mesmo bem até a Black Friday do ano que vem. "Então, quando chega a fatura, a pessoa percebe que acabou se excedendo porque não prestou atenção no valor."

Para ajudar os consumidores, o diretor do Procon de Rio Preto elencou uma série de dicas que funcionam como um guia de boas compras para a Black Friday. E faz mais um alerta: "ao comprar pela internet, é fundamental observar se o preço e o prazo de entrega são os mesmos no início e no final da compra", disse.

Pesquisa de preços - A primeira coisa que precisa ser feita - na verdade que já deveria ter sido feito - é a pesquisa de preços dos produtos que se pretende comprar, principalmente se for pela internet. Para quem deixou para hoje, vale a pena procurar os buscadores de preços e outras ferramentas do tipo, que mostram se o valor do produto foi elevado artificialmente ao longo do mês e agora baixou. Um deles é o plugin Mais Barato Proteste (www.proteste.org.br); outra opção é o Jacotei (www.jacotei.com.br);

Teste do produto - Quem vai fazer compras numa loja física deve aproveitar o momento e pedir um teste do produto, especialmente quando for um eletrodoméstico ou eletroeletrônico, como televisão ou aparelho celular. Caso encontre algum defeito peça para o vendedor trocar por outro novo. Fazendo isso, o consumidor evita ter que esperar o prazo de 90 dias que a empresa tem para corrigir o defeito. Além de fazer o teste, o consumidor deve conferir se todos os componentes estão presentes na caixa, como o controle remoto ou carregador, por exemplo;

Política de troca - Essa questão deve sempre ser levada em consideração. É que as lojas não são obrigadas - em todos os casos - a fazer a troca, apenas em casos de vício ou defeito. Por exemplo, se a pessoa compra uma roupa mas não serve ou se depois não gostou da cor, se a troca não tiver sido combinada antes, ela não precisa ser feita, mas se depois da primeira lavada a gola sair, a loja precisa trocar porque há um defeito. Por isso, é fundamental que os termos da troca sejam acordados antes;

Garantia - O Procon destaca que as regras de garantia para os produtos são as mesmas durante a campanha da Black Friday, ainda que algumas lojas cheguem a afirmar que produtos de mostruário não tenham essas regras. O fornecedor deve realizar o reparo para o consumidor dentro de 30 dias para bens não duráveis (alimentos e produtos de estética, por exemplo) e 90 dias para bens duráveis (eletrodomésticos e eletrônicos, por exemplo);

Nota fiscal - Em qualquer compra, exija a nota fiscal do produto. Esse é o documento oficial para comprovar a relação de consumo e será de extrema necessidade caso o produto apresente algum defeito;

Reputação - O indicado é que o consumidor compre apenas em sites de boa reputação e com referências. O site Reclame Aqui fornece estatísticas de reclamações e resolutividade do fornecedor, além de formular uma pontuação para sua reputação. Também é válido pesquisar comentários de outros usuários nas redes sociais da empresa, normalmente há relatos de como foi a experiência na relação de consumo com a loja;

Prazo e valor - Observar o prazo de entrega é fundamental também quando se compra pela internet. Segundo Arnaldo, muitos lojistas não trabalham com estoque e fazem a venda antes de terem o produto em mãos. Na hora da compra pela internet, o prazo pode acabar mudando e o consumidor não perceber. Esse problema também pode ocorrer. Na tela inicial aparece um preço e quando se vai fechar a compra, é outro valor, mais caro e o consumidor fecha a compra sem perceber;

Boleto - Muitos lojistas virtuais também oferecem como opção de pagamento o boleto bancário. E, para o Procon, deve ser evitado em boa parte dos casos. Para atrair os clientes, o desconto é bastante atrativo. E como o pagamento vai direto para a conta do vendedor, se ele for golpista, o consumidor não vai conseguir reaver o dinheiro. Se faz a compra por cartão de crédito, consegue o estorno;

Segurança - Para certificar-se de que o site é seguro, o usuário deve verificar no cabeçalho ou rodapé do site se há um endereço físico da loja, telefone e e-mail para contato, CNPJ e razão social. Além disso, observar também a presença de um cadeado na barra de endereço. Caso não encontre esses dados, evite a compra;

Lista - O Procon-SP disponibiliza em seu site uma lista de lojas virtuais para o consumidor evitar. A lista pode ser acessada no endereço virtual https://sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php;

Ofertas atrativas - Evite acessar links enviados por meio de aplicativos de mensagem, inbox ou patrocinados em redes sociais. O ideal é acessar diretamente o site desejado e fugir dos links impulsionados. De acordo com Vieira, os golpistas conseguem fazer simulações praticamente perfeitas de sites de grandes redes, com ofertas tentadoras, mas que são apenas fraude;

Arrependimento - Sobre a política de troca em compras on-line, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece prazo de sete dias para o arrependimento, com direito ao reembolso total do valor pago. O prazo pode ser contado a partir da compra ou do recebimento do produto. Mas esse tipo de coisa não vale para compras em lojas físicas