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SÓ NESTE ANO

Rio já soma 143 mortos por bala perdida

'Não tem segurança. É preciso mudar a história', desabafa tia ao sepultar a menina


    • São José do Rio Preto
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Com o assassinato de Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, de 5 anos, sepultada nesta quinta, 14, o Rio de Janeiro chegou a 143 mortes em consequência de balas perdidas neste ano, segundo a organização não governamental Rio de Paz. Das vítimas, cinco são são crianças. A dor da família de Ketellen se soma à dor das famílias de Jenifer Cilene, 11 anos; Kauan Peixoto, 12 anos; Kauan Rosário. 11 anos; Kauê Ribeiro, 12 anos; e Ágatha Félix; 8 anos.

Ketellen morreu a caminho da Escola Municipal Stella Guerra Duval, em realengo. Ela estava acompanhada da mãe quando foi baleada em uma praça do bairro, próximo de onde acontecia um tiroteio ainda não esclarecido quanto aos autores. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, mas não resistiu.

O clima foi de profunda comoção durante o sepultamento da pequena estudante, na manhã desta quinta. "Quem vai trazê-la de volta? E como fica a gente? Não tem segurança. Se a gente vai pro shopping, é morto. Se sai pra trabalhar, não sabe se volta pra com vida. É preciso mudar a história desse país", disse uma tia de Ketellen, exibindo a camiseta que a sobrinha usava no momento em que foi baleada.

O pai da criança, Augusto Alves de Oliveira, 28 anos, relatou que, segundo testemunhas, três homens pararam em um carro branco, um deles saiu e atirou contra Davi Gabriel Martins do Nascimento, de 17 anos, que morreu no local. Mas a menina também foi atingida. "Como foi exatamente eu não tenho como falar, porque eu não estava no local. O boato é que ela estava parada na porta da escola, parou um carro branco, desceram três 'malucos' e um só deu os tiros. Acertou o 'maluco' (o adolescente morto) que queria acertar, mas acertou minha filha também", disse Augusto.

Ainda na noite de quarta, policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) prenderam Thiago Porto, o Thiago Cabeça. Ele é suspeito de ser o homem que desceu do carro com outras duas pessoas encapuzadas, na praça em Realengo no momento em que a menina passava por ali. A finalidade do trio era matar um menor de 17 anos, que faria parte do tráfico de drogas e vendia drogas na praça. O menor também morreu no atentado. Os milicianos que agem na região não queriam a venda de drogas no lugar, chamado de Praça da Cohab.

Gari, outra vítima

Um gari foi a outra vítima de bala perdida no Rio de janeiro, na quarta-feira. Ele morreu ao ser atingido em Vicente de Carvalho, na zona norte do Rio. De acordo com a PM, o fato aconteceu durante um assalto.

Os criminosos roubaram uma moto e, logo após, atiraram em Mateus Fernandes Félix da Silva. O gari Francisco Paulo da Silva, de 61 anos, fazia o serviço de capina na rua e também foi baleado. Francisco chegou a ser levado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu.