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CRISE NA BOLÍVIA

Renúncia de Evo deixa 'vácuo de poder'


    • São José do Rio Preto
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A renúncia de Evo Morales, após três semanas de protestos contra sua reeleição e depois de perder o apoio das Forças Armadas, deixa um vácuo de poder na Bolívia, onde no momento ninguém sabe quem comanda o país. A Constituição prevê que a sucessão começa com o vice-presidente, depois passa para o titular do Senado e depois para o presidente da Câmara dos Deputados, mas todos eles renunciaram com Evo.

As renúncias do vice-presidente Álvaro García, da presidente e do vice-presidente do Senado, Adriana Salvatierra e Rubén Medinacelli, e do titular da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, criaram uma situação de incerteza e vazio sobre a cadeia de sucessão constitucional.

Neste cenário, a segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, reivindicou o direito de assumir a presidência da Bolívia. "Ocupo a segunda vice-presidência e na ordem constitucional me corresponderia assumir este desafio com o único objetivo de convocar novas eleições", afirmou Jeanine em uma entrevista ao canal Unitel.

Um governo de transição, insistiu ela, será para renovar o Tribunal Supremo Eleitoral e convocar eleições, em um prazo de 90 dias, segundo a Constituição.

A senadora também defendeu a convocação de sessões do Congresso bicameral, o mais rapidamente possível, "para considerar a renúncia dos primeiros mandatários". Também é necessário - de forma prévia - uma sessão de senadores para elegê-la no cargo de presidente.

Para isso, Jeanine deverá obter um "consenso dos movimentos cívicos" que pediram nas ruas a renúncia de Evo.

Asilo no México

Evo Morales, que renunciou no domingo à presidência da Bolívia em meio a uma grave crise após as eleições de outubro, aceitou a oferta de asilo oferecida pelo México, informou nesta segunda-feira, 11, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard. "Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales mediante à qual respondeu ao nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo a nosso país", informou o chanceler em entrevista coletiva.

O chanceler disse que o asilo foi concedido porque "sua vida e integridade correm riscos". Ele informaria às autoridades bolivianas sobre a decisão para que procedam para conceder um salvoconduto ao ex-presidente e garantias de que "sua vida, integridade pessoal e liberdade não seriam colocadas em perigo".

A saída de Evo do poder provocou muitas comemorações, mas também violência em La Paz e em outros pontos do país. O agora ex-presidente denunciou a existência de uma ordem de prisão "ilegal" contra ele, uma afirmação negada pelo chefe da polícia do país, o general Yuri Vladimir Calderón.