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Editorial

Contorno irreversível


    • São José do Rio Preto
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Reivindicação antiga e de prioridade ainda mais perceptível diante da sucessão de acidentes, um deles no descarrilamento que provocou oito mortes no Jardim Conceição, o projeto do contorno ferroviário de Rio Preto avançou nesta semana, com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de antecipar a renovação da concessão da malha paulista. Trata-se de um conjunto de obras a serem projetadas com o objetivo de afastar os trilhos da estrada de ferro da cidade, desvio que incluirá Mirassol e Cedral. A nova concessão deverá ser concretizada com o compromisso da empresa Rumo Logística de executar a missão, estimada em R$ 700 milhões.

A partir de apontamentos específicos feitos pelo Tribunal de Contas da União, a proposta será novamente analisada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para mais uma fase de tramitação. Uma nova etapa que deve ser meramente burocrática diante da profundidade dos estudos apresentados, inclusive contando com série de reportagens do Diário da Região levadas ao TCU pelo prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB). O andamento foi destacado como positivo pelo chefe do TCU, Vital do Rêgo, pelo ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em sua conta no Twitter.

Reportagem do jornalista Vinícius Marques publicada em abril deste ano pelo Diário mostrou que a circulação de trens de carga no Estado vai aumentar em 50% a partir de 2022, considerando o fluxo proveniente da ligação com a ferrovia Norte-Sul. O volume de cargas passará dos atuais 30 milhões para 75 milhões de toneladas ao ano. Atualmente, 24 composições, cada uma formada por 80 vagões, cruzam a cidade todos os dias. Projeção da ANTT indica que a quantidade vai saltar, inicialmente, para 36 trens por dia, o que representaria uma composição a cada 40 minutos.

A importância do contorno ferroviário vai além dos benefícios para Rio Preto, Mirassol e Cedral. Atrelada a essa obra está a dinamização de toda a extensão da malha paulista de forma a eliminar conflitos urbanos, com duplicação de trechos, construção de viadutos e passarelas e ampliação de pátios em 35 dos 60 municípios que a ferrovia atravessa. A renovação antecipada da concessão, que venceria em 2028, será por 30 anos.

Em Rio Preto, projeto à parte para o espaço do traçado atual poderá viabilizar um complexo com vários elementos interligados - avenida, ciclovia, pista de pedestres e VLT (veículo leve sobre trilhos) de passageiros. O contorno ferroviário regional, enfim, não é mais uma questão de escolha. É a única saída.