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Editorial

Trânsito e corridas de rua


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

A febre das corridas de rua que há alguns anos vem ganhando intensidade e multiplicando adeptos em Rio Preto é um caso para ser estudado com mais atenção pelas autoridades públicas. Em primeiro lugar - é importante que se ressalte - são iniciativas que merecem ser incentivadas por uma série de motivos. Saudáveis e geradoras de oportunidades, as corridas têm um lado business vigoroso e funcionam muito bem como ferramenta de marketing. Estão se firmando como negócio criativo e altamente rentável para alguns segmentos que souberam identificar e capitalizar um interessante nicho de mercado.

Os organizadores de corridas de rua e seus diversos parceiros costumam reunir centenas de participantes, às vezes superando a casa do milhar. Para garantir a realização com segurança aos participantes e conciliar esse fluxo com os demais transeuntes e veículos, no entanto, é necessário montar estruturas que demandam muita responsabilidade, profissionalismo e conhecimento de tráfego. Os pontos de interdição, a indicação de rotas alternativas e a forma como a interrupção de tráfego é feita de um modo geral exigem a elaboração de estudos muito criteriosos.

O problema é que nem sempre tem funcionado direito, e isso tem causado transtorno, mesmo em horários de menor movimento. Um exemplo ocorreu no domingo pela manhã, com a desorganização de uma maratona que demandou interdições em grande parte do setor sudoeste, especialmente ao longo de toda a avenida Juscelino Kubitschek. Numa delas, sentido sul, quando os atletas que corriam pelo espaço interditado à esquerda eram direcionados para o desvio de percurso à direita, chegou a ocorrer sequências de congestionamentos com centenas de veículos, inclusive ônibus. Ali, um improvisado sistema "pare-e-siga" virou "siga" permanente para os atletas e "pare" total para os veículos, só resolvido com buzinaços.

É esperado que o poder público contribua para a viabilização desse tipo de evento numa cidade como Rio Preto. Entretanto, é preciso muito mais atenção e critério quanto à definição de percurso e principalmente pontos de interdição, com a devida sinalização e a previsão de rotas alternativas honestas. Caso contrário, é puro abuso. A autorização para o uso de vias públicas não pode comprometer, em hipótese alguma, o direito fundamental de ir e vir dos cidadãos em geral, pedestres, ciclistas ou motorizados, a qualquer hora do dia ou da noite.