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Cartas do Leitor

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    • São José do Rio Preto
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Esclarecimento

Em respeito à verdade dos fatos, e aos leitores deste jornal, a Câmara Municipal de São José do Rio Preto vem por meio deste informar e esclarecer o que segue.

A aprovação da Lei Ordinária 12.588, de 21 de dezembro de 2016, há três anos, que denomina "Prefeito Valdomiro Lopes da Silva" o terminal urbano Central Parque, se deu na presença dos 17 vereadores em exercício à época. Para aprovação de denominação de próprios públicos, o Regimento Interno exige quórum mínimo de 2/3 dos vereadores, ou seja, na menor das hipóteses, ao menos 12 vereadores se manifestaram favoráveis à proposta.

A aprovação de denominação de próprios públicos e outorga de honrarias é deliberada em sessão secreta, na qual não é admitido o registro individual de votação, apenas a aferição de resultado, sendo impossível, portanto, qualquer ilação a respeito de quem votou contra ou a favor. Não existe, regimentalmente, qualquer registro de votação em sessões secretas, apenas o registro de presença e a ata dos trabalhos com a assinatura dos 17 vereadores presentes à ocasião, sendo inviolável o voto de cada parlamentar.

A Câmara Municipal de São José do Rio Preto recebe com absoluta surpresa a notícia veiculada a respeito da suposta investigação por "improbidade" após três anos de aprovado a lei, vez que o devido processo legislativo fora rigorosamente respeitado, e por se tratar ainda de homenagem a um ex-prefeito de nossa cidade na década de 1960, que goza do respeito e reconhecimento de todos.

Paulo Pauléra, presidente Câmara Municipal de São José do Rio Preto.

Nota da Redação: A Coluna do Diário (de 29/11) se ateve a revelar os nomes dos oito vereadores listados pelo promotor de Justiça Sérgio Clementino na portaria, datada de 26 de novembro, com a qual abre o inquérito civil para apurar improbidade administrativa pela aprovação da lei 12.588. Na portaria, o promotor dá 15 dias para que os oito vereadores arrolados prestem as informações que Pauléra, um dos implicados, adianta ao jornal na carta acima. Clementino também solicita da Prefeitura de Rio Preto a ata da votação secreta que decidiu pela homenagem, o que dará oportunidade de acrescentar nomes de outros vereadores à investigação em curso.

Ditador

Pinochet foi um ditador sanguinário. Não poupou métodos truculentos para manter-se no poder. Com a Dina, polícia política, assassinou um ex-ministro de Allende, professor nos Estados Unidos, e sua secretária, cidadã americana, com ato terrorista (bomba conectada ao carro, com controle remoto). Assassinou via Dina com uma bomba ligada à ignição do carro do general Carlos Prats, exilado em Buenos Aires.

Mesmo Kissenger, que ajudou o golpe, lhe tinha alguma irritação. Considerava que o ditador chileno "não tinha modos" mesmo no poder. Nixon, presidente americano, o evitava. O ditador chileno não foi convidado à posse de Geisel, orientado pelo chanceler Saraiva. Até para militares daqui o Pinochet era indigesto, não "pegava bem". Pinochet apareceu assim mesmo. Anos depois, o general Contreras, o chefão da Dina, reconheceu que usaram um método moderno de tráfico, chamado "cocaína preta", não identificável por cães nos aeroportos.

Além de milhares de mortos, verificou-se que o ídolo - um tanto decadente, mesmo a direita "civilizada" já o queria fora - era terrivelmente corrupto. Pinochet passou a ser adjetivo. Mesmo os ditadores de então não queriam reconhecer-se como "filhos" do pinochetismo. Foi a pá de cal do seu prestígio, e os militares, sobretudo o general Oscar Izurieta, perceberam que o Chile não podia mais viver dividido tão radicalmente.

Cauê Macris, presidente da Assembleia, proibiu o discurso de homenagem de um deputado ultradireitista a Pinochet. Curiosamente, esse deputado é irmão de um grande intelectual, cientista político, formulador de projetos liberais e de "soluções propositivas" ao país. O que se sobrepõe a tudo isso é uma dúvida que cogito: cabe censura mesmo que de veneração a um notório político sanguinário?

Luiz Melo, Rio Preto.

Previdência

Pior cego é aquele que não quer ver, ditado popular. É impressionante como os políticos e detentores de cargos na esfera estadual e federal insistem em afirmar que o rombo da Previdência só será sanado reajustando a alíquota de contribuição de 11% para 14% na folha de pagamento dos funcionários públicos estaduais. Aumentar a idade mínima de aposentadoria para 62 anos, no caso das mulheres e 65 anos para os homens.

Em nenhum momento foi cogitada a redução dos salários de deputados, assessores, líder de governo, e o corte de dezenas de mordomias, que todos nós eleitores e brasileiros conhecemos. O senhor Carlão Pignatari, líder do governo na Assembleia Legislativa, afirma em seu artigo publicado no Diário da Região, do dia 30/11, que esta reforma é essencial para que São Paulo não quebre.

Só rindo mesmo, porque o rombo está no salário e nas mordomias que o senhor e todos os seus companheiros da Alesp, recebem a muitos anos e não reclamam. Nós, os funcionários públicos estaduais estamos a mais de 5 anos sem qualquer tipo de reajuste, nem mesmo o da inflação.

Não culpe o pobre trabalhador, que mata um leão por dia para sobreviver e sustentar a sua família por este rombo de anos a fio. Leitores, vamos prestar muita atenção nestes políticos para a próxima eleição. Já conseguimos eliminar alguns da vida pública, mas tem muitos ainda para serem eliminados.

Mirian L. R. Marim, Rio Preto.

Vacina

Imagine-se no Brasil de 1904, você é obrigado a se vacinar. A preparação contra a varíola era feita a partir do próprio vírus da doença que acometia as vacas. As mulheres, que pouco se mostravam, teriam de expor seus braços aos vacinadores.

Talvez, nenhum de nós aceitasse tamanha novidade. O episódio conhecido como Revolta da Vacina se repete mais de século depois em movimentos antivacina - agora, mesmo com tanta informação, há, por exemplo, quem acredite em vírus do câncer contido nelas.

Arthur Merlotti, Rio Preto.