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Cartas do Leitor

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    • São José do Rio Preto
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Vazamentos

De volta a este espaço ultrademocrático, venho lembrar que em uma das últimas opiniões aqui publicadas tratei de como deveria ser conduzido um assunto que um cidadão tem acesso e ou é procurado para que o mesmo seja denunciado ou publicado (caso do site Intercept). Primeiro passo seria procurar um órgão competente para uma perícia e apurar a veracidade dos fatos ali mencionados.

Muito bem, o que aconteceu foi uma completa inversão do que manda a conduta de uma pessoa honesta e principalmente por ser pessoa eleita pelo povo. O que se subentende, paga pelo mesmos e tendo como obrigação moral de transmitir as vontades dos mesmos no parlamento; e não provocar o caos no sistema político que já se encontrava tumultuado e colocar o conteúdo nas mãos de pseudo jornalista que causou os transtornos por nós vividos até hoje.

A PF está concluindo investigações, e exames demonstram que acusado preso, que é conhecido pela alcunha de "vermelho", montou os diálogos para posteriormente repassá-los a uma representante do povo. Sugiro que parlamentares denunciem a mesma ao conselho de ética, talvez sem resultado, devido ao alto índice de corporativismo existente no meio.

Como fica a postura do elemento que compõe a "alta" corte, visto que o mesmo tem alicerçado suas sentenças finais baseado nas informações roubadas e prestes a ser desmentidas? Acéfalos que compõem a turma que quer por qualquer custo implantar o comunismo aqui devem desistir. Esqueçam, aproveitem a ponte aérea e mudem para Venezuela, Chile ou outro qualquer que comunguem suas ideias.

Marcos Reis, Rio Preto.

Sina

A força do brasileiro novamente posta a prova. A história do Brasil conta que como primeira opção ao nosso país: seria um imenso presídio habitado por degredados. O acaso fez com que a corte portuguesa, fugindo de Napoleão Bonaparte, viesse se esconder aqui, somente até que o perigo (para eles) passasse. Como posseiros inescrupulosos saquearam nossa pátria de 1808 até 1821, porém para infelicidade nossa, dom João, que a essa altura já tinha percebido o valor da colônia, deixou aqui seu filho; o mau elemento dom Pedro, com a orientação célebre: "Coloque o coroa sobre sua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela".

Com ele ficou parte da corte que já tinha estruturado a organização criminosa de cujas ramificações surgiram famílias (sobrenomes) dos "coronéis" que até hoje dominam a política. Como todo país colonizado pelos europeus, o Brasil carrega esse fardo - diferente dos Estados Unidos, que foram colonizados por quem pretendia morar lá.

Embora tenha ainda a sina de conviver com a descendência dos escrotos deixados pelos lusitanos, o Brasil, em função da distância, teve seu subsolo preservado, isso até agora, quando a nova política tem a desfaçatez de incentivar a mineração e privatização do que há embaixo dos pés dos brasileiros.

Temos a história para nos mostrar a miséria do povo que entregou seus bens minerais para os investidores em "tenebrosas transações". Na Ásia onde os emires entregaram o petróleo, na África onde líderes corruptos entregaram a profusão de minérios, em Minas Gerais, que foi um dia destino turístico. Mas como a mineração feita por grandes empresas não "usa" gente, hoje o folclórico "mineirinho" é visto somente como possível vítima que consta nos relatórios como indenização em casos como o de Mariana e Sobradinho.

Norberto Carlos Dieguez, Rio Preto.

Câmara

Não é de hoje que escrevemos neste jornal para alertar sobre a indisciplinada concessão de honrarias pela Câmara Municipal de São José do Rio Preto. Não existe no Brasil e talvez no mundo casa legislativa com igual quantidade de honrarias como a de Rio Preto, que deveria estar no Guinness Book por essa tremenda aberração.

O pior de tudo é a forma como essas dezenas de títulos, medalhas, troféus e diplomas são concedidas a bel prazer dessas iniciativas individuais, geralmente em troca de votos ou favores pessoais. Não existem quaisquer tipos de discussões. São feitas às escondidas. E o pior: com dinheiro público. Funcionam como se fossem cotas de fotocópias, de materiais de escritório, de ligações telefônicas ou de combustíveis que cada parlamentar tem direito.

E são tão pífias essas sessões de homenagens que na hora da entrega geralmente só comparece o autor da propositura, dando-se na cara que a proposta é de caráter extremamente individual, sem nenhum interesse coletivo ou público.

Enquanto a maioria das casas legislativas, incluindo a Assembleia, a Câmara de São Paulo e o Congresso Nacional decide pelo voto aberto para concederem tais honrarias, em Rio Preto essas decisões acontecem de forma nebulosa.

No mês passado a Câmara da cidade vizinha de Cedral deu um bom exemplo ao rejeitar publicamente a concessão de título de Cidadão Honorário ao presidente da UVESP (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), Sebastião Misiara.

Mesmo sem exercer há mais de 20 anos o cargo de vereador, Misiara preside, há vários anos, por repetidos mandatos, a presidência da principal entidade representativa dos vereadores. Ele foi preso em 2016 na segunda fase da Operação Alba Branca, acusado pelo Ministério Público de atuar como lobista em licitações fraudulentas da merenda escolar em diversas cidades, dando prejuízo de milhões de reais aos cofres púbicos.

Por causa do velório do Gugu, o presidente da Assembleia, Cauê Macris, cancelou a sessão de homenagem a Misiara. Essa homenagem foi proposta pelo deputado Itamar Borges, que deveria pensar melhor para quem concede homenagens.

Muito estranho também é os políticos rio-pretenses quererem agora conceder homenagem a um réu confesso de um dos maiores casos de corrupção do futebol mundial, que cumpriu pena nos Estados Unidos. A impressão que se dá é que no Brasil os políticos batem palmas para quem pratica crimes milionários, usurpando de dinheiro público.

Com todo respeito aos políticos de plantão, quem comete esse tipo de crime contra os cofres públicos não merece quaisquer tipos de homenagens.

Nelson Gonçalves, jornalista em São José do Rio Preto.