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Cartas do Leitor

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    • São José do Rio Preto
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Bolsonaro

Quem tem acompanhado um pouco da política nacional já viu o presidente Bolsonaro tentar indicar o filho 03 à embaixada dos EUA, entrar em conflito com seu próprio partido, ofender diversas autoridades mundo afora, criticar e ameaçar a imprensa que o contraria, planejar sua reeleição e tratar com desdém os recentes desastres ambientais ocorridos no país, dentre tantos outros absurdos. Porém, até agora, o que ninguém viu é ele entender a importância do cargo que ocupa e começar de fato a governar o país.

Na última semana fomos surpreendidos (ou não) com uma enxurrada de medidas desastrosas que vão de encontro com as verdadeiras necessidades dos brasileiros.

O fim do DPVAT, como retaliação ao seu novo desafeto, Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, que controla uma das seguradoras credenciadas pelo governo para a cobertura do seguro. A justificativa é de acabar com as fraudes no seguro, sem ao menos cogitar a possibilidade de se fazer uma fiscalização para punir eventuais fraudadores. Contudo ao extinguir a cobrança do DPVAT, o maior prejudicado será o já combalido SUS, que só nos últimos 10 anos recebeu algo entorno de 33,5 bilhões de reais de recursos arrecadados pelo seguro. Ou seja, quem pagará pela desavença entre Bolsonaro e Bivar será o usuário do SUS.

O anúncio do "alívio" na folha de pagamento para os empregadores, com o discurso de que gerariam-se mais empregos, contudo esse déficit será jogado nas costas dos desempregados, que passarão a ter descontados 7,5% de INSS de seu benefício. Isso mesmo, aqueles que mais precisam do benefício por estarem em um momento tão difícil que é a situação de desemprego terão que arcar com o ônus do "agrado" de Bolsonaro aos empresários.

E a proposta que desobriga o poder público a expandir sua rede de escolas em regiões com déficit de vagas para alunos, criando a possibilidade de o estado bancar vouchers aos estudantes da rede pública para se matricularem em colégios privados, privilegiando assim as redes de ensino particulares que têm na figura da irmã do ministro Paulo Guedes, a vice-presidente de associação que representa o grande monopólio educacional das universidades e que também atua na educação infantil. Mera coincidência?

Como podemos observar, Bolsonaro visa apenas a seus próprios interesses, seja tentando privilegiar seus filhos e amigos mais próximos ou tentando se vingar de seus desafetos, sem se importar com as consequências de seus atos.

Que nosso Congresso tenha a dignidade de, ao menos desta vez, se colocar ao lado da população e vetar essas medidas nocivas que atingirão justamente os que mais precisam do poder público.

Matheus Saletti Leal, Rio Preto.

Vereadores

Tenho acompanhado pela mídia e também ouvindo alguns empresários geradores de centenas de empregos na cidade, algumas notícias sobre o tema: diminuição da quantidade de vereadores em Rio Preto, para as próximas eleições. Atualmente a cidade tem 17 parlamentares, entre eles, alguns falam em baixar para 15, outros 13 e até 11 vereadores. Eu particularmente, sou a favor de no máximo 9 vereadores. Esse papo de que vai perder representatividade é conversa para boi dormir.

Quantidade nunca significou qualidade, especialmente na política, além disso, vereador precisa colocar na mente que foi eleito para trabalhar a favor dos interesses legais da população, atuar de forma honesta, limpa e sempre objetivando buscar soluções criativas, sem onerar os cofres públicos, inclusive, fiscalizando imparcialmente os passos do executivo.

Por exemplo: se for realizada uma pesquisa de credibilidade na cidade, em diversos pontos do município, ouvir de fato quem é o maior interessado no assunto, ou seja, os milhares de contribuintes, pagadores de pesados impostos, inclusive do salário de cada vereador, penso que os números de 5 a 9 parlamentares terá a maior votação. O povo está super cansado de sustentar o sistema político.

Aí está uma sugestão para os órgãos de pesquisa, inclusive para a mídia geral avaliar. O resultado final, democraticamente, pode ser colocado em prática em plenário. Caso isso aconteça, será uma mudança do bem e exemplar para o Brasil e ficará na história do município.

Antônio Carlos Novaes Filho, Rio Preto.

Partido novo

Quem, como eu, votou no PSL de Bolsonaro para evitar o autoritarismo retrógrado do PT de Lula, está escapando do espeto para cair na brasa. Nosso presidente acaba de lançar um novo partido, denominado "Aliança pelo Brasil" mas que, na verdade, é uma aliança do clã Bolsonaro para agregar políticos e simpatizantes na sua esfera de poder, especialmente as bancadas tradicionalistas da Bíblia e da Bala, religiosos e militares.

Já temos mais de 30 partidos, para que mais um? Haja verba pública para sustentar tantos fundos, eleitorais e partidários! Certo seria ter apenas dois partidos, um de esquerda progressista e outro de direita conservadora, o vencedor de uma eleição tendo maioria absoluta para governar, sem precisar do apoio de partidos de aluguel, como acontece nas atuais democracias mais desenvolvidas. Quando o povo brasileiro fará por merecer governantes preocupados com o bem geral da Nação e não com familiares e compadres? Precisamos de mais estadistas e menos oportunistas!

Salvatore D'Onofrio, Rio Preto.

Degradação

A dignidade cristã e a confiança em Deus não podem ser diminuídas pelas crises nos setores da política, da economia ou da realidade social. Presenciamos uma profunda degradação na prática da justiça, uma preocupante desonestidade de muitas lideranças e exploração do povo em diversas circunstâncias. A sociedade marcada pelo consumismo precisa mudar de rumo para ajudar o povo.

As relações praticadas na convivência interpessoal precisam ser humanizadas, superando todo espírito de desconfiança e de medo no seio da comunidade, aquilo que dificulta o clima da confiança e da esperança. A chegada de mais uma Festa natalina é espaço e tempo propícios para consolidar a confiança e a fé das pessoas em Deus. Isto significa que a esperança cristã é capaz de dar segurança.

Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, ex-bispo de Rio Preto.