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Duplicação

Empreiteiras culpam cortes por atraso na BR

Execução do serviço, cujo prazo teve nova prorrogação, ainda espera por mais verba


    • São José do Rio Preto
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O consórcio de empreiteiras responsável pelas obras de duplicação da BR-153 no trecho urbano de Rio Preto apresentou nesta sexta-feira, 1º, ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), solicitação de prorrogação do contrato por mais um ano, até dezembro de 2020. O grupo, formado pelas construtoras Bandeirantes, Coplan, Astec e Encalso, culpa a demora na liberação de recursos em função de cortes de gastos do governo federal e mudanças no projeto da obra como os principais motivos para o atraso na conclusão da duplicação. A justificativa foi encaminhada ao órgão vinculado ao Ministério de Infraestrutura, que administra o contrato, a pedido do próprio Dnit, que admitiu a falta de dinheiro do governo federal para terminar a duplicação neste ano.

O Diário revelou, em agosto, que orçamento disponível para a duplicação terminaria em setembro. Desde então, o que se verificou foi redução no ritmo da obra. Nesta sexta, o Diário percorreu o trecho da duplicação e verificou que a obra está paralisada, sem funcionários. Segundo o Dnit, 70% do empreendimento estão concluídos. A liberação de R$ 15 milhões em outubro e outros R$ 15 milhões em novembro ainda não foi concretizada pelo governo federal.

No documento com pedido de mais prazo, o consórcio afirma que ocorreram "restrições orçamentárias" desde início da assinatura do contrato, em setembro de 2014. Na época, a previsão de conclusão do contrato era de 900 dias, em fevereiro de 2017. Atualmente, de acordo com dados informados ao Dnit, o contrato está com 1.927 dias de execução.

Esta será a terceira prorrogação do prazo de conclusão da obra. A duplicação só teve início de fato em 2016 e, mesmo assim, segundo as construtoras, o governo federal limitou recursos. "A restrição orçamentária para o ano de 2016 impediu que o consórcio cumprisse o seu planejamento, não sendo possível atacar a obra como um todo conforme planejado inicialmente", diz o grupo de empreiteiras.

"O andamento dessas atividades [de duplicação] está vinculado às disponibilidades financeiras e restrições orçamentárias, no qual também se considera as áreas a serem desapropriadas que estão sendo liberadas para a execução das obras", afirma outro trecho do documento, que agora será analisado pelo Dnit. O departamento deve oficializar nos próximos dias a prorrogação pedida pelas empresas. De acordo com o consórcio, o "fator financeiro" fez o consórcio "mudar seu planejamento e consequentemente seu plano de ataque, reduzindo o seu efetivo de mão de obra e equipamentos, por incertezas geradas pelas restrições orçamentárias".

O grupo afirma ainda que ocorreram alterações imprevistas na obra que impactaram em atrasos. Cita como exemplo mudança do local do novo posto da Polícia Rodoviária Federal. O trecho terá novo acesso à rodovia pela Nossa Senhora da Paz. O posto atual seria transferido para determinado local da rodovia, que depois foi alterado.

Inicialmente o contrato foi assinado por R$ 186,9 milhões. O valor atualizado está em R$ 244 milhões. A proposta apresentada pelo consórcio, com a prorrogação por mais um ano, estima custo final da obra em R$ 261 milhões.

Outra mudança no projeto original, segundo o consórcio, é relativo a trecho da rodovia que passa pela Represa, onde há um emissário do Semae. "O anteprojeto não considerou uma interferência de grandes proporções [referindo-se ao emissário]", diz consórcio.

Abaixo-assinado

Comerciantes da avenida Danilo Galeazzi reclamam da demora de liberação de trevo na BR perto do distrito de Talhado. Abaixo-assinado espera reunir mil adesões para ser entregue na sede do Dnit em Rio Preto pedindo a liberação do trecho. "Os comerciantes estão sendo prejudicados com essa demora na obra", afirmou um deles, Jorge Carlos dos Santos.