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PLANO RODRIGO

Tucanos da região ajudam Rodrigo na sucessão de Doria

Deputado Carlão Pignatari, de Votuporanga, e presidente estadual do PSDB, Marco Vinholi, de Catanduva, fecham cerco para partido apoiar vice em vez de lançar candidato próprio a governador em 2022


    • São José do Rio Preto
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Três figuras políticas da região de Rio Preto são consideradas peças-chaves no projeto de poder que pretende eleger o governador João Doria (PSDB) presidente da República em 2022, conduzir o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) ao comando do Palácio dos Bandeirantes e garantir a eleição de aliados em prefeituras estratégicas no Estado de São Paulo em 2020. O projeto é embrionário, mas já é executado silenciosamente pelo próprio Rodrigo, pelo secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, e pelo líder de Doria na Assembleia Legislativa, deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB).

Na prática, Rodrigo já ganha "quilometragem" ao substituir rotineiramente o governador Doria no cargo, como ocorreu na semana que passou. O tucano só deve retornar ao Brasil neste domingo, 24, após cumprir agenda oficial nos Estados Unidos na semana passada. O vice-governador é apontado como o "gerente" da gestão de Doria, ao acumular também o cargo de secretário estadual de Governo. Em encontros reservados no Palácio dos Bandeirantes, Rodrigo já alerta aliados sobre o seu futuro político.

Com as bênçãos, inclusive, de quadros tucanos, o cacique do DEM pode interromper a hegemonia do PSDB no comando do governo do Estado desde 1996, quando Mario Covas já morto foi eleito.

Carlão é o primeiro a subir no palanque de Rodrigo. "Ele [Rodrigo] é o meu candidato a governador. O Rodrigo hoje é o grande gestor. Ele é o gerente do governo Doria. Ele está envolvido com a Assembleia, ele está envolvido com os partidos", afirmou o líder do governo na Assembleia Legislativa, ex-prefeito de Votuporanga.

O deputado federal Geninho Zuliani (DEM), outro ex-prefeito na região (governou Olímpia), afirma que Doria já defendeu o nome de Rodrigo como seu "sucessor natural".

A participação efetiva de Rodrigo na coordenação administrativa e política no atual governo o diferencia de Márcio França (PSB), vice-governador de Geraldo Alckmin (PSDB), que acabou derrotado por Doria na disputa eleitoral do ano passado.

E líder do governo na Assembleia tem até uma solução para os tucanos que defendem o retorno de Alckmin ao governo do Estado. Carlão, sem querer entrar em rota de colisão com o ex-governador, defendeu a candidatura de Alckmin para o Senado em 2022. "Geraldo [Alckmin] é um grande homem público. Ele vai ser o que ele quiser, mas o Rodrigo hoje tem uma participação, contribuição com os partidos da coligação do João Doria. E ele está conquistando os espaços que são necessários para que não precise ter um rompimento lá na frente. Acredito na inteligência do Rodrigo e na capacidade de aglutinar as pessoas."

Vinholi, que além de secretário de Estado é presidente estadual do PSDB, é apontado como um dos principais articuladores políticos dessa costura no Interior. Ao contrário de Carlão, no entanto, ele adota cautela ao comentar o projeto envolvendo as eleições de 2020 e 2022. Ele afirmou que, "no momento", está "focado na gestão" de projetos do governo.

Cabe a Vinholi, que é de Catanduva, fazer a aproximação com prefeitos. Na condição de secretário de Desenvolvimento Regional é ele, por exemplo, o responsável pela liberação de recursos para obras e serviços como pavimentação asfáltica do Estado para os municípios.

Em dobradinha com Carlão, que ajuda a costurar o apoio de outros partidos da base aliada a Doria ao projeto do governador e do vice em 2022, Vinholi faz o cerco entre os prefeitos. Internamente dentro do PSDB ajudam Rodrigo na articulação para que não ocorra com o democrata o mesmo que aconteceu com Márcio França em 2018, que ficou sem o apoio do PSDB, apesar de ter a preferência do então governador Geraldo Alckmin. "É uma relação completamente diferente do Márcio [França], pessoa que respeito. Não tinha nenhum papel dentro do próprio governo", diz Carlão. "O grande gestor do governo [hoje] é o Rodrigo. E se ele for candidato lá na frente, acho que é dever, pelo que ele está fazendo pelo Doria, ser o nosso candidato", completa o líder do governador na Assembleia.

(Com Rogério Castro)

 

A ideia da cúpula do governo Doria é conseguir reproduzir a aliança de 2018 e ampliá-la na eleição do próximo ano, quando serão eleitos prefeitos e vereadores. Na última semana, o MDB se aproximou do governo tucano, gesto que contou com a participação de outro personagem da região: o deputado estadual Itamar Borges (MDB), de Santa Fé do Sul. Ele, inclusive, participou de encontro no Palácio dos Bandeirantes entre prefeitos, o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e o governador em exercício Rodrigo Garcia (DEM).

Rodrigo comandou encontro da direção do DEM que definiu as estratégias da legenda para as cidades com mais de 100 mil habitantes. O partido vai priorizar alianças com o PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab, com o PSDB, Republicanos, MDB e PL.

De acordo com o deputado Carlão Pignatari (PSDB), líder do governo na Assembleia, o grupo pretende lançar o maior número possível de candidatos a prefeito. A prioridade, no momento, é construir aliança que possa garantir a reeleição do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). Carlão admite que, em algumas cidades, por conta das peculiaridades locais, os partidos aliados podem se enfrentar. "Vamos disputar em algumas cidades. Não há problema, mas onde houver 2º turno vai todo mundo para o mesmo lado", afirmou. (RL)

João Doria - governador de São Paulo, mas cujo projeto é disputar a Presidência da República em 2022 pelo PSDB

Rodrigo Garcia - vice-governador e secretário de Governo de Doria, responsável em gerir os principais projetos da gestão do tucano; monitora os projetos em andamentos de todas as pastas do governo, do qual também participa da articulação política, incluindo o projeto de Doria e o dele próprio de ser candidato ao governo do Estado pelo DEM em 2022

Marco Vinholi - secretário estadual de Desenvolvimento Regional, responsável pela implantação de projetos considerados estratégicos para a gestão do tucano no Interior, como a criação de escritórios regionais do governo; ele também é presidente estadual do PSDB com apoio de Doria; peça importante para ajudar a viabilizar o projeto do tucano e de Rodrigo em 2022

Carlão Pignatari - deputado estadual pelo PSDB; líder do governo Doria na Assembleia Legislativa. É o responsável pela articulação política do governador no Legislativo. Assim como Vinholi, é peça fundamental para costurar o apoio do PSDB a Rodrigo em 2022

O apoio do prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), ao governador João Doria (PSDB) na eleição de 2018 vai pesar em seu favor nas articulações políticas visando a disputa eleitoral do próximo ano. "O Edinho já foi um grande companheiro na última eleição. Foi preponderante para a eleição do Doria. Nos ajudou muito. Mesmo o MDB tendo ficado com o Márcio França, ele ficou com o Doria e temos de respeitar", afirmou o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB).

A posição do emedebista, no entanto, pode não ser suficiente para barrar candidato do PSDB contra ele no ano que vem. Segundo Carlão, a decisão sobre eventual candidatura própria do partido passa pelas mãos do presidente local da sigla, Manoel Gonçalves, do ex-deputado estadual Vaz de Lima (PSDB) e do presidente estadual do PSDB, Marco Vinholi. O grupo negocia a filiação do vereador Renato Pupo, atualmente no PSD, para ser o candidato a prefeito do partido.

Pesará ainda na balança para eventual apoio a Edinho ele ter como vice-prefeito Eleuses Paiva, do PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, também aliado do governo João Doria (PSDB).

Já de olho na retribuição em 2020, Edinho defendeu a aproximação do MDB com o governo Doria. "Sou favorável ao desenvolvimento e somar forças no período administrativo para que possamos resolver os problemas da população. Não tenho nada a opor [ao apoio do MDB a Doria]", afirmou ele durante entrevista no início da última semana.

O prefeito disse que a sua relação com o governo do Estado é "administrativa". (RL)