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SALTANDO LONGE

Xailany Cardoso brilha nas Paralimpíadas Escolares

Xailany Cardoso, jovem talento da Associação Renascer brilha nas Paralimpíadas Escolares, representando São Paulo, e garante medalha de ouro no salto em distância e bronze na prova do arremesso de peso


    • São José do Rio Preto
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Superada a expectativa pela primeira participação e o medo do pai por passar uma semana fora de casa, a jovem Xailany da Silva Cardoso, de 13 anos, começa a se destacar no atletismo da Associação Renascer. Na última semana, a garota de Nova Aliança conquistou medalha de ouro no salto em distância e bronze no arremesso de peso nas Paralimpíadas Escolares, realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. "Fiquei bastante feliz. O arremesso foi mais difícil porque era pesado", disse Xailany.

Diagnosticada com deficiência intelectual aos 5 anos e com dificuldades de aprendizagem, desde os 11 ela frequenta a associação rio-pretense, onde se descobriu no atletismo por intermédio do professor Bruno Valejo. Confiante com as últimas medalhas, as primeiras da promissora carreira, ela não quer pôr barreiras nos seus sonhos. "Espero chegar mais longe, talvez numa Paralimpíada", torce a atleta. "Se ela mantiver a regularidade, pode ir longe. Está saltando quase quatro metros, marca de menina de 18 anos", disse Bruno.

Xailany faturou o ouro no salto em distância com a marca de 3,75 metros. No arremesso de peso fez 6,68m.

Sem nunca ter praticado outra modalidade, a atleta quer aproveitar sua altura e peso para se desenvolver cada vez mais. "Vou focar no salto, que é minha melhor prova", comentou. Xailany teria que disputar três provas em São Paulo na última semana, mas teve que acrescentar o arremesso de peso e os 150 metros rasos na lista das disputas, e mesmo assim garantiu um bronze no peso.

Pai incentivador

O pai da jovem, Elias Cardoso, 35, teve que perder o medo de deixar a filha passar uma semana em São Paulo para o maior evento escolar do paradesporto brasileiro. Ela já havia ido para a capital disputar seletivas, mas convocada para defender o estado de São Paulo foi a primeira vez. "O incentivo dos professores ajudou. Fiquei com um pouco de medo no começo, mas nas reuniões me falaram sobre os benefícios pra ela", comentou Elias.

As vantagens já foram percebidas pela família da atleta, que costuma brincar de pega-pega e esconde-esconde com o irmão Jesemiel em paralelo à prática esportiva. "Depois que começou a praticar atletismo está mais à vontade, costumava ser muito tímida", avaliou o pai.

A ideia da família é procurar novas modalidades para que ela se desenvolva e siga pelos caminhos do esporte. "Vou incentivar mais e agora não vou ter mais medo. Vou pesquisar outros lugares e outras modalidades para ela praticar se tiver vontade".

Dois mesatenistas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Monte Aprazível conquistaram quatro medalhas, uma de ouro e três de bronze, na disputa dos Jogos Paralímpicos Escolares em São Paulo. Thayná Batista, 13 anos, faturou o ouro nos jogos por equipe e o bronze nas disputas individuais. Foi sua primeira participação no evento. Há três meses, ela conquistou a vaga direta nas seletivas.

No ano passado, Thayná havia ficado em primeiro lugar nas Olimpíadas Estaduais das Apaes e em 2º lugar na fase nacional das Olimpíadas da entidade. Os eventos acontecem a cada três anos.

Já João Fernando de Oliveira, 12, conquistou o bronze após ser terceiro lugar por equipes e no individual. "Entre todas as conquistas que levaram ao pódio, o que realmente vale é a alegria deles, conhecendo novos lugares e novos amigos. Essas participações melhoram todo seu desenvolvimento cognitivo-motor, a socialização, o trabalho em equipe, a autonomia e o planejamento e organização em suas vidas", disse o professor Rafael Acadio, responsável pelos alunos.

O técnico é cabo na Polícia Militar e também professor de Educação Física. Segundo ele, os alunos possuem deficiência intelectual e são carentes. As Paralimpíadas Escolares do Estado de São Paulo foram disputadas no local onde treinam todas as seleções de pessoas com deficiência de todos os esportes brasileiros. Cerca de 1.200 alunos participaram do evento, considerado o maior do mundo para pessoas com deficiência em idade escolar. (VS)