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AMÉRICA

Presidente acusa movimento de empresários para compra do Teixeirão

Presidente do América aponta movimento de empresários para compra do Teixeirão em leilão na Justiça do Trabalho, envolvendo presidente do Conselho Deliberativo e ex-dirigente do Rio Preto


    • São José do Rio Preto
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Faltando menos de uma semana para o leilão do estádio Teixeirão pela Justiça do Trabalho, para sanar dívidas trabalhistas que giram em torno de R$ 10 milhões, a notícia de que um grupo de empresários estaria se mobilizando para arrematar o imóvel tem causado temor e revolta nos bastidores do esporte rio-pretense.

O primeiro a falar da possibilidade de perder o imóvel foi o presidente do América, Luiz Donizete Prieto, o Italiano, relacionando o interesse ao presidente do Conselho Deliberativo, Pedro Batista, ao advogado Renato Custódio da Silva, além do empresário e vice-presidente do Rio Preto, Sebastião Dias Filho, e do ex-presidente do Jacaré, Suélio Ribeiro. Todos negam.

"É tudo extra oficial, mas o Pedro e o Renato querem que vende, não sei o porquê. Uma pessoa ligada a ele [Suélio] me falou [do movimento], mas vamos adiar esse leilão; se você ver texto do oficial que fez a avaliação é gozação", disse Italiano, que promete apresentar até quinta-feira uma avaliação feita por outra empresa, acima dos R$ 100 milhões. No edital do leilão, marcado para terça-feira, 12, às 13 horas, a área de 43 mil metros quadrados é avaliada em R$ 35 milhões, mas pode ser comprada por 50% do valor, ou seja R$ 17,5 milhões.

A venda do estádio deixaria o América sem uma casa. "Talvez teria até de mudar de cidade. Sempre preocupa, mas o estádio o América não vai perder, vamos fazer o possível e impossível", emendou Italiano, que estima gasto de R$ 10 mil pela avaliação contratada e outro investimento alto na contratação de um advogado indicado por Emílio Ribeiro Lima, diretor jurídico do Rubro.

Personagem central da manobra acusada por Italiano, o empresário Suélio Ribeiro nega a pretensão e diz que apenas deu uma ideia em uma 'conversa de café'. "Não tenho nenhuma pretensão, primeiro não tenho esse dinheiro. Falo que o América tem uma saída se um esportista que gostasse, comprava no leilão, fazia uma arena multiuso. Minha ideia seria montar um clube formador, com um centro de treinamento em outro lugar e desse colocaria aí um 'Rio-pretense Esporte Clube', só com jovens de 20 anos, jogar essa Quarta Divisão", disse Suélio. "Se tivesse R$ 30 milhões e pudesse fazer isso, faria. Com R$ 5 milhões reformaria, formaria o time na bezinha e começaria. Se alguém tiver dinheiro e quiser pegar minha ideia, fico feliz. Meu sonho mesmo é o Rio Preto, sou apaixonado naquele clube, que me deu as maiores oportunidades no futebol", emendou Ribeiro, presidente na conquista do vice-campeonato do Paulista A-3 de 2016.

Pedro Batista rebate Italiano de que na verdade ele alimenta esperança de uma venda para poder ficar com algum troco em mãos caso a venda ocorra. "O interesse é dele, acha que vai ficar com alguma coisa", disse Batista. "Estou brigando por essa CPI na Câmara dos Vereadores para intimidar quem tem interesse em comprar lá. Sou contra o América perder o estadio, até se houver a CPI o América continua usando o estádio. Se fosse para vender, pra mim vale R$ 200 milhões, R$ 250 milhões, e pudesse construir em outro lugar tudo bem, mas não na mão desse bandido. Pega dinheiro na mão e some", disse Batista.

Batista, que presidiu o clube na fase de mudança para o Teixeirão, promete lutar até o fim para que o clube não perca seu único bem. "Tenho como se fosse um filho pra mim. A idealização foi do Birigui [ex-presidente Benedito Teixeira], mas se eu não metesse a cara não tinha inaugurado. Pode ver que desde a inauguração nunca mais se pôs um tijolo lá", emendou.

A teoria apontada pelo presidente americano, Luiz Donizete Prieto, o Italiano, vai além de uma simples arrematação por um grupo investidor. O ex-presidente Suélio Ribeiro estaria se aliando a dirigentes atuais, como o vice-presidente Sebastião Dias Filho, para uma possível mudança do Rio Preto para casa do Rubro e a venda do estádio Anísio Haddad, em área nobre da cidade.

"Não sei como usaram meu nome, pois nunca falei nada disso, não procede, não tem nada a ver", garantiu Sebastião, que hoje mantém empreendimentos imobiliários em parceria com o Jacaré. "Temos investimentos aqui pra eu fazer, da minha parte nunca demonstrei interesse. É tudo conversa fiada, coisa de quem não tem o que fazer, numa crise dessa quem vai ter dinheiro? Fazer o quê aquele espaço? Prédio? Depósito?", emendou.

O dirigente ainda afirma que os planos do Rio Preto são apenas melhorar o que já lhe pertence. "Não tem nada de vender, onde já se viu vender o estádio. A gente tem o projeto de revitalizar o estádio, melhorar aquele shopping da frente. É que a situação ainda está ruim, tem coisas pra acertar de parcelamentos, mas o objetivo é outro", finalizou Sebastião. (OJ)