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São Silvestre

Renan Bezerra supera depressão na corrida de rua

Renan Bezerra supera depressão, obesidade e encontra na corrida de rua forças para ajudar a mãe na recuperação de um câncer. Educador físico treina agora para sua segunda São Silvestre


    • São José do Rio Preto
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Em um intervalo de 20 anos, o educador físico Renan Nogueira Bezerra Costa, de 39 anos, não imaginava que poderia ter a vida transformada pelo esporte mais simples e democrático: a corrida de rua. Após a morte do pai, em 1998, ele chegou a pesar 160 quilos e encontrou nas ruas de Rio Preto, cidade onde mora desde os 17 anos, forças para seguir nas batalhas da vida, como presenciar a recuperação da mãe que foi acometida por um câncer. Ele se prepara para correr pela segunda vez a São Silvestre, dia 31 de dezembro, em São Paulo.

"Após a morte de meu pai, tive alguns problemas, como depressão, e a corrida me ajudou bastante com isso. Engordei, cheguei a pesar 160 quilos, mas desde então as corridas têm sido meu ponto de alívio, um momento que achei para me encontrar", disse Renan. "A São Silvestre também é uma forma de agradecer aos 'deuses da corrida' por tamanha dádiva na minha vida."

No fim de 2016, a mãe de Renan foi diagnosticada com câncer de mama e o rapaz, que trabalhava com futebol e viajava bastante, voltou para cuidar dela em Rio Preto. "As corridas eram o ponto de equilíbrio, minha mãe se recuperou e segui com as provas. A obesidade combati correndo e mudando hábitos alimentares", comentou o educador físico.

Renan começou a correr em 2006, mas aumentou o ritmo de treinos a partir de 2011, participando de inúmeras provas. Hoje pratica, além da corrida, natação e mountain bike, pesando 90 quilos. "A grande lição que fica é que não importa o tempo e a distância. Você está ali para melhorar a si mesmo, evoluir como pessoa e ser humano, se desafiar e entender que às vezes é necessário diminuir a velocidade da vida para chegar no seu objetivo final", afirmou o atleta da Briani Assessoria Esportiva.

O rapaz já disputou meias maratonas na Argentina e no Chile, além de provas em São Paulo, mas a mais marcante foi a maratona de 42 quilômetros em Florianópolis deste ano. "Especial pela distância. Apenas 1% da população mundial já conseguiu realizar uma maratona. São meses treinando, abdicando de vida social com a família para poder treinar para esta prova".

Pela segunda vez na mais tradicional prova do atletismo brasileiro, a São Silvestre, Renan fez a prova do ano passado em 1 hora e 46 minutos. "Se não for a elite de corredores que estão pela disputa dos valores financeiros a galera quer só chegar e percorrer a distância de 15 quilômetros com muita alegria e emoção, passando pelos pontos turísticos de São Paulo", declarou o corredor.

Ele se apaixonou pela prova da capital e pretende voltar mais vezes além deste ano. "É uma prova sensacional, ela vem para coroar e fechar o ano, como também para dar um start para o novo ano que começa", afirmou Renan.

Com 30 mil participantes em média, a festa esportiva do último dia do ano também é fator primordial para sua participação. "É uma festa, não se preocupa com tempo ou com velocidade. A gente vê vários personagens e não dá mais para perder. Quem foi uma vez e gosta desse clima de corrida como terapia sabe que ali é uma coroação".