Carreira dos corretores de imóveis tem crescimentoÍcone de fechar Fechar

CARREIRA DOS SONHOS

Carreira dos corretores de imóveis tem crescimento

Profissão de corretor de imóveis desperta interesse em função da boa remuneração, mas chegar lá exige conhecimento técnico, um ótimo círculo de relacionamento e não é tão fácil como se pensa


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

A boa rentabilidade da carreira de corretor de imóveis é um dos grandes atrativos da profissão. Mas quem pensa que é possível ganhar dinheiro da noite para o dia se engana. É um longo processo que inclui conhecimento técnico e muito relacionamento pessoal. "Não basta simplesmente querer ser um corretor, é preciso vocação", afirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), José Augusto Viana Neto.

Dados do próprio Creci mostram como a profissão tem mantido um ciclo de crescimento na região de Rio Preto. Atualmente, são 3.197 corretores em atuação na área de cobertura da delegacia regional. E, de 2017 para 2018, houve uma alta de 7,9%, passando de 2.764 para 2.985 profissionais. O número de imobiliárias também mantém a curva de ascendência, passando de 399 em 2017 para 466 em 2018, até chegar a 519.

Tudo começa com a realização do curso de técnico em transações imobiliárias, o que vai dar ao participante os conhecimentos necessários para exercer a profissão e obter o registro no Creci, documento fundamental para exercer a atividade dentro da legalidade. Hoje em dia, fazer o curso está muito mais fácil, já que uma série de instituições de ensino oferecem cursos na modalidade a distância (EAD).

Uma delas é o Ibresp, que tem um polo educacional em Rio Preto para aplicação das provas. Segundo Simone Lima, representante comercial da escola, o curso dura cerca de seis meses e é feito de forma online, as provas são realizadas na Microlins - instituição parceria da empresa. "Para ter o Creci, é preciso fazer o curso técnico e ainda uma carga horária de 160 horas de estágio com corretor", explica.

Entre as matérias que são estudadas estão operações imobiliárias, desenho arquitetônico, noções de construção civil, matemática financeira, ética, direito e legislação, entre outras. A escola também oferece uma série de cursos livres para quem busca se capacitar no mercado e ainda o curso de avaliador de imóveis, o que o habilita para fazer perícias judiciais. O Ibresp estará com um estande na Construweek, que será realizada entre os dias 8 e 10, no Plaza Avenida Shopping, em Rio Preto. Lá, será possível conhecer os cursos e tirar dúvidas sobre preços e duração dos treinamentos.

Segundo Simone, a carreira de corretor tem crescido bastante nos últimos anos, especialmente em função da rentabilidade. É que, em geral, um corretor recebe 5% do valor do imóvel vendido como comissão por seu trabalho. Isso quer dizer que uma venda de um imóvel no valor de R$ 500 mil vai representar pelo menos R$ 25 mil, o que salta aos olhos num País em que o salário médio do trabalhador é na casa de R$ 2,7 mil.

Além disso, o que tem atraído é a possibilidade de um horário de trabalho mais flexível e até em formato home office, o que diminui os custos de quem está começando. Só que para crescer no setor é preciso também fazer parcerias com construtoras e imobiliárias para montar uma carteira de imóveis e mesmo de clientes. "A simples inscrição no Creci não garante sucesso ao profissional", ressalta Neto.

De acordo com o presidente do Creci, além do conhecimento técnico, o corretor precisa ter um bom círculo de relacionamento social para que possa fazer os negócios. E, dentro desse aspecto, ser de confiança é essencial para que seja reconhecido e procurado no mercado. "O que mais influencia na profissão é a credibilidade. E é preciso construir um relacionamento para se adquirir confiança", afirma Neto.

A questão, inclusive, sempre gera discussões, já que há pessoas que podem agir de má fé e exercerem a atividade sem a regulamentação, o que pode causar prejuízos aos envolvidos no negócio. "O vendedor ou comprador precisa procurar um corretor credenciado ao Creci para não tomar calote. É preciso conhecer sua reputação para não correr riscos de perder dinheiro", sugere Simone.

E quanto à alta rentabilidade, segundo Neto, de fato ela ocorre, mas não é todos os meses ou com a frequência que se gostaria. Por conta disso, pessoas que estão habituadas a receber salários mensais têm menos propensão a se adaptar a esse modelo de trabalho. "Em uma venda se recebe dez vezes, 15 vezes o salário médio do mercado. Só que é preciso poupar, ter uma vida equilibrada porque não é sempre que se vende."

Como dica para quem está interessado em ingressar na profissão, Neto afirma que a primeira coisa a ser feita é escolher um bom curso de formação, que dê toda a gama de informações técnicas necessárias para a execução de um bom serviço. Ele sugere ainda que o corretor seja um bom um ouvinte, um bom entendedor das necessidades que aquele negócio demanda. "É preciso saber porque aquela propriedade está sendo vendida, sendo comprada, conhecer o problema e as razões daquelas pessoas e isso só aprende trabalhando", afirma.

Aos 34 anos, o corretor de imóveis Guilherme da Silva Neilly é muito requisitado na cidade. Ele começou na profissão há 13 anos e "ralou" muito até atingir o patamar em que está hoje em dia. Ele conta que trabalhava como serviços gerais em uma loja de autopeças de Rio Preto e, a convite do pai - que já atuava na área - decidiu mudar de vida e começaram a trabalhar juntos. "Foi assim que descobri minha profissão, pude crescer e hoje amo o que faço", conta ele, que é casado e pai de duas filhas.

No início da carreira, Neilly trabalhava mais com transações envolvendo bairros e apartamentos, mas como o cenário mudou em função dos condomínios fechados, que cresceram pela procura de mais segurança e conforto, esse é o principal público do corretor. Mas quem pensa que obter conhecimento e experiência na área é rápido, se engana. "Esse é um longo caminho, pois adquirir experiência em todo o cenário imobiliário não é do dia para a noite, mas basta acreditar e trabalhar de forma correta, com honestidade, ética e respeito ao cliente", afirma.

Muita gente acaba se iludindo em função da alta remuneração e, segundo o corretor, sim, é possível crescer e ter uma boa renda, mas os negócios não são tão fáceis de ser finalizados como se pensa. "Dá para ter uma boa remuneração, mas é um longo caminho até atingir e realizar grandes negócios com frequência", afirma. Uma dica, segundo ele, é ter estudo, dedicação e força de vontade. (LM)