A fofoca se internacionalizou, brinca atrizÍcone de fechar Fechar

KELZY ECARD

A fofoca se internacionalizou, brinca atriz


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Kelzy Ecard imagina que a fama de fofoqueira de Genu em 'Éramos Seis' pode grudar nela. No entanto, na vida real, a intérprete da vizinha e amiga de Lola (Gloria Pires) na novela das 18h da Globo relata que sequer se lembra das histórias que contam para ela e pedem segredo. Se a esposa de Virgulino (Kiko Mascarenhas) cuida da vida alheia, a atriz defende que nunca é por mal, mas, sim, um passatempo.

Na entrevista a seguir, a atriz de 54 anos comenta a respeito da língua solta de Genu; diz o que a inspirou para fazer a personagem e o que mudou das fofoqueiras dos anos 1920 para as atuais. Além disso, Kelzy, que tem uma extensa carreira no teatro, fala o que acha sobre o tempo que demorou para se destacar na televisão e ganhar reconhecimento, algo que veio com a Nice de 'Segundo Sol' (2018). Ela ainda revela como conheceu o ator Armando Babaioff, que a levou para a peça 'Tom na Fazenda' e, dessa forma, abriu portas para ela no audiovisual. Afinal, foi por conta de sua interpretação no palco que recebeu o convite para a novela das 21h.

Como você analisa a dona Genu, de 'Éramos Seis'?

Kelzy Ecard - Ela fica o dia inteiro de olho no que está acontecendo na vizinhança, mas não é maledicente. Não comenta com ninguém, não passa a informação adiante. É como se fosse a novela que ela assiste. Na época, não tinha rádio, então é uma dona de casa que cuida da vida dos outros.

Você se inspirou em alguém para compor a Genu?

Kelzy - Pesquisei fofoqueiras e vi personagens maravilhosos. Tem uma coisa que é o meu modo de composição: estudo, mas tem muita coisa na personagem do que eu observo sempre. Ator faz um recorte da realidade um pouco diferente dos outros. Conheci muitas dessas mulheres. Por exemplo, uma prima da minha mãe era tão fofoqueira que inventou um termo com o nome dela que significava fofoca. Não digo como ela se chama, porque posso contar a história, mas não entrego o santo!

Fofoca é algo que existia em 1920, 1930, 1940 e continua até hoje. Para você, o que mudou de lá pra cá?

Kelzy - Se internacionalizou, porque você está aqui e sabe das fofocas do outro lado do mundo. Eu tenho uma história curiosa para contar. Na cidade onde moram os meus pais, deu um problema quando surgiu o Facebook. Lá é uma cidade muito pequena, com 14 mil habitantes, mas não vou entregar o nome do município. Quando essa rede social chegou lá, foi complicado. Aquilo que era falado do outro, na intimidade, passou a ser explanado para todos. Então, as pessoas deixaram de se falar. Teve um tempo até para se adaptar à nova modalidade de fofoca.

E como você é quando contam alguma fofoca?

Kelzy - Quando alguém me conta alguma coisa e pede para, pelo amor de Deus, não dizer a ninguém, eu esqueço. Os meus amigos mais antigos percebem isso com clareza. Tem uma que, toda vez que fala "se lembra daquela vez", eu pergunto "que vez?". E, aí, ela tem de me falar a história de novo, porque realmente esqueço.

Em 2018, 'Segundo Sol' foi um momento marcante na sua carreira. A Nice repercute até hoje?

Kelzy - Nice foi a minha primeira personagem de uma novela inteira. Antes, eu só tinha feito participações. Até hoje, ainda tem gente que me reconhece e recebo mensagens. Outro dia, respondi a uma mulher que falou o quanto foi importante ter visto aquela história, porque muita coisa foi modificada no seu dia a dia. Afinal, ela aprendeu a identificar a situação de abuso que passava. Essa pessoa não tinha sequer percebido. Olha só a responsabilidade que, às vezes, a gente tem e nem sabe! O que acontece muito é que as pessoas acham que me conhecem de algum lugar e não sabem de onde. Caixa de banco pensa que me atendeu na semana passada, motorista de táxi fala que já me levou antes ou então perguntam em que escola estudei.

Você acha que demorou a ter reconhecimento na televisão?

Kelzy - Eu acho que as coisas têm o seu tempo. No meu caso, foi no momento certo. Até alguns anos atrás, não teria maturidade, porque sua vida fica muito exposta, por mais que você não queira ou seja uma pessoa reservada. No início da carreira, eu não queria fazer TV. Hoje, estou absolutamente apaixonada pela televisão.