Rapper flerta com diferentes ritmosÍcone de fechar Fechar

RINCON SAPIÊNCIA

Rapper flerta com diferentes ritmos


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18
Brasília

Os últimos dois anos foram concorridos para Rincon Sapiência. O rapper paulistano lançou "Galanga Livre" em 2017, seu primeiro disco, que na verdade coroava uma carreira de 15 anos no underground do rap nacional. O álbum trouxe adoração do público, crescimento da sua plataforma e consagração crítica. Dois anos depois, o músico volta a lançar um álbum com "Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps".

Se em "Galanga Livre" Rincon consolidou o seu flow inconfundível em meio a batidas puxadas pelo afrobeat, misturando as percussões de origem africana com o hip hop, o funk e os ritmos brasileiros, com "Mundo Manicongo" ele explora outras regiões sonoras, mas sem perder suas marcas pessoais.

O disco é encharcado por uma produção eletrônica que vai do grime (ritmo de graves profundos criado na Inglaterra) ao minimalismo do funk brasileiro, mas também dialoga com o pagode baiano (representado no disco pela banda Attooxxa) e com os "afroreps" do título. Aqui, porém, as percussões aparecem mais sintetizadas do que antes. "Pegada funk, tipo Guimê / Mas o meu tambor vem da Guiné", diz em "Meu Ritmo", uma espécie de música-ensaio, que pensa sobre a própria produção.

"O lance da música contemporânea é rápido", diz Rincon à reportagem, numa casa na zona oeste de São Paulo, após um ensaio. "Como eu sou muito minucioso no que faço, e reluto para não cair em redundâncias, para mim foi desafiador, e eu precisava de um tempo. Não queria fazer o mesmo. Precisava explorar coisas minhas, sem ser forçado, e que eu ainda não explorei com todo o potencial. O eletrônico e a dança apareceram muito fácil, porque é o contemporâneo: os recursos de tecnologia, de teclados e softwares, já sugerem esses timbres e linguagens."

O capa do novo disco do rapper paulistano também dá dicas sobre a estética desejada por Rincon em sua nova fase. A colagem do artista visual cearense radicado em São Paulo Flagelado cria uma espécie de HQ surrealista, em que o rapper aparece como um gigante em frente aos prédios da Cohab 1, bairro da Zona Leste de São Paulo onde nasceu e cresceu, e a arte tem a cara de uma viagem psicodélica.

A fusão com a psicodelia aparece em diversos momentos do novo registro de estúdio, especialmente na produção - função que Rincon Sapiência assumiu no novo trabalho com mais protagonismo do que nos seus álbuns anteriores.