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DIA DO SAMBA

Historiador resgata a origem do samba

Palestra com historiador será nesta segunda, às 20h, na Toca do Pererê


    • São José do Rio Preto
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Uma das mais autênticas manifestações culturais do Brasil que migrou do universo marginal para a indústria do entretenimento, o samba será celebrado nesta segunda-feira, 2 de dezembro, com uma sequência de atividades que resgatam sua história e evidenciam o que é considerado um dos mais tradicionais gêneros musicais do País, que em 2019 completa 103 anos.

Na data em que se celebra o Dia Nacional do Samba, a escola de samba Imperatriz Rio-pretense promove a palestra "As Origens e Evolução do Carnaval de Rio Preto", ministrada pelo historiador e colecionador de Rio Preto, Agostinho Brandi. A atividade é gratuita e possui apoio do Prêmio Nelson Seixas. Em seguida, um grupo de sambistas realiza uma apresentação.

"No começo iremos falar sobre os primórdios do Carnaval Rio-pretense. As primeiras notícias que se tem do carnaval são da década de 1910 e as primeiras escolas de samba surgiram no início da década de 30. Depois iremos apresentar a evolução que o Carnaval sofreu até a década de 60. Paralelo a isso, pretendemos falar também sobre as origens e primórdios do samba no Brasil, que se resume ao Rio de Janeiro", explica o historiador. Ele também irá apresentar documentos históricos da cidade, como a fotografia mais antiga do Carnaval - registrada em 1917 e que mostra um grupo de foliões.

Mas não há como falar da origem do samba, sem antes mencionar a primeira composição brasileira do gênero. Se trata da canção "Pelo Telefone", de Ernesto dos Santos, mais conhecido como Donga. De acordo com a Biblioteca Nacional, o registro da composição é de 27 de novembro de 1916.

Estima-se que hoje, em todo o Brasil, existam poucas cópias originais da composição gravada em disco de 78 rotações por minuto (RPM), tecnologia que antecedeu o vinil. Uma delas está muito bem guardada no acervo de Brandi que ainda conserva, inclusive, seu encarte original.

"Naquela época o samba era marginalizado, não tinha popularidade e a tiragem de 'Pelo Telefone' foi pequena, por isso é considerada rara. Um tesouro como esse não se procura, tem que ter sorte e às vezes ele cai na sua mão", destacou Brandi. O historiador também irá abordar as questões sociais que rodeavam o samba durante seu início, gênero considerado subversivo e marginalizado.

A palestra sobre a origem do Carnaval Rio-pretense e sobre o surgimento do samba será realizada na Toca do Pererê, no bairro Vila Aurora, das 20h às 22h. Em seguida, os participantes poderão conferir o samba-enredo da Imperatriz Rio-pretense.

De acordo com o fundador e presidente da Imperatriz, Sérgio Parada, o auxílio do edital Nelson Seixas possibilitou que a escola pudesse se aproximar ainda mais da comunidade. "Quando falamos em samba, falamos da nossa própria herança cultural. Acredito que essa é a primeira vez que uma escola realiza um projeto que aborda a história dessa extensão cultural do povo brasileiro". Ele também irá realizar uma palestra para abordar o cenário atual das escolas de samba de Rio Preto. 

Em novembro a Imperatriz já havia realizado uma oficina de Maculelê, Capoeira e Samba de Roda, comandado pelo Mestre Manteiga, Cleber Flores Batista.

Parada defende que as discussões e debates sobre o samba e o Carnaval não devem ficar restritos apenas ao período de festas e lembra de um trecho da música do cantor e compositor Jorge Aragão para explicar a importância do tema. "Sempre digo; 'respeite quem pode chegar aonde a gente chegou'. Para saber o que isso significa, precisamos conhecer a história do samba, que significa resistência. O que antes era perseguido, hoje é considerado como lazer. Temos que falar da nossa herança cultural que foi fundamental para moldar nossa própria identidade quanto brasileiros", finaliza.

Serviço

  • Palestra: As Origens e Evolução do Carnaval de Rio Preto, com Agostinho Brandi e Sérgio Parada. Toca do Pererê, no bairro Vila Aurora, das 20h às 22h. Entrada gratuita