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Cantora Ananda lança seu primeiro registro de estúdio

Artista que defende a bandeira do que é produzido pela cena independente na atualidade, cantora Ananda, lança, ao lado de sua banda, seu primeiro registro de estúdio


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

A jovem Ananda Volpi Borghi ainda traz na memória os momentos de sua infância em que cantarolava músicas de Sandy e Júnior na rua com o intuito de ser ouvida por algum "caça-talentos" que a transformasse em uma cantora de verdade. O "caça-talentos" não pintou em seu caminho, mas nem por isso ela deixou de investir na carreira musical. No entanto, não foi cantando Sandy e Júnior que conseguiu cravar seu nome na cena noturna de Rio Preto, onde é conhecida pela interpretação dos sucessos do grupo norte-americano Paramore, que se despontava no repertório de covers da Rádio Acústica, banda da qual é a vocalista.

Fundada por Ananda, seu namorado, o baixista Gabriel Bonutti, e pelos amigos Victor Ciacareli (bateria), Victor Murad e Dré Guines (guitarra), a Rádio Acústica trocou de nome há pouco mais de um ano. Agora, leva o nome da própria cantora, assim como o seu primeiro registro de estúdio, que será lançado oficialmente neste domingo, 1º, em show no pub Vila Dionísio.

Contemplado na última edição do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura, "Ananda", o disco, representa a primeira investida da cantora e seus asseclas em um repertório 100% autoral. Ou seja, trata-se da primeira ação para eliminar Paramore como referência e projetar uma identidade musical própria.

Produzido sob o signo do coletivo, o primeiro álbum reúne nove canções, cujas letras foram criadas pela cantora e seu namorado. "Quando era criança, tinha um caderno repleto de letras de música. Mas acabei o deixando de lado com o passar do tempo. Foi então que, no ano passado, meu namorado propôs que começássemos a criar coisas autorais. A gente se reunia pelo menos uma vez por semana para se dedicar a isso. Chegamos a nove músicas, só com voz e violão mesmo, sem nenhuma ideia de arranjo. Foi então que resolvemos arriscar inscrevendo no Prêmio Nelson Seixas. Ainda lembro do dia em que ficamos sabendo do resultado. A gente estava ensaiando. Eu chorei muito com a notícia", conta a cantora em entrevista ao Diário da Região.

Apesar do rock ser a principal referência da banda, Ananda diz que é difícil definir o estilo de seu primeiro registro de estúdio - o que, de certa forma, não é algo ruim. "São canções que vão agradar quem gosta de blues, de pop ou de sertanejo. É um som que dialoga com o que é produzido pela cena independente brasileira na atualidade."

Aliás, Ananda é daquelas que defende a bandeira do atual, do novo, e isso desde os tempos em que sua banda ainda se chamava Rádio Acústica. "Acho que Paramore é a coisa, digamos, mais antiga que a gente canta. Mesmo fazer covers, a gente sempre teve o foco no que é produzido atualmente", sinaliza. "Tem muita coisa boa sendo produzida na atualidade, dentro e fora do Brasil, mas grande parte das pessoas não tem curiosidade em ouvir. O povo fala que não tem nada de bom pra se ouvir atualmente, mas se ficar só pedindo Bon Jovi para o cantor do barzinho, não vai conseguir sair do passado", alfineta.

Música para todos

O projeto que resultou no lançamento do disco foi marcado por outras ações, pelas quais Ananda pode confirmar o poder transformador que a música tem. As canções autorais foram apresentadas em pequenos shows feitos em praças públicas de Rio Preto, mais precisamente nos bairros São Deocleciano, Maria Lúcia e Setorial. Da interação com o público, foram retirados alguns registros sonoros para o disco, como o coro de palmas que acompanha uma das faixas.

"Nosso último show foi feito na Apae. Foi quando confirmamos como as pessoas precisam da música. O envolvimento das crianças, com suas perguntas curiosas, é algo incrível. Acredito que, a partir desse contato, pudemos despertar o gosto pela música em muitas delas."

Para dar vida ao álbum, Ananda e sua banda convocaram inúmeros nomes que movimentam a cena local, transformando sua produção em uma verdadeira celebração em torno da música "made in Rio Preto". Três faixas - "O Barco", "Nós" e "Sem Você - contam com a participação do saxofonista e tecladista Victor Hugo, o primeiro a acompanhar Ananda em uma apresentação musical. O time de guitarras foi reforçado por Fernando Poiana (em "Nós") e Lucas Rocha (em "Sem Você).

Uma variedade de cantores e cantoras da cidade também emprestaram suas vozes para o disco, dando até um clima "We Are The World" no registro de estúdio. Participaram Bruno Britto, Ariadne Vocci, Adriano Amêndola, Weverson Miguel, Zeca Barreto, Bruna Venâncio, André Cabral e Léo Caldeira. Todo o trabalho de produção foi feito no estúdio Prime Mídia, comandado por Heitor Alves. "Não faria sentido produzir um disco que recebeu recursos de um fomento local com nomes de fora. Temos que ajudar a fortalecer a nossa cena", pontua Ananda.

As canções devem chegar às plataformas de streaming até o final do mês, e a banda já está com a mente voltada no próximo projeto autoral. "O trabalho autoral pede essa constância, até porque a forma de se consumir música mudou muito nos dias de hoje. Antes, a gente esperava dois, três anos pelo lançamento de um disco. Hoje, colocamos o Spotify no aleatório e tem coisas quem ouvimos direito. Tudo se renova muito rapidamente."

Serviço

  • Lançamento do álbum 'Ananda', de Ananda. Domingo, 1º de dezembro, às 21h. Vila Dionísio (Av. Bady Bassitt, 3961). Ingresso: R$ 10