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POEMAS

Diarista realiza sonho de publicar um livro

Elaine Muniz começou escrevendo cartas de amor a pedido das amigas


    • São José do Rio Preto
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Quando a internet ainda era uma distante realidade, o recurso usado por muitos jovens apaixonados para demonstrarem seus sentimentos de afeto e carinho pela pessoa amada era por meio de cartas. Com o uso da caneta e papel, mensagens escritas à mão eram capazes de canalizar o romantismo e alimentar paixões. 

Essa era uma das especialidades da diarista Elaine Marques Muniz, de 46 anos, que quando adolescente era constantemente incumbida de escrever cartas românticas para os paqueras das amigas e irmãs, em nome delas. A habilidade de se expressar por meio da escrita era fundamental para uma adolescente que, apesar de tímida, sempre acreditou no amor verdadeiro.

A experiência de observar e tentar compreender a dinâmica das paixões deu origem ao seu primeiro livro de poemas "Amar é Nunca Ter que Pedir Perdão", publicado de forma independente. A obra construída em forma de poesia narrativa conta a história de um casal de namorados que enfrentou todo tipo de preconceito para vencer no amor.

A necessidade de utilizar o papel como forma de expressar os próprios sentimentos passou a surgir em 1986 quando seu pai faleceu. "A tristeza foi um dos motivos que me fizeram começar a escrever. Para mim era uma terapia, eu vivia uma forma de transe de sofrimento e não conseguia colocar para fora, então eu resolvi escrever", conta. No entanto, a escritora lamenta não ter guardado os cadernos com as histórias que criava durante a fase de adolescência.

Foi observando um casal de conhecidos que ela teve inspiração para desenvolver seu primeiro projeto. De perto, ela acompanhou os desafios que o casal enfrentava para poder ficar junto apesar das barreiras impostas, principalmente devido à diferença de idades. 

De acordo com a autora, o livro começou a ser escrito em 2002 e ficou pronto pouco tempo depois. Apesar dos recursos tecnológicos já estarem disponíveis na época, foi com o auxílio do papel e caneta que as histórias começavam a ganhar seus traços. No entanto, a narrativa permaneceu engavetada desde então. "No fundo eu tinha medo do que as pessoas poderiam pensar e não ser bem recebido. Porque existe muito preconceito, ainda mais com mulher, negra, pobre, diarista e sem muito estudo", conta.

Em busca de melhores oportunidades de emprego, Elaine ficou determinada a terminar os estudos. Há alguns anos, por meio do EJA (Educação de Jovens e Adultos) ela conquistou o diploma de Ensino Médio. Foi também durante este período que ela encontrou motivação para dar sequência a seu projeto.

"Percebi como estava perdendo minha oportunidade. Comecei a falar para mim mesma: 'sou nova, sou inteligente, estou perdendo tempo. Tenho que mostrar para as pessoas o que eu sou capaz de fazer'. Também era a vontade de mostrar para outras diaristas, como eu, que todas temos capacidade", destacou.

"Amar é Nunca Ter que Pedir Perdão" também é o título de um dos poemas que integram a obra. Falar sobre amor é uma das maiores vontades da escritora, que apesar de não ter passado por um bom relacionamento, ainda acredita no amor sincero. "Como mãe de dois filhos [Júlia, de 14, e Leonardo, de 12 anos] você sabe o que é amor de verdade. Porque quando você ama, você faz de tudo para não machucar a outra pessoa e assim não ter que pedir perdão", conta.

O casamento de seis anos terminou depois de episódios marcados por agressões físicas e verbais. Mas apesar das desilusões, garante que nunca deixou de acreditar no amor verdadeiro. "Acredito, que acima de tudo, nós temos que nos amar primeiro", defende.

Determinada a transformar o sonho em realidade, buscou patrocínio e auxílio de editoras, mas não encontrou ajuda. "Sempre ouvia das pessoas como era difícil e caro, de que não daria muito certo. As editoras que procurei exigiam um mínimo de cem exemplares para impressão e infelizmente não tinha dinheiro suficiente para isso", lembra.

Mas nem tudo estava perdido. Empenhada em não deixar o sonho morrer, ela procurou uma gráfica com uma pasta abarrotada de papéis e rascunhos amarelados, alguns escritos à mão, outros datilografados, mas que, apesar da falta de uniformidade, construíam uma narrativa. "Quando cheguei lá, o funcionário olhou para mim, olhou para a pasta e disse 'vamos dar um jeito, a gente vai fazer alguns exemplares, você vai mostrar para as pessoas e eu tenho certeza de que eles vão gostar'". Esse foi o incentivo que faltava para que Elaine entendesse que precisava concluir seu sonho.

Foram trinta cópias impressas, vinte foram vendidas para amigos e conhecidos. Agora, Elaine já começou a trabalhar em outro projeto. Um romance que também evidencia uma história de amor, que, segunda ela, sempre merece ter espaço. "O amor está aí para quem quer, basta buscá-lo", finaliza. Quem tiver interesse em adquirir uma cópia do livro "Amar é Nunca Ter que Pedir Perdão" pode entrar em contato com a escritora por meio do e-mail ([email protected]), ou pelo telefone (17) 92000-4336.