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DOIS EXTREMOS

Rio Preto lidera ranking macabro de crimes sexuais

Proporcionalmente, Rio Preto é a cidade com menos casos de roubos entre as 15 maiores do Estado. O município, porém, é líder no ranking de estupro - são 28,87 ocorrências a cada cem mil habitantes


    • São José do Rio Preto
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Rio Preto está nos extremos em ao menos dois quesitos da segurança pública. De um lado, é a cidade que menos registra roubos, proporcionalmente, entre as 15 maiores cidades do Estado. Do outro, é o município que mais tem casos de estupro denunciados. Os números são dos nove primeiros meses deste ano, com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 133 estupros em Rio Preto - cem deles contra vulneráveis e 33 contra vítimas maiores de 18 anos. O total de casos representa 28,87 ocorrências a cada 100 mil habitantes - a segunda colocada no ranking é Sorocaba, com 21,2 casos por 100 mil habitantes. Enquanto isso, no mesmo período, a cidade registrou 661 roubos, 143,49 a cada 100 mil pessoas.

Na noite desta terça-feira, 26, uma estudante de 13 anos foi atacada por um homem quando retornava das aulas de uma escola no bairro Santo Antônio. Segundo informações da polícia, sob ameaça de morte, a adolescente foi arrastada pelo agressor até um terreno baldio. Durante o estupro, o agressor tampou a boca da vítima com uma das mãos. Depois da violência sexual, ele abandonou a jovem no chão e fugiu a pé.

Segundo relato à polícia, a jovem chegou em casa sem coragem para contar o que tinha acontecido. Quando a mãe questionou o motivo do silêncio da filha, a jovem chorou e revelou que tinha sido estuprada no caminho de volta para casa. A adolescente foi socorrida pela Polícia Militar e encaminhada para o Hospital da Criança e Maternidade (HCM). Ela passou por exame de corpo de delito. As informações foram repassadas para o Instituto Médico Legal (IML) de Rio Preto.

O delegado de plantão na Central de Flagrantes, Jonathan Marcondes, esteve no hospital para colher informações sobre o ataque. A calça da jovem foi recolhida, para que seja submetida a análise em que o objetivo é encontrar material biológico do estuprador. O caso será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, o coronel Paulo Sergio Martins afirma que por trás do aumento da quantidade de estupros está o crescimento de violência sexual dentro dos lares. "De acordo com nosso levantamento, a maior parte dos estupros ocorre dentro das residências, situação que é de difícil ação preventiva por parte da polícia. Os autores geralmente são parentes ou pessoas de confiança da vítima", comenta o oficial.

Segundo Martins, casos como o estupro da estudante do Santo Antônio, quando as vítimas são atacadas nas ruas por um estranho, acontecem com menor frequência. "Assim que fomos acionados, pegamos com a vítima as características físicas do estuprador e reforçamos o patrulhamento na região, com objetivo de prendê-lo. Sabemos o quanto crimes sexuais afetam a comunidade e vamos fazer tudo para garantir a segurança, principalmente das mulheres", afirma o coronel.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Medidas de segurança

A presidente do Conselho Municipal de Direito das Mulheres de Rio Preto, Sônia Paz, diz que é necessário adoção de uma série de medidas por setores governamentais e da iniciativa privada para aumentar a segurança das mulheres contra estupros. "Uma das primeiras providências é investir na melhor iluminação pública, para evitar que estudantes e mulheres que vêm do trabalho sejam atacadas em ruas escuras dos bairros", afirma.

Sônia também diz que é preciso que as mulheres exijam dos motoristas de ônibus que o desembarque seja o mais próximo possível de suas residências, conforme determina lei municipal. "Nós do conselho municipal das mulheres vamos propor que seja elaborado um mapa dos casos de violência sexual em Rio Preto. Com base neste levantamento dá para a gente planejar ações preventivas e de segurança para as vítimas."

A presidente Sônia acha necessário que, a longo prazo, exista investimento na rede municipal privada e pública de Rio Preto para incentivar os estudantes, principalmente os meninos, a respeitarem as mulheres, para que isso reflita no futuro em queda consistente dos casos de violência sexual.

Roubos

O número de roubos caiu em Rio Preto. Neste ano, ocorrem em média 73 assaltos na cidade por mês. No ano passado, eram 88 casos mensais - dados incluem roubos de veículos. "A queda de roubos a gente conseguiu depois de mapear os casos e redirecionar as viaturas para os locais de maiores índices, além de focar no patrulhamento preventivo", diz o coronel.

Outros crimes

Rio Preto também é líder entre as 15 maiores cidades em casos de furto. Foram 5.671 neste ano - 1.231,03 ocorrências a cada cem mil habitantes. Em homicídios, o município ocupa posição intermediária: são 3,91 casos a cada cem mil pessoas.

Para a secretária da Mulher, Maureen Leão Cury, o aumento de registros de estupros é decorrente do trabalho da pasta, em parceria com a Secretaria de Saúde, para registrar todos os casos de violência sexual.

"O que nós entendemos aqui na Secretaria é que os registros de casos de violência têm porque Rio Preto tem um alto índice de notificações. Nós nos empenhamos muito com a Saúde, Polícia Militar e instituições da cidade, para que todas as notificações sejam registradas", diz.

Maureen diz que desde 2001, quando foi criada a Coordenadoria da Mulher, a Casa Abrigo, em 2003, e anos depois a Secretaria Municipal da Mulher, a Prefeitura se empenhou em aumentar a conscientização das mulheres. "Rio Preto tem 18 anos de tradição de políticas em favor das mulheres, o que não temos vistos em outras cidades do País", afirma.

A secretária diz que, ao longo do ano, a pasta tem feito atividades de conscientização dos homens sobre a violência contra as mulheres e, ao mesmo tempo, tem traçado ações, como a Patrulha da Maria da Penha, que será realizada pela Guarda Civil Municipal, como forma de proteger as vítimas. (MAS)