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Cirurgia Estética

Dentista afirma ter acionado o Samu

Secretaria de Saúde nega ter recebido chamada de urgência


    • São José do Rio Preto
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Em depoimento à Polícia Civil, a dentista Ana Carolina Falcão Mendes disse que ligou para o Samu para pedir uma ambulância assim que a tia, Silmara Regina Rodrigues, começou a ter convulsão após complicação durante uma cirurgia estética de redução da papada. A Secretaria de Saúde, porém, nega ter recebido solicitação vinda do endereço do consultório odontológico onde era realizado o procedimento.

Silmara ficou 11 dias internada no Hospital de Base de Rio Preto e morreu no dia 19 de outubro. Após o caso, o consultório odontológico foi alvo de um auto de infração da Vigilância Sanitária - segundo o órgão, a clínica da Vila Santo Antônio não tinha licença para atividade "estética ou médica com procedimento cirúrgico".

Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil para investigar o caso. Na última quarta-feira, 6, a dentista prestou depoimento ao delegado Luciano Birolli, no 1º Distrito Policial.

"Não consta no sistema Empro Samu registro de chamado para o endereço citado", informou em nota a Secretaria de Saúde.

Durante o depoimento, a dentista revelou também que fez testes de alergia antes de aplicar anestesia, que teriam dado negativo. Após a aplicação do anestésico, ela passou mal e começou a convulsionar na sala de atendimento.

Birolli afirma que a dentista ficou emocionada e chegou a chorar durante o depoimento. "Ela falou que fez curso para se capacitar para a realização de cirurgia de redução de papada e até já tinha feito o procedimento antes em outras pacientes", diz o delegado.

Segundo Birolli, a dentista disse que primeiro Silmara comentou que sentiu tontura. Para aliviar a sensação, a dentista mexeu na cadeira, para elevar as pernas da paciente, que no primeiro momento disse que a tontura passou. "A dentista afirma que após fazer uma micro incisão abaixo do queixo, para iniciar os procedimentos da redução de papada, ela voltou a passar mal e convulsionou. Ela chegou a morder a língua e sangrar. A dentista afirma que imediatamente solicitou socorro por telefone do Samu, mas o pedido não foi atendido por falta de ambulância naquele momento", diz o delegado.

Ana Carolina diz ter solicitado apoio de parentes de Silmara. A família resolveu ir de carro até o pronto-socorro mais próximo. No caminho, pediu ajuda numa clínica, por conta da queda brusca de batimento cardíaco da paciente. "Segundo o relato da depoente, dois médicos da clínica fizeram os primeiros socorros. Um tempo depois vieram os bombeiros, que após estabilizarem os sinais vitais da paciente, a colocaram em uma ambulância e a levaram até o Hospital de Base", diz o delegado.

Durante o tempo internada, Silmara passou por uma cirurgia na língua, que ficou machucada na convulsão.

Birolli está à espera das imagens das câmeras de monitoramento do consultório dentário e do laudo necroscópico de Silmara. Também vai ser agendado nos próximos dias o depoimento dos dois médicos da clínica que prestaram os primeiros socorros. "Também quero interrogar um vizinho da clínica odontológica, que teria ajudado a carregar a Silmara até o carro. É importante saber o que ele viu. Vou solicitar a ficha médica e de atendimento da paciente, durante todo este tempo em que ela esteve internada no HB, para saber como foi a evolução de seu quadro de saúde", diz o delegado.

O delegado mandou oficio para os conselhos regionais de odontologia e de medicina para verificar se a cirurgia de papada é um procedimento que pode ser realizado por dentista.