Unidade de ensino de Cedral tem cinco pares de irmãos gêmeosÍcone de fechar Fechar
    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Beatriz e Raquel, Bianca e Brenda, Maria Eduarda e Ana Julia, César e Vitor, Ruan e Kawan. Quem chega à Escola Municipal Professora Lúcia Novais Brandão, em Cedral, fica confuso. A sensação é de ver alunos em dobro no 9º ano do ensino fundamental. Mas basta um olhar mais atento para perceber que não há ilusão de ótica. Cinco estudantes têm, realmente, "cópias" idênticas. A escola tem cinco pares de gêmeos.

A situação é inusitada e difícil de ocorrer, basta analisar as estatísticas. Segundo o IBGE, a chance de uma gravidez múltipla é de 1,8% em relação ao total de partos. Ou seja, a possibilidade de uma mulher engravidar naturalmente de dois bebês, ou mais, de uma só vez é de 1 para cada 80 gestações.

"As gestações gemelares não são comuns", comentou a geneticista da Famerp, Eny Maria Goloni Bertollo. "No entanto, atualmente a gente tem um pouco mais de gestação gemelar, em função de pais que fazem fertilização in vitro ou tomam hormônios para tentar engravidar."

Mas o que acontece com a pequena cidade, que tem 9.237 habitantes? Seria uma máquina de cópia humana ou algo presente na água? A resposta é um "não" duplo. Todos os dez irmãos, com idades de 14 a 16 anos, vieram de outras cidades com as famílias.

A situação é inédita até para os estudantes gêmeos, que se acostumaram a ser exceções nas escolas por onde passaram. "Ficamos surpresas quando descobrimos", contou Maria Eduarda Pereira Malaquias sobre a presença de outros quatro pares de gêmeos na escola. Ela e a irmã, Ana Julia, eram de Nova Granada e chegaram a Cedral em março de 2018.

As últimas a chegarem à escola foram Raquel e Beatriz Pereira Nita da Silva, 15 anos, em outubro deste ano. Recém-chegadas do Guarujá, elas contam que acharam que seriam as únicas. "Quando entramos em alguma escola, somos as únicas gêmeas", diz Raquel, que está em sala separada da irmã, já que não havia duas vagas na mesma classe.

Quem também vive esse "distanciamento" é a dupla de irmãos César e Vitor Nascimento dos Santos, de 16 anos, que chegou há três meses na escola. Eles acham que é questão de tempo para que os professores e amigos saibam diferenciá-los. Enquanto isso, estão sujeitos a confusões, como um tomar bronca no lugar do outro, situação que ocorreu quando moravam em Araraquara.

"Uma vez pedi para a professora para ir ao banheiro. E a professora do meu irmão tinha saído para ir ao banheiro também. Quando ela me encontrou no meio do corredor, me deu uma bronca mandando voltar para sala, achando que eu era meu irmão", lembrou César.

As primeiras gêmeas a chegarem à escola foram Brenda e Bianca Cardoso de Castro, 15 anos. Elas vieram de São Paulo há quatro anos e, mesmo assim, os professores ainda se confundem. "Eles ficam tentando descobrir quem é quem, mas acabam confundindo", diz Bianca.

As duas estão na mesma sala, situação igual à dos irmãos Ruan e Kawan Vieira de Souza, 15 anos, que vieram com a família de Alagoas para Cedral. Mas estudar na mesma classe do irmão também tem seus problemas, conta Ruan. "Teve uma vez na sala que acertei uma pergunta feita pelo o professor, na hora de elogiar me chamou pelo nome do meu irmão".

Os professores também ficam confusos e acham curiosa a situação. Olga Regina Marchetti Buosi, que dá aulas de inglês, e Fernando Morelato, de geografia, foram os primeiros a perceber o caso raro. Sou professora há 30 anos e nunca tinha visto isso antes, nem mesmo dois casos, que dirá cinco", relatou a professora de inglês.

Ao perceber a coincidência, o professor de geografia comentou em sala de aula sobre a curiosidade. "Os alunos estão estudando conceitos demográficos, conceitos sobre população, onde entra população total, porcentagem de homens e mulheres, quem mora em área urbana e área rural. Entre esses aspectos, citei a curiosidade sobre o grande números de gêmeos na escola."

(Colaborou Luciano Ramos)

Bianca Cardoso de Castro e Brenda Cardoso de Castro

  • 15 anos
  • Vieram de São Paulo há quatro anos

Maria Eduarda Pereira Malaquias e Ana Julia Pereira Malaquias

  • 14 anos
  • Vieram de Nova Granada em março de 2018

Ruan Vieira de Souza e Kawan Vieira de Souza

  • 15 anos
  • Vieram de Coruripe, em Alagoas, em novembro de 2018

César Nascimento dos Santos e Vitor Nascimento dos Santos

  • 16 anos
  • Vieram de Araraquara há 3 meses

Raquel Pereira Nita da Silva e Beatriz Pereira Nita da Silva

  • 15 anos
  • Vieram do Guarujá em 16 de outubro de 2019