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    • São José do Rio Preto

      23/11/2019

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23/11/2019 - 14h12min

SATÉLITE

Nasa vê amazônia mais seca e vulnerável

O trabalho considerou dados coletados em solo e por imagens de satélite para determinar o déficit de pressão de vapor (VPD)

O aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, aliado à alta concentração de gases de efeito estufa, está tornando a atmosfera sobre a floresta tropical mais seca, aumentando a demanda por água e deixando os ecossistemas mais vulneráveis a queimadas e à seca. As condições, previstas por cientistas para acontecer talvez em algumas décadas, já estão ocorrendo agora. É o que revela um novo estudo feito pela agência espacial americana, a Nasa.

O trabalho considerou dados coletados em solo e por imagens de satélite para determinar o déficit de pressão de vapor (VPD). Com isso, especialistas conseguiram rastrear a quantidade de umidade na atmosfera e quanto dela é necessário para manter os ciclos da floresta.

"Nós observamos que nas últimas duas décadas houve um aumento significativo na secura na atmosfera, bem como na demanda atmosférica por água acima da floresta", afirmou Armineh Barkhordarian, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em comunicado à imprensa.

"Ao comparar essa tendência com dados de modelos que estimam a variabilidade climática ao longo de milhares de anos, determinamos que a mudança na aridez atmosférica está muito além do que seria esperado da variabilidade climática natural", complementou a autora principal do trabalho publicado na revista Scientific Reports, da Nature.

Para os pesquisadores, a elevada concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é responsável por cerca de metade dessa aridez. A outra parte estaria ligada às queimadas para limpeza do terreno para pecuária e agricultura. A combinação de tudo isso estaria aquecendo a Amazônia.

O trabalho apontou que o processo mais significativo e sistemático de ressecamento da atmosfera ocorre na região sudeste da Amazônia, por onde se espalha o chamado Arco do Desmatamento - justamente onde ocorre a maior parte do desmate e expansão agrícola.

Também foram observadas secagens episódicas no noroeste da Amazônia. A área, que normalmente não tem estação seca, sofreu secas severas nas últimas duas décadas. Para os autores, isso traz uma indicação adicional da vulnerabilidade de toda a floresta ao aumento de temperatura e ar seco.

Questão de oferta

"É uma questão de oferta e demanda. Com o aumento da temperatura e a secagem do ar acima das árvores, elas precisam transpirar para se resfriar e adicionar mais vapor de água na atmosfera. Mas o solo não tem água extra para as árvores puxarem", explicou Sassan Saatchi, também pesquisador do JPL. "Nosso estudo mostra que a demanda está aumentando, a oferta está diminuindo e, se isso continuar, a floresta poderá não ser mais capaz de se sustentar."

As condições mais áridas tornam os incêndios mais prováveis, secando ainda mais a floresta. Se essa tendência continuar a longo prazo e a floresta deixar de funcionar adequadamente, muitas outras árvores vão morrer. Quanto maiores e mais antigas, mais elas vão liberar CO2 na atmosfera, ao mesmo tempo em que, com menos árvores, a floresta vai absorver menos CO2, piorando as mudanças climáticas.

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