Estudantes dizem o que acharam do primeiro domingo do EnemÍcone de fechar Fechar

METADE DA MARATONA

Estudantes dizem o que acharam do primeiro domingo do Enem

Já pensando na prova do próximo domingo, 10, alunos discutem o tema da redação e as questões do primeiro dia do Enem. Interpretação de texto foi bastante exigida durante o exame


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Foram cinco horas e meia de muito esforço, leitura e interpretação de texto. Isso é o que grande parte dos alunos destacou sobre a primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste domingo, dia 3. E o começo desta semana foi usado para discutir a primeira prova e já pensar na segunda, no próximo domingo, dia 10 - quando acontece a última fase da "maratona", com as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática.

Nesta segunda, 4, um dos assuntos mais recorrentes nas rodas de conversas entre os estudantes era o tema da redação: "Democratização do acesso ao cinema no Brasil". O assunto surpreendeu os participantes da prova.

"O tema foi inusitado, mas relevante. Parece uma coisa simples, mas nem todos têm acesso ao cinema. A dificuldade que encontrei na construção do texto foi na relação do repertório sociocultural e na parte de reconhecer como poderíamos mudar isso", afirmou Lalesca Oliveira Souza, de 21 anos, que pretende ingressar em curso de Medicina.

Paloma Victória de Oliveira, de 19 anos, que também sonha em ser médica, conta que, além da surpresa com o tema, procurou tomar cuidado na criticidade textual. "Teve muita coisa que ia colocar na redação que deixei de colocar, porque eu pensei que poderia acarretar em prejuízo para mim, nessa questão ideológica", disse a aluna, sobre a primeira prova após a mudança de governo.

Segundo a professora de redação do Colégio Intelectus de Rio Preto, Carla Patrícia Felício, mesmo sendo um tema pouco esperado, ele fazia com que as pessoas pensassem sobre a importância da arte e da cultura na sociedade brasileira. "O que talvez tenha dado margem para alguma dificuldade deles, porque pouco se fala da importância da arte e da cultura e especificamente sobre o cinema."

Além disso, segundo a professora, o aluno deveria ter percebido como consequência que a não democratização promove uma exclusão social. "Na proposta, o aluno poderia ir por duas vertentes. Primeiro, que há uma certa responsabilidade do Estado, que não garante esse acesso de maneira homogênea. E uma outra vertente é uma questão cultural, se há uma desvalorização dos espaços culturais do País", apontou.

Para o professor e crítico de cinema Felipe Boso Brida, o tema foi surpreendente na atual conjuntura política. "Achei um tema bem válido e interessante. É meio que inusitado no atual governo. Acredito que tenha sido algo como uma resposta do governo ao que eles acabaram fazendo e falando sobre a Lei Rouanet. As críticas e ataques à lei", disse.

Para Carla, muitos alunos podem ter "escapado" do tema, o que diminui a nota. "Eu acho que esse tema é difícil de fugir, mas é mais fácil, sim, de tangenciar. Quando, por exemplo, o aluno fala só sobre da democratização do aspecto da arte e não entra no aspecto cinema. Isso provavelmente deve ter ocorrido com grande frequência", indicou.

Provas

O professor de língua portuguesa Nathanael Neto considerou o caderno de Linguagens, Códigos e Tecnologias voltado inteiramente à interpretação textual. "A prova do Enem desse ano estava completamente interpretativa, principalmente a de humanas. Isso vai avaliar muito mais a experiência de leitura de cada aluno", falou.

Já o professor de geografia Valdemir Bueno Gigio Camargo acredita que a prova se reaproximou mais das primeiras edições do Enem. "Menos conteudista, mas cobrando do aluno o domínio do conhecimento e a capacidade interpretativa dele", finalizou.

 

Cerca de 3,9 milhões de pessoas fizeram o Enem. Os cerca de 1,2 milhão de faltosos representam 23% do total de 5,1 milhões de inscritos. Ao todo, 376 pessoas foram eliminadas por descumprirem as regras do exame. Em São Paulo, dos 816.016 inscritos, 193.532 (ou 23,7%) não compareceram. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os órgãos não divulgaram dados regionais da abstenção.

"Deu tudo certo, foi tudo perfeito, funcionou tudo bem. Tivemos a mais baixa abstenção da história", avaliou o ministro da Educação, Abraham Weintraub. A taxa é mais baixa que a de faltas no primeiro dia de prova do ano passado, quando 24,9% dos inscritos não compareceram ao exame. O índice total de abstenções no Enem 2019 será fechado apenas após o segundo dia de aplicação, no próximo domingo, 10. Quem não fez a prova neste domingo ainda poderá comparecer ao segundo e último dia do exame.

Minutos após o início do exame, já circulava nas redes sociais a imagem da página com a proposta da redação. O Inep confirmou que a imagem era real, mas disse que o vazamento não prejudicou o andamento do exame. "É importante esclarecer que a divulgação, que ocorreu após o início da aplicação, não prejudicou o andamento do exame. Todos os participantes já tinham passado pelos procedimentos de segurança e estavam nos locais de prova", disse o órgão em nota.

"Os órgãos competentes já foram acionados pelo Inep para identificar a origem e o responsável pela divulgação da imagem", completa. O edital do Enem prevê que, após entrar no local de prova, o candidato não pode usar celular ou qualquer outro eletrônico.

O MEC trabalha com a possibilidade de que o vazamento tenha ocorrido em Pernambuco, segundo o ministro. "Isso aparentemente aconteceu em Pernambuco e a gente já está chegando ao nome da pessoa", disse o ministro em vídeo publicado no Twitter. Segundo ele, o caso está sendo investigado pela Polícia Federal e a suspeita é de que tenha sido um aplicador quem vazou a imagem. Isso porque aparecem na imagem três provas de pessoas que faltaram e apenas aplicadores têm acesso ao caderno de provas de candidatos faltosos. A identificação é possível devido ao código de cada prova.

(Agência Brasil)