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Investigação

PMs envolvidos em mortes são transferidos

Quatro policiais, que integravam o Baep, foram encaminhados para Mirassol


    • São José do Rio Preto
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O comando do 9º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar de Rio Preto (Baep) transferiu quatro integrantes da equipe para o 52º Batalhão da PM de Mirassol. Todos são alvos de investigações da Corregedoria e da Polícia Civil, que apuram mortes de quatro suspeitos em confronto policial, no dia 7 de outubro deste ano.

A transferência dos quatro policiais foi confirmada pelo comandante do 9º Baep, o coronel Pedro Ribeiro, mas ele preferiu não se manifestar sobre os motivos. "Realmente, eles foram transferidos do Baep para o batalhão de Mirassol, mas não posso me pronunciar sobre o assunto. Só quem pode falar é o setor de comunicação da PM em São Paulo", diz o comandante.

O caso segue em investigação sob sigilo. Todos já estavam afastados do patrulhamento de rua desde o mês passado e cumpriam carga horária no setor administrativo do batalhão. Não foi informado o setor onde eles vão atuar em Mirassol.

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, Adeilton Souza da Silva, Richard Miranda Claudino da Silva, Ulisses Rogério Souza dos Anjos e Lindomar Viana teriam ido de carro a uma chácara na Estância Veneza para roubar um botijão de gás de uma residência. Eles teriam rendido a moradora e a filha dela. Na fuga, os quatro teriam entrado em confronto com a equipe do Baep que atendeu a ocorrência.

As investigações foram iniciadas após surgirem indícios de que as mortes de Adeilton e Richard não foram em confronto policial. Imagem captada por câmera de monitoramento de uma empresa teria registrado as mortes. O arquivo está sendo analisado pelo Instituto de Criminalística.

Conforme o Diário publicou em 15 de novembro, os laudos de necrópsia de Adeilton e Richard apontam que os dois receberam tiros que vieram de cima para baixo, o que pode ser indício de execução, segundo especialistas em perícia criminal consultados.

O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Benedito Mariano, afirma que o afastamento dos quatro policiais do patrulhamento das ruas é procedimento normal. "O certo é que todos os policiais envolvidos nos dois casos de morte em decorrência de ação policial sejam afastados das suas funções e realocados para trabalho interno, até que terminem as investigações. Mas o caso de transferência do Baep para o batalhão de Mirassol pode ser uma recomendação da Corregedoria da PM de São Paulo. De qualquer modo, isso não atrapalha a apuração do caso", comenta o ouvidor.

Mariano salienta que, apesar de ter ocorrido a transferência entre batalhões, o correto é que os policiais investigados permaneçam fora das equipes de patrulhamento. O ouvidor recebeu cópia dos laudos de necrópsia e balísticos enviados pelo Instituto de Criminalística e vai emitir um parecer técnico sobre as mortes.

Mesmo transferidos, os quatro policiais ainda vão continuar sendo alvos de investigação e devem ser chamados nas próximas semanas para prestar depoimento ao delegado Paulo Buchala Júnior, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Quem também acompanha as investigações é o promotor de Justiça José Marcio Rossetto Leite, responsável no Ministério Público por fiscalizar as polícias em Rio Preto. Conforme o resultado do inquérito, ele poderá entrar com ação judicial.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou "que todas as circunstâncias relativas aos fatos seguem em apuração (...). As vítimas do roubo, familiares dos suspeitos mortos e os policiais militares estão sendo ouvidos".

 

Em seis dias, de 7 a 12 de outubro, dez suspeitos morreram em dois confrontos com PMs

Confronto na Estância Veneza, em 7 de outubro

  • Quatro mortos após roubo a uma chácara. Eles teriam atirado nos policiais, que revidaram
  • Quatro policiais militares envolvidos neste caso foram, primeiro, afastados do patrulhamento nas ruas. Agora, foram transferidos para Mirassol
  • DIG e Corregedoria investigam o caso, para descobrir se há indícios de execução
  • A suspeita de execução foi levantada depois que a DIG obteve um vídeo de uma câmera de monitoramento no local do confronto - o conteúdo do vídeo é mantido em sigilo
  • Laudos do Instituto Médico Legal de Rio Preto apontam que dois dos quatro mortos foram atingidos por 12 tiros - todos eles disparados na direção de cima para baixo, o que pode ser indício de execução
  • Ouvidor da polícia recebeu cópias dos laudos e também apura se houve execução

Confronto na Estância Alvorada, em 12 de outubro

  • Seis suspeitos mortos.
  • Eles teriam sido surpreendidos pela PM e atirado em tentativa de abordagem
  • DIG e Corregedoria investigam o caso - a investigação é mantida em sigilo