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28/11/2019 - 00h30min

Diálogo

Pretende ter órgãos doados? Mantenha sua família ciente

Legislação brasileira permite doação de órgãos somente com autorização familiar e, em raros casos, judicial. Por isso, melhor maneira de garantir o desejo é a conversa dentro de casa

Mara Sousa 10/4/2018 Médico João Picollo:
Médico João Picollo: "a doação é decisão pessoal e familiares respeitam"

Para Valdete Neiva Rodrigues, aposentada de 71 anos, foi fácil esquecer a dor do parto do filho Fábio Rogério Ribeiro porque depois ela pode acalentá-lo nos braços. A pior dor mesmo foi a do falecimento do homem, em janeiro deste ano, aos 46 anos, após um acidente vascular cerebral (AVC). Uma coisa deu conforto a essa mãe: saber que havia cumprido o desejo do técnico em contabilidade de ter os órgãos doados. Em vida ele já havia manifestado essa vontade e em momento nenhum a mãe pensou em tomar uma atitude diferente.

"Eu também sempre comentei e quando chegar meu dia o que puder aproveitar, o que puder ser útil e for trazer a paz e a felicidade às famílias eu quero que doe. Era um desejo dele. Conforta muito saber que as pessoas estão vivendo com o órgão dele, ele está vivo em outras pessoas", diz Valdete.

Pela legislação brasileira, não existe nenhum documento que a pessoa possa deixar que garanta a doação de seus órgãos após o falecimento - em alguns casos, a doação pode ser autorizada mediante prévia anuência judicial. Via de regra, somente cônjuges, filhos e parentes de até segundo grau (pais, irmãos, avós e netos) podem tomar essa decisão.

O assunto ganhou destaque após a morte do apresentador de televisão Gugu Liberato, que manifestou o desejo aos familiares e teve os órgãos doados (leia mais nesta página).

João Fernando Picollo, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), orienta a todos que tiverem esse desejo a terem uma conversa franca com a família. Em seus anos de experiência com transplante na região de Rio Preto, nunca viu parentes desrespeitarem a vontade de quem se foi. "Essa é uma decisão pessoal e os familiares respeitam essa opinião, essa atitude. O que acontece é o contrário, o parente falar: 'eu não sou doador, mas vamos atender o desejo dele'", diz.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: reprodução)

Atualmente cerca de 30% das famílias de potenciais doadores de órgãos recusam o procedimento na região - o número é menor que o do Estado (37%) e do Brasil (40%), de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Segundo Picollo, o principal motivo para dizer "não" ao pedido da equipe é justamente o desconhecimento sobre a vontade de quem se foi - dúvidas a respeito da morte cerebral e receios de que o corpo fique deformado para os serviços funerários são tabus que ficaram para trás.

A fila é estadual - por isso, é comum um órgão sair de Catanduva, por exemplo, e ser encaminhado a um residente em São Paulo. O critério é a gravidade do paciente, não o tempo de espera na fila. De acordo com a ABTO, em setembro deste ano havia 16.032 à espera de um órgão. Para muitos deles, o transplante representa a única chance de viver ou, no mínimo, maior qualidade de vida para não ficar preso a uma máquina de diálise (no caso dos rins, por exemplo).

"É um jeito de continuar vivo no corpo de outra pessoa, poder ajudar outras pessoas. Isso conforta muito", diz Picollo. "A gente discute muito essa questão na entrevista. As pessoas que passam por essa experiência de doação têm uma recuperação melhor do luto, se recuperam mais rápido dessa sensação de perda."

O médico considera que toda maneira de expressar é válida - se o paciente não consegue se comunicar com a família, pode expressar seu desejo a um amigo. Carteirinhas de doadores fornecidas por alguns órgãos, mesmo sem validade legal, e publicações em redes sociais também são válidas para a família saber do desejo. "A doação de órgãos é um direito, a gente tem que respeitar", pontua Picollo.

De acordo com o Ministério da Saúde, o doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes apenas mediante autorização judicial.

Enterro de Gugu deve ser nesta sexta

Divulgação Apresentador 
Gugu Liberato doou todos os órgãos
Apresentador Gugu Liberato doou todos os órgãos

O voo que trará o corpo de Gugu Liberato dos Estados Unidos está programado para chegar ao Brasil no início da manhã desta quinta-feira, 28, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. De lá, o corpo será levado até a Assembleia Legislativa de São Paulo, onde será realizado o velório, que deverá ser aberto ao público. O enterro está programado para a tarde de sexta-feira, 29, no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, onde está localizado o jazigo da família.

Gugu morreu aos 60 anos na última sexta-feira, 22. Ele estava trocando o filtro do ar-condicionado no sótão, na quarta-feira passada, 20, quando caiu de uma altura de quatro metros e bateu a cabeça em um móvel. Ele foi socorrido ao hospital e exames constataram a morte cerebral do apresentador.

No sábado, 23, a assessoria de imprensa do apresentador divulgou nova nota em que ressaltou que "todos os órgãos do apresentador foram doados. Segundo informações da equipe médica responsável, essa doação poderá beneficiar até 50 pessoas".

No último domingo, 24, os médicos concluíram a cirurgia para retirada de órgãos. O procedimento durou seis horas - todos os órgãos e tecidos foram para hospitais americanos, já que, devido ao tempo que os órgãos resistem fora do corpo humano e à distância, não seria possível trazê-los para o Brasil. O apresentador deixou a esposa Rose di Matteo, os filhos João Augusto, 18 anos, e as gêmeas Marina e Sophia, de 15.

Gugu começou a carreira aos 14 anos escrevendo cartas para Silvio Santos, em que sugeria ideias para seus programas. Foi o próprio Silvio quem o convidou para trabalhar na televisão, ainda nos anos 1970. Em 1981, Gugu tornou-se apresentador da edição paulista do programa Sessão Premiada. Mas ele marcaria época na TV brasileira à frente de atrações como Viva a Noite (SBT), Sabadão (SBT), Domingo Legal (SBT) e o Programa do Gugu (Record TV). Atualmente, ele era o apresentador do reality Canta Comigo, também na Record.

Especialmente com o Domingo Legal, Gugu foi líder de audiência nas tardes de domingo entre o fim dos anos 1990 e 2003, vencendo o Domingão do Faustão. A Justiça também entrou no caminho do Domingo Legal em alguns momentos. Em 2000, proibiu a exibição da Banheira do Gugu - quadro em que homens e mulheres em trajes de banho tentavam alcançar sabonetes em uma pequena piscina - antes das 21h. (com Agência Estado)

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