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ADOLESCÊNCIA DESPROTEGIDA

Baixa procura pela imunização contra HPV preocupa autoridades

Apenas dois em cada cinco meninos de 11 a 14 anos de Rio Preto foram vacinados contra o HPV, vírus sexualmente transmissível que muitas vezes não tem sintomas e causa tumores


    • São José do Rio Preto
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Três em cada cinco meninos de 11 a 14 anos não estão protegidos contra o HPV (papilomavírus humano), que provoca tumores como os de colo de útero, pênis e ânus. As doses estão disponíveis na rede pública e são necessárias duas para completa proteção, com intervalo de seis meses entre elas. Para a primeira dose, a cobertura em Rio Preto é de 67%; para a segunda, de 41,6%, muito longe dos 80% preconizados pelo Ministério da Saúde. Receber o imunizante ainda na adolescência é o recomendado porque dará mais tempo para o organismo produzir anticorpos contra o vírus antes que o jovem inicie sua vida sexual.

Claidson Alessandro Ruiz Pacheco, de 13 anos, tomou a primeira dose no mês passado, na unidade básica de saúde (UBS) do Santo Antônio. Caçula de seis filhos, sempre está com a carteira de vacinação em dia. "É importante. Eu nunca tomei vacina, minha mãe nunca nos levou, nunca tive nem carteirinha", diz a mãe dele, Ana Maria Ruiz, empregada doméstica de 46 anos. "Sou uma mãe bem zelosa, tive esse cuidado com todos os filhos, até dos casados eu pego no pé", afirma.

Entre as meninas a situação é um pouco melhor, mas ainda aquém do ideal: 91,4% das com idade entre 9 e 14 anos tomaram a primeira dose da vacina contra o HPV. Para a segunda dose, a cobertura é de 63,9% - em média, duas em cada cinco estão desprotegidas.

Entre alguns pais, existe um tabu em torno da vacina do HPV, já que o vírus é sexualmente transmissível - há o medo que a aplicação "estimule" uma sexualidade precoce, o que segundo Delzi Vigna Nunes, infectologista do Hospital de Base, é uma inverdade.

Segundo Michela Dias Barcelos, gerente do Departamento de Imunização da Secretaria de Saúde, a vacinação precoce é recomendada porque quanto antes a pessoa receber a dose, mais anticorpos serão produzidos e maior será sua prevalência. Conforme o Ministério da Saúde, quase a totalidade de tumores no colo do útero são causados pelo HPV, que provoca ainda 85% dos tumores de ânus, além de neoplasias na orofaringe, boca, pênis e vulva.

Entre outubro de 2014 e setembro de 2019, houve 75 mortes por tumores de colo de útero e ânus somente entre moradores de Rio Preto. De acordo com Delzi, há pelo menos cem tipos de vírus papiloma, que causam verrugas e alguns deles são cancerígenos. A vacina disponível na rede pública é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos.

Muitas vezes o HPV é eliminado pelo próprio organismo, porém, quando não, raramente apresenta sintomas, ou seja, a pessoa transmite sem estar ciente que tem a doença. Segundo a Secretaria de Saúde de Rio Preto, de janeiro de 2017 a outubro de 2019, foram diagnosticados 299 casos entre mulheres e 292 entre homens. Quando descoberto antes de causar as lesões, é tratável e tem cura. Entre as mulheres, o vírus pode ser detectado precocemente pelo exame de papanicolau, que deve ser realizado anualmente por todas a partir dos 20 anos.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

O único sintoma visível são as verrugas e quando elas aparecem significa que o vírus já causou o tumor. "Pode levar à morte, fora o custo do tratamento de uma doença que pode ser prevenível com a vacina", afirma Delzi. De acordo com o Datasus, em cinco anos foram gastos R$ 291,3 mil com as internações provocadas por tumores no útero.

Ações

Segundo a enfermeira Michela, ações em escolas são feitas constantemente - a equipe passa na unidade e deixa uma autorização para vacinação que deve ser assinada pelos pais. A iniciativa, segundo ela, surtiu bastante efeito com as meninas, mas nem tanto com os meninos, que às vezes nem entregavam o documento para os responsáveis por receio de se sentirem constrangidos tomando vacina na frente dos colegas, por exemplo.

Por isso, equipes do Centro Municipal de Controle e Prevenção às DST/HIV/Aids, em parceria com estudantes universitários, estão visitando escolas para conscientizar os adolescentes sobre a importância da prevenção e orientando que eles procurem o posto de saúde para receberem a vacina, que também está disponível na rede particular - nesse caso, pode ser recebida também por adultos.

Preservativo

O preservativo não é totalmente eficaz contra o papilomavírus humano. Segundo o Ministério da Saúde, muitas vezes as lesões estão em áreas não protegidas por ele, como vulva, região pubiana ou perineal ou bolsa escrotal. A camisinha feminina, nesse caso, oferece mais proteção.

Mesmo quem já recebeu as duas doses da vacina contra o HPV não deve dispensar o uso de preservativo em todas as relações sexuais, já que ele previne a gravidez e protege contra outras doenças, algumas para as quais não há vacinas, como sífilis e HIV.

 

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou novos casos de sarampo. Houve novas confirmações em Valentim Gentil e Votuporanga e a região de Rio Preto chegou a 201 ocorrências positivas da doença. Fernandópolis, com 62, continua liderando o ranking, seguido por Rio Preto, com 61 casos.

Embora as confirmações continuem acontecendo, o ritmo diminuiu. Por se tratar de um vírus transmitido por vias respiratórias, semelhante à gripe, por fala, tosse ou espirro, a tendência é que o período de maior transmissão seja o inverno, quando os ambientes permanecem mais fechados e as pessoas mais aglomeradas.

Assim como a gripe, no entanto, a transmissão ocorre o ano todo. A melhor maneira de se prevenir é por meio da vacina, que está disponível na rede pública. Crianças de 6 a 11 meses devem ser imunizadas com a "dose zero" e o calendário deve seguir normalmente, com novas aplicações aos 12 e aos 15 meses de vida. Quem não tomou a vacina quando criança deve fazê-lo agora: são necessárias duas doses até os 29 anos; dos 30 aos 59 uma é suficiente. (MG)