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Do lixo ao luxo: aposte no upcycle para ressignificar objetos

Jéssica Reis - 09/11/2019 00:04

Sabe aquele pneu que furou e está lá num canto da sua casa? Ele pode ser transformado em um puff. Ou aquele simples pallet de madeira que modificado se torna uma prateleira? Esses são alguns simples exemplos de upcycle. A palavra é usada para se referir aos objetos criados a partir da técnica de upcycling, que consiste no reaproveitamento de objetos e materiais para criar novos itens. É diferente de reciclagem, em que o material pode ser reaproveitado de outras formas.

A técnica pode ajudar a reduzir a quantidade de resíduos que passariam anos em aterros sanitários, além de diminuir a exploração de matéria-prima para a criação de novos produtos. Isso pode significar menos petróleo explorado, menos árvores derrubadas, menos mineração e ainda redução no consumo de energia e água.

O upcycling está presente na moda, por exemplo, em acessórios como brincos e colares feitos de cápsulas de café usadas. Na decoração, há uma infinidade de soluções que podem ser feitas a partir do reaproveitamento de objetos já usados para outras finalidades e que foram descartados. É o caso dos pallets, latões e até mesmo alguns móveis que são reinventados e ganham um upgrade com design que valoriza a peça.

Segundo a designer de moda Vanessa Wagner, da Zóia Brasil, o termo Upcycling surgiu em 1994, em uma entrevista de Reine Pilz, da Pilz GmbH para Kay Thornton, da Salvo. Em 2002, o termo também foi usado pelo arquiteto William McDonough e pelo químico Michael Braungart, autores do livro "Cradle to Cradle: "Remaking the way we make things", traduzido pela primeira vez para o português, em 2014, com o título "Criar e reciclar ilimitadamente". "Para mim é o que eu já fazia desde pequena e o que comecei a propor, em 2007, quando criei a marca Zóia, sem saber que fazia. Um desafio diário de transformação que me move como designer até hoje a criar produtos com um olhar apurado sobre o simples, utilizando diversos materiais alternativos ressignificando-os ou mesmo, a partir de diversos resíduos, dando a eles um novo olhar, um novo uso e inúmeras novas possibilidades. Na prática, upcycling é este processo de transformar o desperdício e o que não pode ser reciclável em algo útil e com uma nova proposta de valor. Para nós, na Zóia, significa os nossos três pilares de atuação: arte, design e ideias sustentáveis", explica.

Vanessa criou a Zóia, no Rio de Janeiro, marca brasileira de acessórios em 2007, que produz peças feitas com materiais reaproveitados. Esses materiais viram arte nas mãos da designer de acessórios que, além do estilo, carregam em sua essência a consciência do consumo sustentável. "Em 2008, criamos a nossa linha resíduos urbanos e, de forma pioneira, fizemos um colar conceitual feito com cápsulas de café recicladas. A partir daí, além da linha CAPS, feita com as cápsulas de café, outros materiais reciclados passaram a ser incorporados ao nosso portfólio de produtos, chapas de raios-X, Tetrapak, papelão, cortiças, tecidos sintéticos, entre outros", diz a designer.

Em São Paulo, até o dia 17 de novembro acontece a mostra "Morar Mais por Menos". Com uma proposta vanguardista, o Morar Mais aposta, desde 2007, em ambientes criados com respeito ao meio ambiente e melhor aproveitamento de recursos, além da utilização de materiais ecologicamente corretos. Há também uma preocupação em defender a inclusão social, já que os profissionais foram desafiados a incluir em seus projetos produtos criados por ONGs e cooperativas de artesãos, aumentando a visibilidade e as chances de negócios para aqueles que trabalham na informalidade. Em diversos ambientes o upcycle pode ser conferido.

Upcycle também é tendência em Rio Preto

Em Rio Preto, temos bons exemplos de upcyle. No Quintal Food Park, alguns móveis são feitos com materiais reaproveitados como pallets e latões. Segundo Tatiana Nunes Carvalho, proprietária do espaço, a escolha pelas peças foi feita pela questão visual e pelo reaproveitamento. Os tambores, por exemplo, que foram transformados em mesas, se forem protegidos do sol e da chuva, têm grande durabilidade. "De pallet a gente fez a mesa de convivência, que a gente chama de mesa de piquenique. É fundamental para a gente, até para o espaço, quando você tem um produto que já é reaproveitado, ele tem um custo menor. E combina com o estilo do local, até quero reciclar mais coisas, estamos em busca de artesãos", diz.

Em Bady Bassit, no Café Matuto, o proprietário e artesão Arnaldo Jesus da Silva, que também faz móveis com madeira de demolição, trabalha com a ideia de restauração, reciclagem e preservação do meio ambiente. Ele criou lustres e luminárias com garrafas de vinho. O resultado ficou incrível, ele diz que se algum cliente se interessar pelas peças, ele faz. "Peguei as garrafas no lixo e fui fazendo aos poucos, o lustre maior demorou uns 40 dias. Os móveis também faço todos com madeira de reaproveitamento, além de reutilizar lustres de postes também", diz.

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