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França

Outono em Paris

Entre grandes exposições e novidades na gastronomia, como aproveitar a estação na França


    • São José do Rio Preto
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É outono em Paris. Ou, como dizem os parisienses, c'est la rentrée. A rentrée é a reentrada do ano. O regresso das férias de verão. O início do ano letivo. E, o mais importante para o turista, a retomada do efervescente calendário cultural e social, com abertura de exposições e estreia de menus e cartas de drinques nos bares e restaurantes. As árvores mudam de cor e perdem as folhas secas num espetáculo colorido. A multidão dos meses de verão já foi embora, e a das festas de fim de ano ainda não chegou. O calorão cede vez a dias amenos. Mas ainda não gelados. A temperatura média costuma baixar para um dígito somente lá para dezembro.

As vitrines de Paris exibem coleções de inverno que quem vive nos trópicos não terá a menor vontade de comprar. Gaste os euros em outros clássicos da estação, como as castanhas quentes perfumando as esquinas e vendidas por alguns trocados ao som de chauds, les marrons. Aproveite as caminhadas ao ar livre; os restaurantes, com cogumelos nos cardápios da estação e pratos do dia; os museus menos cheios e mais agradáveis de serem visitados. Programe-se alguns dias antes para comprar os ingressos para as mostras mais concorridas, porque nesta temporada algumas só terão os tíquetes vendidos on-line. Paris renasce no outono. O que faz ainda mais sentido num ano no qual o teto da sua catedral virou cinzas.

 

O magnata francês François Pinault, do grupo de luxo Kering e marido da atriz Salma Hayek, formalizou esta semana a doação de € 100 milhões para a restauração da Catedral de Notre-Dame, incendiada parcialmente em abril passado. A família Pinault foi uma das primeiras grandes fortunas da França a anunciarem ajuda. Isso horas depois de a tragédia atingir um dos monumentos mais visitados de Paris (e do mundo), hoje coberto de andaimes e, claro, fechado à visitação.

Na semana passada, outro magnata, Bernard Arnault , presidente da LVMH, rival de Kering, firmou convênio semelhante, no valor de € 200 milhões.

Até agora, mais de € 850 milhões foram prometidos por outros donos de grandes patrimônios, empresas e pessoas físicas "comuns" da França para ajudar na recuperação da catedral.

Estão em curso obras de reforço da estrutura. Os trabalhos de restauração propriamente ditos só devem começar no primeiro semestre de 2020. Haverá esforço especial para reconstituir o telhado e a torre, que desabaram, incluindo aí o pináculo (a flecha) de 93m de altura, construído no século 19 pelo arquiteto Eugène Viollet-Leduc e que virou um dos símbolos de Paris.

Enquanto isso, a igreja de Saint-Germain l'Auxerrois, em frente ao Louvre, abriga as liturgias da Notre-Dame, em horários diversos, que podem ser consultados no site www.notredamedeparis.fr.