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Saúde

Gengiva em perigo

Apesar da importância de uma boa higienização, também é preciso cuidar da dieta


    • São José do Rio Preto
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Ter uma boca saudável faz bem para o bom funcionamento do aparelho digestivo, aparência e até para a autoestima. O que muita gente não sabe é que tão importante quanto o cuidado dos dentes é o cuidado com a gengiva para a prevenção de doenças periodontais como a gengivite, que nada mais é do que a inflamação da gengiva causada pela placa bacteriana e a periodontite, que é uma forma mais grave da doença que compromete os tecidos de sustentação do dente.

No Brasil, os números assustam. Segundo o Ministério da Saúde, 82% dos adultos de 35 a 44 anos sofrem com algum tipo de doença periodontal. "O problema ainda atinge quase metade dos jovens entre 15 e 19 anos (49,1%) e quase a totalidade da população idosa no País (98,2%), com idade entre 65 e 74 anos", diz o dentista Rafael Puglisi.

Uma linha de pesquisa recente traz fortes indícios de que as escolhas alimentares também têm forte influência no processo. Um desses estudos foi feito pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O professor Renato Casarin e a nutricionista Roberta Reis recrutaram 60 voluntários de 18 a 35 anos com diferentes graus de gengivite. Ambos, em parceria com a nutricionista Helena Sampaio, da Universidade Estadual do Ceará, analisaram tudo o que foi consumido pelos participantes durante dois dias. Com o histórico alimentar completo, por outro lado, o time de nutricionistas conseguiu definir se a dieta como um todo dos participantes tinha um perfil mais pró ou anti-inflamatório. Em paralelo, houve coleta e avaliação do fluido gengival.

Nem tão amigos

Após cruzamento de dados, os pesquisadores notaram que um padrão alimentar pró-inflamatório que incluía frituras, excesso de carne vermelha, biscoitos recheados e salgadinhos estava associado a alterações importantes, como redução de uma substância protetora chamada interleucina-4. Níveis baixos dela já foram associados à periodontite. Além disso, os participantes que tinham uma alimentação pouco saudável exibiram tendência a sangramentos da gengiva.

Uma dieta com perfil mais anti-inflamatório é composta por frutas, verduras, legumes, sementes, oleaginosas e peixes.

"O excesso no consumo de alimentos açucarados, principalmente se ingeridos de forma constante durante o dia, pode contribuir na formação de placa bacteriana. Além disso, o consumo exagerado de bebidas ácidas pode desmineralizar os dentes, deixando-os mais fracos", diz o ortodontista Fabio Bibancos.

Próximos passos

Os resultados iniciais fizeram com que os cientistas brasileiros se unissem a pesquisadores americanos para ampliar a investigação. "Vamos seguir com um número maior de indivíduos e uma análise robusta para entender melhor essa relação", conta Casarin. "Quem sabe, no futuro, a gente consiga identificar os fatores modificáveis que são capazes de ajudar na prevenção de problemas orais", completa. Enquanto aguardamos, não custa montar um prato mais colorido e equilibrado.

 

Fio dental: Limpa 40% da superfície do dente. Usar o fio ao menos uma vez ao dia garante que a placa acumulada entre os dentes e a gengiva seja removida completamente. Os restos de alimentos que ficam na boca podem resultar na formação de tártaro, que se não for removido pelo seu dentista, pode causar uma inflamação na gengiva, conhecida como gengivite. Há outros produtos que ajudam na limpeza interdental de forma mais prática, como o flosser e o soft picks, que são alternativas ao fio;

Escovação: Deve ser feita pelo menos três vezes ao dia. Preste atenção na força aplicada ao escovar e também na maciez das cerdas da escova. Colocar muita força durante pode afetar a gengiva, deixando-a mais propensa a desenvolver alguma retração, como consequência, vai expor a dentina e causar sensibilidade. Há no mercado escovas à bateria com vibrações sônicas que apresentam benefícios superiores quando comparado à escova manual, auxiliando na higienização da linha da gengiva e entre os dentes.

Fonte: Fabio Bibancos, ortodontista