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Saúde

Pílulas em forma de dança

Dançar faz bem para a saúde física, mental e emocional


    • São José do Rio Preto
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Além dos benefícios tradicionais como controle de peso, condicionamento físico e estimulação da concentração, dançar melhora o desempenho cognitivo, a aprendizagem e memória, eleva a autoestima. Um estudo feito pela Universidade Southwersten, do Texas, nos Estados Unidos, mostrou que a prática deste exercício, pelo menos 30 minutos, três vezes por semana, pode ser tão eficiente quanto o uso de antidepressivos. A modalidade pode ser considerada um remédio natural para a saúde.

Outra pesquisa da Harvard Medical School, dos Estados Unidos, acompanhou pacientes com doenças neurodegenerativas que foram submetidos a aulas de dança. Eles tiveram uma melhora no movimento das articulações e no bem-estar. Aqueles que se sentiam deprimidos melhoraram o humor e se sentiram mais felizes. Os benefícios ocorrem com a dança - dizem os pesquisadores- porque ao mexer o corpo, o esforço físico aumenta os níveis de serotonina no corpo, contribuindo para combater o estresse, o cansaço e a depressão. A serotonina é uma neurotransmissor que eleva o humor e melhora a sensação de bem-estar.

"É incrível avaliar a percepção das pessoas após começar a dançar, seja qual for a modalidade escolhida, todo mundo se surpreende com tantos benefícios conquistados de uma maneira tão divertida, seja com as mudanças físicas como as mentais, como o bom humor, a predisposição diária, entre outros detalhes que podemos notar facilmente no nosso dia a dia", explica o bailarino, coreógrafo e preparador físico Wagner Alvarenga.

Danças circulares

"A dança circular é realmente muito especial. Além de todos os benefícios que as outras modalidades apresentam [coordenação motora, melhora física e mental], ela traz características fundamentais", explica a psicóloga Karina Rodrigues, professora de danças circulares.

As danças circulares acontece sempre em grupos, em círculos e reúne crianças, jovens e adultos. Isso remete o praticante ao contato com a imagem arquetípica do círculo, que simboliza a totalidade. Em primeiro lugar ele vem propor um trabalho emocional. "A cada música nos conectamos com um tema e sentimentos, sendo portanto não só uma dança, mas também uma terapia. É diferenciada também porque não precisa de qualquer requisito", diz a psicóloga. Pessoas de qualquer idade e qualquer condição física podem participar. "Por ser uma forma de dança coletiva, temos a incrível conexão energética, afetiva e apoio do grupo. É transformadora", afirma. Em Rio Preto, um grupo se reúne toda primeira quarta-feira do mês, mas o encontro é exclusivo para mulheres. "Trabalhamos as danças circulares sagradas, meditativas e terapêuticas femininas e sempre temos uma atividade complementar", diz Karina.

 

Em Rio Preto, pelo menos 16 adolescentes portadores da síndrome participam atualmente do grupo Dança UpDown, um programa de fisioterapia desenvolvido para auxiliar jovens, adultos e idosos com Síndrome de Down. O programa de fisioterapia foi criado há oito anos pela fisioterapeuta Séo Dias e utiliza a dança e o movimento como um instrumento de reabilitação. Ele foi desenvolvido com o propósito inicial de trabalhar questões, a princípio, motoras. "Com o passar do tempo eu fui vendo os benefícios da questão da socialização, de trabalhar toda essa parte cognitiva e comportamental desse público", explica a fisioterapeuta que trabalha desde a parte da estimulação precoce de bebês até a fase adulta de portadores de Síndrome de Down.

"Hoje, sabemos que existem outros marcos motores também importantes de serem trabalhados depois que eles adquirem a marcha como correr, subir e descer, pular, andar de bicicleta ou andar de patinete, coisas que se não forem bem trabalhadas na primeira infância, acabam gerando jovens e adultos com déficit motor", diz a fisioterapeuta Séo Dias.

O grupo tem foco nos pacientes a partir dos 15 anos. "O Dança UpDown é uma forma de suprir o trabalho que deixou de ser feito no passado, manter esse jovem em movimento e acompanhar o desenvolvimento motor em cada etapa depois que eles recebem a alta da fisioterapia e acompanhá-los", explica.

Além da dança, os alunos fazem condicionamento físico e cardiorrespiratório, além de recursos de pilates. Eles fazem fisioterapia sem perceber porque dançam e se divertem em grupo. "Consequentemente, gerando um grupo de dança para a elaboração das coreografias, acabamos trabalhando várias questões motoras. Se a coreografia tem movimentos de chão, temos de trabalhar a agilidade deles. As coreografias é como se fossem aquisições motoras que foram trabalhadas naquele período", diz ainda.

O objetivo do grupo não é formar bailarinos ou dançarinos, e sim mantê-los capacitados, com qualidade de vida, além de ser um suporte fisioterapêutico. "Trabalhamos a psicomotricidade, coordenação motora, noção espacial e temporal", afirma. As aulas acontecem aos sábados, das 10h às 11h30 e às terças-feiras, das 19h30 às 21 horas.