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Saúde

De olho no passo

Caminhar lento após os 40 anos já é sinal de envelhecimento do cérebro


    • São José do Rio Preto
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A velocidade com que as pessoas com mais de 40 anos caminham é um sinal de como os seus cérebros e corpos estão em processo de envelhecimento acelerado e a probabilidade do aparecimento de demência em um período mais avançado da vida. É o que revela um estudo do departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade de Duke, na Inglaterra. O estudo divulgado na publicação científica Journal of American Medical Association (Jama) Network Open mostra ainda que aqueles que naturalmente caminham de forma mais acelerada apresentam cérebros e corpos mais jovens. Os especialistas garantem que se trata de um novo marcador de saúde facilmente mensurável.

O trabalho segue o caminho de outras pesquisas que também indicaram conclusões semelhantes. Uma pesquisa publicada em 2009 no British Medical Journal observou uma forte associação entre caminhar lentamente e morrer de ataque cardíaco ou outros problemas cardíacos. Mais recentemente, outro artigo no Jama sugeriu uma relação entre caminhar mais rápido após os 65 anos de idade e viver mais.

O novo estudo

O estudo publicado no último dia 11 pela pesquisadora dinamarquesa Line Jee Hartmann Rasmussen, doutora em imunologia e doenças infecciosas, é resultado de um trabalho de mais de quatro décadas. A investigação teve por base 1.037 indivíduos nascidos entre abril de 1972 e março de 1973, na Nova Zelândia.

Após uma primeira avaliação ao nascimento, os participantes foram acompanhados em diferentes fases da vida. A última avaliação foi feita em abril deste ano, quando todos os indivíduos tinham mais de 45 anos completos, tendo sido realizada em 904 dos 997 participantes vivos.

"Este estudo descobriu que uma caminhada lenta é sinal de problemas que podem ser analisados décadas antes da entrada na velhice", considerou a professora e psicóloga clínica norte-americana Terrie Edith Moffitt, citada pela BBC.

Nas avaliações foram feitos testes físicos e cognitivos, além de exames de neuroimagem cerebral, ao mesmo tempo que foi medida a velocidade de marcha média de cada um. A conclusão indica que quem caminha mais devagar tem tendência a mostrar sinais de um envelhecimento rápido nos pulmões, dentes e sistema imunitário.

Os investigadores observaram terem sido capazes de prever a velocidade de marcha de cada indivíduo aos 45 anos apenas tendo por base os resultados dos testes de inteligência e de aptidão motora e de linguagem de quando tinham apenas três anos os participantes que estão hoje entre os que caminham mais devagar tiveram um resultado nos testes de coeficiente de inteligência (QI) de menos 12 pontos do que os que hoje caminham mais depressa.

Segundo a equipe de pesquisadores, as diferenças, quer na saúde quer no nível de Q.I., podem ser resultado de diferentes condições de vida, mais ou menos saudáveis, mas o futuro pode ser previsto numa tenra idade, o que abre caminho a procedimentos preventivos.