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Saúde

Alergia à vista

35% da população desenvolve algum tipo de problema que pode até matar


    • São José do Rio Preto
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Ter uma reação alérgica é sempre um incômodo, seja ao que for. Ácaros, pólen, frutos secos são alergias comuns. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente 35% da população têm algum tipo de alergia, sendo 20% alergias respiratórias. Acredita-se que o principal vilão para o constante crescimento seja o nosso estilo de vida.

Mas, muitas vezes, substâncias inofensivas que causam simples coceiras em uns podem ser letais para certas pessoas. O inglês Oli Weatherall, de 22 anos, ficou conhecido após falar sobre sua grave alergia a amendoim - que o impede de dar um beijo, por exemplo. O problema é que, caso a pessoa beijada tenha comido amendoim ou algum outro alimento que tenha vestígios desse ingrediente, ele pode sofrer as consequências apenas por causa do contato entre os lábios.

Até risco de morte

A alergia é a resposta imediata do corpo e está associada com a produção de uma classe de anticorpos e ativação do sistema imunológico para combater componentes considerados "estranhos". "As manifestações clínicas mais comuns aparecem na pele (urticária, inchaço, coceira, eczema) ou estão relacionadas ao sistema respiratório (tosse, rouquidão e chiado no peito) e ao sistema gastrointestinal (diarreia, dor abdominal, vômitos e, algumas vezes, sangue nas fezes)", explica a nutricionista Mariana Nacarato.

Manifestações mais intensas em vários órgãos simultaneamente, como reação anafilática, são mais raras, mas também podem ocorrer, com risco de morte.

 

Carne - É possível ser alérgico à carne, sobretudo a vermelha. Não é uma intolerância alimentar tão comum como intolerância à lactose ou alergia à proteína do ovo, mas é possível. É uma das alergias que mais se intensificaram nos últimos anos. É causada por um açúcar presente na carne de alguns mamíferos;

Alergia ao filho - A penfigoide gestacional faz com que mulheres grávidas ou que acabaram de dar à luz desenvolvam coceira, erupções cutâneas e até bolhas pelo corpo. O jornal Daily Mail divulgou a história da britânica Joanne Mackie como uma alergia ao próprio filho, James. Acredita-se que esse tipo de reação atinja uma a cada 50 mil mães;

Protetor solar - Um estudo da American Contact Dermatitis Group apurou que quase 1% da população é alérgica a componentes que integram a maioria dos produtos de proteção solar;

Frutas - A alergia a frutas corresponde a aproximadamente 10% das alergias alimentares. No geral, calcula-se que a alergia a frutas em adultos varia de 0,4% a 3,5%. Já em crianças menores de 3 anos, a prevalência é maior que 11,5%. Estes são dados gerais que abrangem Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido;

Látex - A alergia ao látex é uma reação cada vez mais comum em clínicas, hospitais e estabelecimentos de saúde. O látex é uma seiva extraída da seringueira que coagula na exposição ao ar. Esta seiva é usada para produção de borracha natural, encontrada em mais de 40 mil produtos industrializados. Apesar da prevalência de sensibilização pelo látex na população geral ser menor do que 1%, ela pode chegar a 30% em grupos de risco específicos;

Leite - A alergia à proteína do leite de vaca (mais conhecida como APLV) é uma reação alérgica às proteínas presentes no leite de vaca ou em seus derivados (queijo, iogurte ou outros alimentos que contêm leite). Esta é a mais frequente das alergias alimentares: estima-se que ocorra em 2,2% das crianças nos primeiros anos de vida;

Trigo - Quando há alergia, o organismo recusa a substância e a trata como agente invasor, reagindo com a produção de imunoglobulinas e gerando sintomas nas vias respiratórias, além de problemas dermatológicos. Quem é alérgico ao trigo, ao consumir o alimento, pode ter sérios problemas, chegando ao risco de sofrer um choque anafilático. A estimativa é que entre 0,1% e 0,5% da população seja alérgica.

 

Dentre os casos mais comuns, a alergia respiratória é a que mais atinge a população. Ela se caracteriza por espirros, tosse, nariz coçando e escorrendo, falta de ar e peito chiando. "Já as alergias de pele são caracterizadas por vermelhidão, coceira e inchaço. Por fim, as alimentares apresentam diarreia, vômitos e também podem causar sintomas respiratórios e de pele, por isso nem sempre são facilmente identificadas", explica a bióloga Julinha Lazaretti.

O surgimento das alergias é decorrente de vários fatores como genética, ambiental e emocional. "Uma pessoa com histórico familiar de alergia pode não desenvolvê-la desde que não entre em contato com substâncias desencadeantes. Então, quanto menos contato com substâncias que já são conhecidamente alergênicas, menor as chances de desenvolver algo", diz ainda Julinha. Vale ressaltar, porém, que as alergias nunca aparecem num primeiro contato com determinada substância. Para que a alergia surja, a pessoa precisa ter um certo número de contatos com a substância. Durante esse período a pessoa vai criando anticorpos até que, em determinado momento, a quantidade de anticorpos ativados desencadeia a reação. É como ir enchendo um copo de água que, se passarmos da quantidade ideal, acaba transbordando.

Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) mostram que as reações alimentares de causas alérgicas verdadeiras atingem de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade e de 2% a 3% dos adultos. Fatores como predisposição genética, alterações no intestino e potência antigênica de alguns alimentos - produtos que contêm elementos considerados potencialmente alergênicos têm importante papel para o desenvolvimento de alergias. "De todo modo, existem tratamentos, principalmente em relação ao trato gastrointestinal, que impedem esta condição", explica Mariana.

"Mais de 170 alimentos são considerados potencialmente alergênicos, apesar de uma pequena parcela deles ser responsável por um maior número de reações: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar", diz o alergista e imunologista Nelson Guilherme Bastos Cordeiro, do Departamento Científico de Dermatite Atópica e de Contato da Asbai.

Se a alergia for considerada leve, é possível ingerir o alimento que causa a reação em quantidades moderadas, depois de tomar as devidas medicações indicadas pelo médico.