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Fitness

Em jejum é melhor?

Exercitar-se antes da principal refeição traz benefícios, mostra estudo


    • São José do Rio Preto
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Se você faz parte do grupo que ainda tem dúvidas sobre qual o melhor horário para se exercitar e não vê a hora que o dia amanheça para tomar o café da manhã, comece a considerar as primeiras horas do dia, em jejum, para se exercitar. Pelo menos é o que mostra um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido.

Segundo os cientistas, ir à academia em jejum pode ajudar, sim, a queimar mais calorias e, até mesmo, obter maiores resultados a longo prazo. A pesquisa, publicada no periódico American Journal of Physiology, Endocrinology and Metabolism, teve como objeto de análise um grupo de homens acima do peso.

A justificativa é simples: depois de comer, o corpo se ocupa em digerir o alimento e acaba deixando de lado a queima de calorias gerada pelos exercícios à parte. Isso significa que comer logo antes do treino pode não ser o recomendado. Em vez de queimar gordura já existente no tecido adiposo, o corpo irá consumir os carboidratos recentemente ingeridos como fonte de energia.

Os pesquisadores acreditam que praticar atividade física ainda em jejum pode estimular a queima de gorduras e o aumento da massa muscular. Dylan Thompson, autor do estudo, afirma que o exercício não estimulará os mesmos benefícios no tecido adiposo do que em jejum. "Isso significa que o exercício em estado de jejum pode provocar mais mudanças favoráveis no tecido adiposo, e isso pode ser benéfico para a saúde no longo prazo", disse ao jornal Daily Mail.

O estudo

Em jejum, os participantes caminharam por 60 minutos e, para comparar, caminharam por mais uma hora depois de ter uma café da manhã rico em carboidratos. O estudo mostrou que a expressão genética do tecido adiposo diferiu significativamente entre os dois ensaios.

Para o ortopedista Leandro Gregorut, especialista em joelho, ombro e cotovelo do Hospital Sírio Libanês, a melhor forma de evitar erros ao praticar exercícios físicos é conhecer nossa fisiologia básica e procurar um especialista antes de começar.

Segundo ele, nosso corpo precisa de energia para fazer atividades físicas. E usamos energia de três fontes distintas: as gorduras, os glicogênios (na forma de carboidratos) e as proteínas. "Quando estamos treinando, ou praticando uma atividade física em um ritmo baixo, ou ainda, em repouso, o corpo usa somente a gordura, que é uma molécula grande e para a qual ele executa várias reações químicas a fim de quebrá-la em moléculas menores fornecendo energia", explica.

Quando aumentamos a intensidade e saímos do repouso, há uma necessidade maior de energia. "O corpo, além de queimar a gordura, procura o carboidrato, presente no músculo ou no nosso fígado, como o glicogênio. Para quebrar o carboidrato, são necessárias menos reações químicas, fornecendo uma energia mais rápida e também em menor quantidade que a quebra da molécula de gordura", diz ainda Gregorut.

Conforme aumentamos a necessidade energética, de forma mais intensa e mais rápida, é preciso cada vez mais energia para suprir as fibras musculares, à medida que a atividade é executada. Além da gordura e do carboidrato, o corpo começa a procurar energia nas fibras musculares, onde ocorre a quebra da proteína, que fornece energia muito rapidamente. E aí está o que precisamos entender. "Quando se está em jejum por cerca de oito a 12 horas, seus estoques de carboidrato na musculatura ou no fígado começam a diminuir. Trinta minutos é um tempo estimado para a duração do seu estoque de carboidrato em um treino aeróbico de moderada a grande intensidade", afirma. Com os estoques de carboidratos sendo consumidos durante o jejum, não será preciso mais de 30 minutos de atividade física para esgotá-los. Realizaremos menos esforço, ou o esforço será feito por menos tempo. E a partir do momento em que o corpo percebe que os estoques de carboidrato estão caindo, ele incentiva a queima das moléculas de gordura armazenadas para tentar repor a deficiência e os estoques de carboidratos.

"Aumentando um pouco mais a intensidade da atividade física e entrando em um estado anaeróbico, a produção de energia baseada na gordura e no carboidrato, que está no final, não é mais o suficiente para gerar energia para o exercício. Sendo assim, o corpo busca energia na fibra muscular, quebrando e liberando energia para a necessidade atual.

"Para perder peso e emagrecer, interessantes são os níveis de atividade leve, tal como o aeróbio leve e no máximo o moderado durante o maior tempo que você conseguir praticar, em jejum", explica o médico. Lembrando que há um grande número de variáveis para cada pessoa: sexo, idade, peso corporal, massa muscular, quantidade de gordura. "Enquanto você tem uma composição corporal que precisa de 30 minutos de treino em jejum, pode haver um colega seu que precise de 20 minutos de treinos em jejum, para aumentar a intensidade da queima de carboidrato e gorduras e começar a perder peso", diz.

Para a educadora física Juliana Oliveira, treinar em jejum não ajuda a emagrecer. "Ficar muito tempo sem comer diminui o nível glicogênico, responsável por dar energia ao corpo fazendo com que aumente a perda de massa muscular e gerando fraqueza. Fome e treinos exaustivos podem causar mal-estar, tonturas e desmaios", justifica.