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Comportamento

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Antídoto para o egoísmo é colocar-se no lugar do outro


    • São José do Rio Preto
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Todo mundo em algumas situações, já apresentou um comportamento egoísta quer seja num relacionamento, no trabalho ou com relação ao dinheiro. Isso é normal, uma vez que o ser humano é educado para buscar a satisfação pessoal. Entretanto, a maioria costuma seguir algumas regras de conduta: quando alguém nos ajuda, retribuímos o favor. Mas existe uma parcela da população que não liga para isso. São os egoístas.

O egoísmo, de maneira simples, é a valorização exagerada e/ou exclusiva dos próprios interesses em detrimento das necessidades alheias. No entanto, o hábito se torna um problema quando o indivíduo prejudica o outro para alcançar seus objetivos. "O egoísmo passa despercebido em relações superficiais, mas é facilmente sentido em relações íntimas, sejam elas amorosa, de amizade ou familiar", explica a psicanalista Simone Demolinari. Não importa o ambiente, o egoísta está sempre se priorizando, se achando merecedor de benefícios e se considerando mais importante que os demais. A régua que ele usa para si não é a mesma que ele usa para os outros.

Sem ganhos, sem conexão

A incapacidade do egoísta em ser equânime deriva de um ponto cego que faz com que eles considerem mais importantes as suas necessidades independentemente da gravidade da situação. É como se uma unha quebrada dele merecesse mais atenção do que o braço quebrado do outro. "O curioso é que, quando repreendidos, se ofendem com facilidade e não admitem serem chamados de egoístas. Ao contrário, se defendem, ora se vitimizando através da culpa, da chantagem, da raiva, ora se justificando, mas jamais enxergando o próprio comportamento", diz Simone.

O egoísta traz consigo a essência do amor objetal, enquanto há favorecimento há vínculo, mas quando acabam os ganhos, acaba a conexão. "São motivados por interesse, e cortar a mordomia deles não significa que haverá uma mudança, ao invés disso eles preferem buscar uma nova relação para nutrir sua incompletude", afirma ainda.

"O egoísta enxerga somente a si mesmo, crê que é o centro do universo, ele não consegue enxergar os outros e nada mais importa, quer ter vantagens, busca sempre uma satisfação unilateral. Quem convive com ele terá de ceder sempre porque terá problemas se for contra", explica o médico Luiz Fernando Sella, autor do livro "Os Sete Inimigos do Coração" (ed. 7) .

E vai além: "O egoísta não aceita opiniões diferentes da dele. Isso resulta em problemas nos relacionamentos, as pessoas se afastam das que se acham o centro e que nada mais importa além dela. Muitas vezes o egoísta acaba ficando sozinho e não consegue desenvolver relações". O egoísta acha que está sempre certo, que a opinião dele é a certa e acha que os outros não têm importância nenhuma e nos momentos de dificuldades não tem a quem recorrer. "Como nunca faz nada para ninguém, acaba ficando sozinho e tem de enfrentar todos os seus problemas", complementa o médico.

Cura pelo amor altruísta

A falta de amparo e apoio afeta negativamente a nossa saúde, principalmente quando enfrentamos problemas e estresse, uma dificuldade ou uma doença. A cura do egoísmo é o amor altruísta e desinteressado pelo outro, "quando você começa a compartilhar, a se colocar no lugar do outro, a ajudar e não achar que sempre tem razão", explica Sella.