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Comportamento

Você é perfeccionista?

Não há nada errado em querer que as coisas sejam bem feitas; risco está no exagero


    • São José do Rio Preto
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Você é perfeccionista? Se a resposta for positiva e você considera isso uma qualidade, é bom ficar atento. Não há nada errado em querer fazer as coisas bem feitas, porém, muitas vezes, isso pode acabar te atrapalhando. "Algumas pessoas ficam tão presas aos detalhes em tudo o que fazem, que acabam se tornando chatas", explica Christian Barbosa, especialista em administração de tempo.

O perfeccionismo é a crença de que a perfeição pode e deve ser alcançada. Em sua forma patológica, é uma crença de que o trabalho ou resultado que seja nada menos do que perfeito é inaceitável.

Tenha em mente que a perfeição é relativa: o que representa um bom resultado para um pode não significar a mesma coisa para o outro. Dessa forma, você pode estar perdendo um tempo precioso, gastando muita energia com uma tarefa e deixando de lado outras mais que realmente merecem seu tempo.

"A perfeição frustra a pessoa porque ela sempre chega à conclusão que poderia ter feito melhor e não se dá o reconhecimento e nem ao outro", explica a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu. O ideal é buscar excelência, que é dar o melhor de você, e procurar fazer o melhor na próxima vez. "É preciso valorizar o resultado", diz.

Tipos distintos

Há dois tipos de perfeccionistas: o saudável e o neurótico. O saudável normalmente estipula objetivos e os enxerga como um desafio, uma oportunidade de aprendizado; já o neurótico costuma ficar assustado, pois teme não conseguir alcançar um resultado satisfatório. "O neurótico fica tão exausto com suas próprias cobranças, que acaba entregando menos do que poderia", diz Barbosa.

Essas pessoas acabam abrindo mão de tudo: amigos, família, momentos de lazer, hobbies para se dedicar a algumas atividades por muito mais tempo do que deveriam. "O grande problema é que elas vivem em um mundo paralelo. Sempre que começam a fazer uma atividade, têm o intuito de alcançar o melhor resultado possível. Mas esse resultado nunca vem", afirma. Afinal, nada nunca está bom o suficiente, e os neuróticos sempre tendem a achar que podem melhorar algum detalhe.

Sem neurose

Mas o que você, perfeccionista, pode fazer para deixar de ser neurótico? "É preciso mudar os padrões comportamentais", diz Kátia Abreu. Primeiro, é preciso entender que esse comportamento rouba o seu tempo e traz infelicidade e decepção, o que pode até desencadear uma depressão. "O passo seguinte para se livrar do perfeccionismo destrutivo é celebrar pequenas vitórias e cobrar-se menos", sugere Barbosa. Quando aprende a comemorar conquistas pequenas, o perfeccionista vai eliminando o hábito da cobrança excessiva.

Acima de tudo, para abandonar esse pensamento tão prejudicial, é fundamental respeitar a si mesmo. A medida mais importante é entender que todos nós temos limitações e ser perfeito é humanamente impossível.