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Comportamento

Crie laços

Capacidade torna as pessoas mais felizes e o mundo melhor


    • São José do Rio Preto
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As pessoas estão sempre apressadas e parece que perder tempo com quem não faz parte de um círculo específico não está nos planos de muita gente. A modernidade traz, dessa forma, a dificuldade em criar laços. "Talvez essa dificuldade seja motivada pelo tempo, dedicação e entrega que demanda, ainda mais nessa sociedade líquida que vivemos, que exige respostas muito rápidas, explica a psicóloga clínica Lingia Menezes de Araújo. E complementa: "Criar laços exige tempo e compromisso e principalmente da vontade e permissividade de se deixar tocar, em outras palavras de se permitir sentir com a pele, com os olhos, com o coração, com a alma."

Relacionamentos tornam a vida boa

Para o psiquiatra norte-americano Robert Waldinger, um dos diretores do mais longo estudo feito pela Universidade de Harvard nos Estados Unidos para descobrir o que torna a vida boa, o fundamental para as pessoas se manterem felizes e saudáveis ao longo da vida é a qualidade dos relacionamentos, ou seja, os laços.

O estudo começou em 1938 analisando 700 rapazes - entre estudantes da renomada universidade e moradores de bairros pobres de Boston. A pesquisa acompanhou esses jovens durante toda a vida, monitorando seu estado mental, físico e emocional. O trabalho continuou depois com mais de mil homens e mulheres, filhos dos participantes originais.

A palestra de Waldinger no TED (sigla em inglês para Tecnologia, Entretenimento, Design), "O que torna uma vida boa? Lições do estudo mais longo sobre a felicidade", viralizou na internet. "O que descobrimos é que, no caso das pessoas mais satisfeitas em seus relacionamentos, mais conectadas ao outro, seu corpo e cérebro permanecem saudáveis por mais tempo", diz.

Mas criar laços, antes de mais nada, como tudo, passa pelo autoconhecimento. "Quando estamos bem com nós mesmos, começamos a compreender melhor o outro e nossos laços vão ficando cada vez mais amorosos", diz a escritora Camila Paiva, autora da obra "Viva Este Livro". Segundo ela, precisamos, antes de mais nada, encontrar em nós essa essência amorosa para que possamos manifestá-la também com o outro: com nossa família, com nossos amigos.

Mundo melhor

"As relações interpessoais estão em decadência no mundo todo. Isso acontece porque já não passamos mais tempo juntos com outras pessoas, cuidamos pouco dos outros e não temos mais compaixão. Com os valores como amor e compreensão em baixa, as famílias entram em colapso", diz Jayanti Kirpalani, diretora europeia da Brahma Kumaris, entidade espiritual que trabalha pela paz.

Se mudarmos a forma de nos relacionar com nós mesmos e os outros, sugere, poderemos sair de uma cultura de competição e conflito e chegar a uma cultura de cooperação. "Precisamos aprender e desenvolver essas habilidades não só para enfrentar as dificuldades, mas também para nos ajudar a obter nossa própria estabilidade interna, nossa própria dignidade e verdade", complementa. Essas qualidades serão as bases para a formação de um mundo melhor.