Diário da Região

08/10/2019 - 00h30min

SÍNODO

Papa pede respeito aos indígenas

Entre os 185 sacerdotes que participam do evento, 58 são brasileiros

No discurso de abertura dos trabalhos do Sínodo dos Bispos Sobre a Amazônia, na manhã desta segunda-feira, 7, o papa Francisco recordou o passado em que a Igreja Católica procurou catequizar povos indígenas, cobrou respeito às diferentes culturas e afirmou que "as ideologias são uma arma perigosa".

Para o sumo pontífice, colonizações ideológicas "destroem ou reduzem as idiossincrasias das pessoas" e esse tipo de conduta é um risco, pois não se pode "domesticar os povos nativos". Francisco fez um mea-culpa, afirmando que a própria Igreja, quando se esqueceu disso, acabou por "menosprezar" povos e culturas.

"[As ideologias] são redutivas e nos levam ao exagero em nossa pretensão de entender intelectualmente, mas sem aceitar, entender sem admirar, receber a realidade em categorias, em 'ismos'. Quando precisamos nos aproximar da realidade de algumas pessoas nativas, falamos sobre indigenismos e, quando queremos dar a eles uma pista para uma vida melhor, não perguntamos, falamos sobre desenvolvimentismo", disse o pontífice.

Francisco afirmou que é preciso abordar os povos amazônicos "respeitando sua história, suas culturas, seu estilo de vida". "Porque todos os povos têm sua própria sabedoria, autoconsciência, os povos têm sentimento, uma maneira de ver a realidade, uma história e tendem a ser protagonistas de suas histórias com essas qualidades", afirmou.

O papa destacou que o encontro dos religiosos no Vaticano tem quatro dimensões: pastoral, cultural, social e ecológica. "A dimensão pastoral é o essencial, que abrange tudo. Nos aproximamos com um coração cristão e vemos a realidade da Amazônia com os olhos de um discípulo para entendê-la e interpretá-la com os olhos de um discípulo, porque não há hermenêutica neutra, hermenêutica asséptica."

Ameaça

Na abertura dos trabalhos do sínodo, o cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, relator-geral do encontro, afirmou que "a vida na Amazônia talvez nunca tenha estado tão ameaçada como hoje".

Em discurso aos padres sinodais, o religioso destacou que a floresta corre riscos "pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazônica, de modo especial a violação dos direitos dos povos indígenas, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios".

Hummes mencionou a Amazônia 29 vezes ao longo de sua fala. Ele lembrou que papa Francisco constantemente pede uma Igreja que vá ao encontro das questões urgentes. "Desde o início de seu ministério papal, Francisco sublinha a necessidade de a Igreja caminhar. Ela não pode ficar sentada em casa, cuidando de si mesma, cercada de muros de proteção. Muito menos ainda, olhando para trás com certa nostalgia de tempos passados. Ela precisa abrir as portas, derrubar muros que a cercam e construir pontes, sair e pôr-se a caminho na história, nos tempos atuais de mudança de época, caminhando sempre próxima de todos, principalmente de quem vive nas periferias da humanidade. Igreja 'em saída'", sublinhou Hummes.

Evento

Uma oração diante do túmulo de Pedro, na Basílica San Pietro, no Vaticano, marcou o início dos trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica. O encontro dos bispos católicos na sede da Igreja, no Vaticano, segue até o dia 27 de outubro e tem como tema "Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral".

O encontro reúne bispos provenientes não só da região amazônica, que abarca Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, mas também de outras regiões. Entre os 185 sacerdotes sinodais que participam do evento, 58 são brasileiros. Participam também representantes de comunidades indígenas.

 

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