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Painel de Ideias

Pessoas do bem

Se recorrermos à religião, ao direito, aos costumes, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho


    • São José do Rio Preto
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Volta e meia nos deparamos com as seguintes questões: Existem pessoas do bem? Quem são elas? Podemos dizer que de um lado há os 'do bem' e, de outro, os 'do mal'? E quem é que julga e insere as pessoas nesse ou naquele grupo?

Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil porque não envolve compromisso nem esforço. Não é possível estabelecer e rotular, seguramente, dessa maneira, muito menos tecer qualquer julgamento. Todos nós temos bons valores, mas muitas vezes agimos de modo a prejudicar o próximo e até a nós mesmos, consciente e inconscientemente.

Entretanto, se tomarmos essa negação como absoluta, a confusão se instala. Não poderemos eleger as coisas boas, nem evoluir na nossa sociedade. Em outras palavras, se dissermos que jamais se pode traçar uma linha entre pessoas boas e más, também estamos a dizer que não existem valores construtivos, que nos fazem caminhar para um lugar melhor. Os valores são inseparáveis das pessoas.

Nesses termos, temos que arriscar sim alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente, simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. O que não parece certo é apontar e discriminar, para excluir aqueles que não estão inseridos no grupo do bem. A atividade das pessoas do bem, diga-se, não tende a segregar, mas sim aproximar, incluir.

Se recorrermos à religião, ao direito, aos costumes, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho. Em suma, as pessoas que praticam o bem reconhecem que não são únicas e, por estarem juntas às demais, vivem em sintonia com o todo, com a comunidade.

E numa comunidade assim, a solidariedade triunfa. Ninguém fica a mercê dos infortúnios da vida. Os que caem são prontamente socorridos. Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado com a mão estendida. E as conexões sociais fortes são hoje, reconhecidamente, um dos melhores ingredientes para a felicidade.

O final dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver. Nossa aposta, com todas as fichas, é que existe um elo de seqüência, quase que como causa e efeito, nas boas atitudes. As pessoas do bem, altruístas, solidárias, produzem felicidade. Elas nos deixam felizes.

E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa: Todos temos direito à felicidade. Dependemos, portanto, das pessoas do bem.