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Painel de Ideias

O sol nascerá

O Dia das Crianças e a infância da atualidade não é nem melhor nem pior do que a vivida por mim. Apenas diferente. Não gosto de comparar. O que penso a respeito está na canção (Cartola e Elton Medeiros, 1961) que empresta o nome a este artigo


    • São José do Rio Preto
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O Dia das Crianças surgiu em 1924. Era uma data que passou despercebida até a fábrica de brinquedos Estrela criar a Semana do Bebê Robusto em 1955. O êxito comercial atraiu outros empresários do ramo de brinquedos que promoveram inicialmente a Semana da Criança e logo depois revitalizaram o Dia das Crianças.

A infância como eu vivi não já não existe mais. A começar pelo futebol nos campinhos de terra. Eu era sempre um dos últimos a serem escolhidos nos times de futebol pois ou era classificado como "grosso" ou "café com leite". Os campinhos sumiram com a natural expansão imobiliária das cidades. Onde tinha um terreno baldio hoje tem um prédio ou uma construção comercial. As crianças brincam hoje em dia nos clubes recreativos, nas escolas, nas escolinhas de futebol ou nos condomínios.

No geral, apesar de persistente, eu era um desastre na maioria das brincadeiras que envolviam aptidão física. Nunca fui atleta. Era ruim no pega pega (ou pique pega), na bola queimada, no bobinho (futebol), na peteca, no cabo de guerra, pular corda, corrida de saco, bambolê, rodar argola no chão e carrinho de rolimã. Era péssimo com o bilboquê, no jogo de bafo com figurinhas, soltar pião na calçada, ioiô, bolinha de gude, jogo da mola, boleadeiras e dança das cadeiras.

Era razoável no jogo de taco (ou bétia), mímica, soltar pipa (ou papagaio), estilingue (ou bodoque), Jokempô (pedra, papel ou tesoura), jogo de damas e bola na lata. Mandava bem no pega varetas, no dominó, no xadrez, em quebra-cabeças, no jogo de stop (palavras e letras) e no qual é a música.

Tinha verdadeiro fascínio pelos jogos de tabuleiro como Detetive, Master, Banco Imobiliário e War. Considerava-me imbatível no futebol de botão. Era péssimo para tocar a bola. Até aqui eu era grosso. Mas não errava um chute a gol, não importava de onde eu chutasse. Meus amigos ficavam inconformados com isso. Outro jogo que era difícil de me baterem era o pebolim (ou totó). Tal habilidade e sorte me acompanharam por anos.

Tudo isso está ficando cada vez mais raro de se ver. O tempo de sair à rua depois da tarefa para brincar até anoitecer já se foi. Era quando os da minha geração aprendiam a se relacionar com outras pessoas, a competir e a respeitar regras. Em seu lugar entraram os videogames e telefones celulares com centenas de games. O número de amigos virtuais aumentou e o coletivo deu lugar ao individual. É no mínimo curioso o aumento do isolamento e da solidão das pessoas proporcionado pela tecnologia. O Dia das Crianças e a infância da atualidade não é nem melhor nem pior do que a vivida por mim. Apenas diferente. Não gosto de comparar. O que penso a respeito está na canção (Cartola e Elton Medeiros, 1961) que empresta o nome a este artigo. "A sorrir, eu pretendo levar a vida...". Vejam o resto!