Somos responsáveisÍcone de fechar Fechar

Painel de Ideias

Somos responsáveis

Enfim, temos de repensar nosso papel em relação ao sofrimento do próximo ainda que ele não seja tão próximo. Para toda culpa criminal, temos de exigir castigo e punição, com reparação do dano quando possível


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Todos temos senso de responsabilidade social imediata em relação a nossos filhos, pais, irmãos. Pelo menos, deveríamos. Em um viés de raciocínio ético, nossa responsabilidade não se limita aos laços de sangue, de amizade, de afinidade. Antes, e pelo contrário, temos de assumir nossa parcela de comprometimento com o próximo, a natureza, a fauna, a flora, o outro. Temos de agir, agora, em defesa do futuro do que resta de nossa humanidade.

Em primeiro plano, sou defensor das ideias do alemão Karl Jaspers, autor da teoria da responsabilidade social. Para ele, um ser humano é diretamente culpado quando pratica um dano, mas é sempre responsável por tentar impedir o dano, sobretudo quando sabe de algo, quando testemunha um crime. De início, a culpa criminal deriva de um delito prescrito na lei. Ademais, há uma culpa política advinda de escolhas ideológicas que acarretam danos a terceiros, e o voto ou o partidarismo político nas redes sociais diz muito sobre o caráter de quem digita. Por fim, há uma sensação de culpa moral e metafísica oriunda de imperativos altruístas em relação aos outros seres humanos com os quais dividimos o bairro, a cidade, a pátria, a criação, a Terra.

Em um segundo plano, os sombrios tempos que atravessamos nos panoramas global e nacional exigem a leitura de Hans Jonas. O filósofo alemão entende que teorias políticas vagas não conseguem proteger o futuro da humanidade contra os atos egoístas praticados pelos homens criminosos do presente. Não importa se temos ou não meios para o estabelecimento de um suposto progresso pautado na exploração dos recursos naturais e humanos. O que importa, em primeira e última instância, é se devemos praticar tais ações devastadoras. Temos de proteger os direitos das novas gerações: ver uma floresta, ouvir o cântico de uma baleia e de um pássaro, caminhar por uma floresta não devastada pela ganância e pelo fogo criminoso de homens sórdidos e de condutas ignóbeis.

Enfim, temos de repensar nosso papel em relação ao sofrimento do próximo ainda que ele não seja tão próximo. Para toda culpa criminal, temos de exigir castigo e punição, com reparação do dano quando possível. Para toda culpa moral e metafísica, temos de praticar o discernimento, a reflexão ética e cristã, refazendo escolhas quando necessário. Para toda culpa política, temos de entender que não existe redenção para quem é cúmplice ou omisso. Na Bíblia, pecar por omissão quando se deveria agir é o pior dos pecados. Na vida pública, urge a necessidade categórica de uma ética da responsabilidade individual e coletiva com o fito de garantir a existência humana na Terra. Somos todos responsáveis. Quem ignora tais máximas apenas revela-se partícipe dos crimes contra os vulneráveis, e isso é triste. Uma pena viver pelo imediatismo criminoso, ignorando a história e o legado deixado às novas gerações.