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Calçadas brasileiras


    • São José do Rio Preto
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Caminhar sempre é bom, agradável e traz muitos benefícios para a saúde, mas está ficando cada vez mais difícil. E, nas calçadas brasileiras, tem sido uma aventura. É o que aponta o estudo Calçadas do Brasil, do projeto mobilidade.

A parceria feita com outras instituições comprometidas com a mobilidade urbana desenvolveu vários critérios de "caminhabilidade". São quatro: acessibilidade, isto é, a regularidade das calçadas, largura, inclinação, rampa de acesso, entre outros; sinalização: faixas, mapas e outros instrumentos de orientação; conforto, o que sugere arborizar, qualidade atmosférica e acústica e segurança, tanto em relação ao tráfego quanto ao crime.

Lamentavelmente, nenhuma das 27 capitais do País apresentou um nível satisfatório. O critério da pesquisa estabelecia um mínimo aceitável com a nota 8, mas a média brasileira foi de 5,7, num total de 10 pontos. Houve uma melhora em relação a 2012, quando a média foi de 3,47 pontos.

A pesquisa atual se limita às calçadas sob a responsabilidade do poder público, ou seja, aquelas que margeiam repartições, terminais de transporte, escolas etc. Isso deixa claro que o poder público - menos as prefeituras que os estados - cuida mal de suas próprias calçadas.

O estudo mostra resultados que se pode verificar no dia a dia dos transeuntes. Mesmo nas capitais com médias altas, as notas ficaram abaixo de 7. Só o item "inclinação da calçada" superou o mínimo desejável, ficando com 8,5 pontos.

O trabalho mostra também que na maioria dos locais faltam bancos, abrigos contra chuva ou sol, rampas de acessibilidade (essenciais para cadeirantes ou carrinhos de bebês).

Das quatro categorias, a mais precária é a sinalização, ruim até mesmo em cidades turísticas, que obteve média de 1,92 ponto. Outro fator relevante percebido é a delinquência que afasta os brasileiros de suas calçadas. O Metrô de São Paulo fez um outro estudo e revela que apenas 60% das viagens de carro percorrem mais que 2,5 quilômetros, ou seja, em 40% das vezes o carro é utilizado para percursos que poderiam ser feitos a pé.

É para se pensar, já que mais pedestres na calçada significaria menos carros na rua, menos congestionamentos, acidentes, poluição sonora, visual, partículas poluentes, mais pessoas se exercitando, uma relativa melhora no comércio. Enfim, uma economia considerável nos gastos com transporte.

É um quadro que precisa ser revertido com planejamento e maior fiscalização de todos aqueles que utilizam esse serviço. O poder público deve fazer parte dessa solução, promover campanhas de conscientização para que cada proprietário cuide do seu pedaço, mas também precisa rever sua conduta e fazer a coisa certa. Só assim poderemos ver os brasileiros de volta à rua.