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Depoimento

Fiscal afirma que fraude na Área Azul rendia R$ 50 por dia

Depoimento de funcionária da Emurb revela detalhes do esquema de fraude em aplicativo de Área Azul digital em Rio Preto


    • São José do Rio Preto
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A fiscal do serviço de Área Azul Giovana Lucimara Verdelbi confessou em depoimento na Polícia Civil, a que o Diário teve acesso nesta quinta-feira, 31, que desviava cerca de R$ 50 por dia com o esquema que, segundo a polícia, ela e o marido montaram para fraudar aplicativo "Estacione Digital" em Rio Preto. Dinheiro que os dois usavam para saldar despesas com alimentação e abastecimento do carro.

A fiscal admitiu que estava "desgostosa" com a situação. Ela, que é servidora concursada, disse que pelo valor que estava sendo desviado não compensava o risco. Nesta quinta-feira, a Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb), que administra a Área Azul, anunciou o afastamento dela do cargo. A empresa afirmou que vai aguardar o desfecho das investigações para a instauração de um procedimento administrativo que pode resultar em advertência ou até na demissão da servidora.

De acordo com o delegado do 7º Distrito Policial Laércio Ceneviva, a apuração vai indicar o valor que efetivamente foi desviado pela funcionária pública. O prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 1 mil.

Alvo de operação da Polícia Civil, Giovana confessou que efetuou o cadastro de cartões de crédito de terceiros no aplicativo da Emurb. Os dados teriam sido coletados a partir de grupos de WhatsApp especializados na venda deste tipo de informação. A partir daí, ela usava os créditos gerados no aplicativo para dar baixa em taxas de pós-utilização apresentadas por motoristas. Ela recebia em dinheiro, se colocava à disposição para gerenciar o aplicativo e usava os créditos fraudulentos para dar baixa no sistema.

"Para evitar a multa, motoristas pagavam a fiscal que abatia os valores com os créditos fraudulentos no aplicativo. Ela se disponibilizava a fazer o pagamento via aplicativo e recebia o dinheiro", disse Ceneviva.

De acordo com o delegado, a fiscal e o marido dela confessaram o crime de estelionato. A suspeita é de que o valor desviado pode ser ainda maior, já que os motoristas notificados para quitarem a taxa de pós-utilização gerada pela falta do cartão da Área Azul ou pelo fim do período do estacionamento rotativo pagam taxa que varia de R$ 12 a R$ 18. Giovana e o marido disseram que o esquema durou entre dois e três meses.

Segundo o delegado, a fraude foi efetivada por conta de possível fragilidade no sistema desenvolvido pela Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro). No depoimento, a fiscal afirmou que o sistema aceitaria todo tipo de informação, ou seja, o nome de uma pessoa, o número de cartão de crédito de outra e o CPF de um terceiro. "Assim, [Lucimara] afirma que o cadastro poderia ser completado com informações diferentes", consta no depoimento.

De acordo com a Emurb, há 40 mil usuários cadastrados que utilizam o aplicativo "Estacione Digital". No início da noite desta quinta-feira, o presidente da empresa, Rodrigo Juliano, não foi encontrado para comentar essa suposta fragilidade no sistema apontada no depoimento. "Não sei se é falha, mas facilita", afirmou o delegado-assistente do 3º DP ao citar as brechas encontradas pelos golpistas para fraudar o aplicativo.

No depoimento, Giovana disse que agiu apenas com a ajuda do marido. Ela mencionou ainda os donos dos cartões de crédito usados na fraude. Eles, no entanto, só teriam conhecimento sobre o uso dos seus dados quando recebiam a fatura já vencida.

(Colaborou Vinícius Marques)

 

Pós-uso

  • Emurb detectou, por meio do aplicativo desenvolvido pela Empro, que três usuários utilizavam créditos de horas da Área Azul para pagar taxa pós-utilização, que evita multa de trânsito
  • A fiscal investigada emitiu 96 taxas de pós-uso e recebeu dos motoristas em dinheiro, segundo a Emurb; ela pagava a taxa com saldo de horas obtidos com dados de terceiros, com cartões de créditos clonados
  • Prejuízo ficou em cerca de R$ 1 mil, segundo a polícia, mas inquérito irá apurar se o valor é maior
  • A Emurb afirma que o aplicativo é seguro e que a taxa pós-uso não deve ser paga a fiscais
  • No depoimento que prestou à Polícia, a fiscal disse que ganhava até R$ 50 por dia com o esquema; Emurb anunciou o afastamento dela do cargo