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SEM BATER NA TRAVE

Claudiney Santos vai disputar o Mundial Paralímpico de Atletismo

Rio-pretense Claudiney Santos embarca para aclimatação em Dubai antes de buscar o ouro e o índice paralímpico na disputa do Mundial de Paratletismo nos Emirados Árabes Unidos, a partir de 11 de novembro


    • São José do Rio Preto
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O rio-pretense Claudiney Batista dos Santos embarcou nesta quarta-feira, 30, para disputar pela terceira vez o Mundial Paralímpico de Atletismo, a partir de 7 de novembro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Nas outras duas participações ele terminou com duas medalhas de prata, mas desta vez quer o ouro para garantir vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Claudiney estará nas disputas do lançamento de disco e lançamento de dardo.

"Em 2013 [França] fui vice no dardo e em 2015 [Catar] vice no disco. Em 2017 não obtive o índice mínimo e não fui convocado. É um evento grande, que antecede as Paralimpíadas e esta etapa é bem forte, tenho que estar bem para medalhar. Se conquistar o ouro, garanto vaga direta em Tóquio", disse Ney.

Caso não conquiste o ouro no disco, o índice A para Tóquio é 45,69 metros, marca já atingida pelo atleta em abril deste ano. Porém, o índice para Tóquio vale a partir do Mundial. Ele tem até março do ano que vem para fazer novamente a marca e ser convocado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). "As Paralimpíadas são a competição mais importante do calendário. O Mundial é a segunda e, muitas vezes, tem um nível maior do que as próprias Paralimpíadas", afirmou.

Neste ano o rio-pretense faturou medalha de ouro no lançamento de disco nos Jogos Parapan-Americanos, em Lima, no Peru, e foi prata no arremesso de peso, provas em que ele costuma dividir sua atenção. "Como o arremesso será antes do lançamento, não poderia me arriscar nela. Já o dardo vai ser depois. Não poderia colocar em risco um possível ouro para buscar prata ou bronze em prova que não é minha especialidade", disse Santos.

O atleta do Clube Amigos dos Deficientes (CAD) está com 40 anos e disputará a classe F56, no que poderia representar seu último ciclo olímpico. Em 2016 ele conquistou o ouro no lançamento de disco nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, no ápice de sua carreira como atleta. "Vou um degrau por vez. Depois de Tóquio, o que vier vai ser lucro, mas estou me preparando para quem sabe mais um ou dois ciclos olímpicos", avaliou.

Ney lidera o ranking mundial no lançamento de disco em sua categoria com 45,69m lançados em abril deste ano, em etapa nacional em São Paulo. Na ocasião, ele superou seu próprio recorde paralímpico da categoria, quando lançou 45,33m em solo carioca, há três anos.

Outro fator que motiva Claudiney na busca pela medalha de ouro ou o índice paralímpico é o fato de ser o atual recordista mundial do disco na classe F56. Ele obteve a marca de 46,68m no Open Internacional Loterias Caixa de Atletismo, no ano passado, em São Paulo.

Nesta edição do Mundial, o Brasil será representado por 43 atletas, 18 a mais do que em 2017, em Londres, na Inglaterra. Na edição europeia, os brasileiros conquistaram 21 medalhas e terminaram em 9º lugar. Em Doha, o lançamento de disco será na segunda-feira, 11, às 11 horas de Brasília, enquanto o lançamento de dardo será na quinta, 14, às 3 horas da madrugada brasileira.

 

O Clube Amigo dos Deficientes também estará representado no Mundial em Dubai pela alagoana Marivana Oliveira da Nóbrega, no arremesso de peso, e pela baiana Tascitha Oliveira Cruz, nos 100 e 200 metros.

"Meu objetivo é buscar mais uma medalha, com muita humilde e pé no chão. Procurar fazer o melhor sempre e tentar subir ao pódio", disse Marivana.

A atleta da classe F35 para atletas com paralisia cerebral esteve no Mundial de Doha, no Catar, quando conquistou medalha de bronze. No Parapan-Americano, a atleta do CAD também havia conquistado o bronze.

Já a baiana Tascitha está na categoria T36 das provas de velocidade e quer superar o último Parapan, quando faturou a prata nos 100 e 200 metros feminino.

Após ter deixado Rio Preto em busca de melhores condições de treinamento, Claudiney Batista dos Santos não descarta um retorno à cidade após as reformas na Pista de Atletismo do Eldorado, iniciadas na última semana após uma espera de seis anos. "A reforma era muito esperada e graças a Deus agora saiu. Mas eu fui para São Paulo para esse ciclo paralímpico de Tóquio. Depois de 2020 tenho em mente voltar, ainda mais com essas reformas", comentou o atleta. "Tenho como objetivo voltar para Rio Preto, mas não pode ser só pela reforma, mas também a manutenção e auxílio para os atletas."

Há duas semanas, Ney esteve com o técnico Flávio Santos e treinou na academia da pista antes do início da reforma. Sua família mora em Rio Preto e a esposa o acompanha na capital. "Minha família está toda aqui e a esposa foi para São Paulo este ano. Sempre que consigo uma liberação fico uma semana aqui treinando com o Flávio para não perder o vínculo. Ele me acompanha desde 2011 e me ajuda na parte técnica e física", comentou Ney.

Desde o ano passado, quando deixou Rio Preto para treinar no Centro Paralímpico Brasileiro, Claudiney aumentou a intensidade de treinamentos. "Estou treinando de segunda a sexta, em dois períodos, com academia, parte técnica e piscina", finalizou o atleta do lançamento de disco e dardo. (VS)