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Instituições financeiras lideram ranking de reclamações no Procon

Em nove meses, a quantidade de queixas de consumidores no Procon de Rio Preto totalizou 6.492, o que representa alta de 14% em relação a igual período do ano passado; assuntos financeiros lideram


    • São José do Rio Preto
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O número de reclamações no Procon de Rio Preto continua crescendo. No período de janeiro a setembro deste ano, a quantidade de queixas totalizou 6.492, o que representa uma alta de 14% em relação a igual período do ano passado. Nos nove primeiros meses de 2018, houve 5.699 registros. A tendência é de que se mantenham em alta, podendo bater o recorde de 8 mil reclamações no ano, segundo estimativa do órgão.

Isso porque, afirma o diretor do Procon, Arnaldo Vieira, o número de queixas cresce muito no período pós Black Friday - celebrado no fim do mês que vem - e também durante as vendas para o Natal. "No ano passado, o volume foi de 7,5 mil reclamações. Depois da Black Friday as reclamações bombam", disse.

E os assuntos financeiros se mantêm como a categoria entre os maiores geradores de reclamações no Procon de Rio Preto. Do total, são 2.127 queixas, num grupo que inclui problemas com bancos, cartões de crédito, contratos e também seguradoras. "Antes, o principal problema eram as operadoras de celular, mas elas começaram a investir em pessoas, em canais de comunicação".

Segundo Vieira, as instituições financeiras continuam cometendo os mesmos erros. Além disso, os consumidores passaram a ser ativos em seu comportamento e vão em busca de seus direitos. "Os fornecedores precisam entender que o Procon não é um inimigo, mas um orientador e aliado na melhoria da qualidade de serviços e produtos."

Dentro da categoria assuntos financeiros, os problemas comuns incluem cobranças de taxas e tarifas indevidas, ou seja, que não fazem parte do contrato firmado entre o banco e o consumidor. "Em muitos casos, o banco muda o pacote essencial [que não tem custos] para um que tem cobrança", afirma.

Outra situação, segundo Arnaldo, é com o pagamento do cartão de crédito. Como a nova legislação permite o parcelamento, o consumidor faz uma previsão, mas acaba surpreendido no mês seguinte com alguma nova taxa incluída pelo banco. "Outro problema é a emissão de cartões sem o pedido do cliente. E há casos em que o consumidor acaba sendo levado ao erro porque está perto do fim da validade do seu cartão de débito, recebe um de crédito, começa o uso e só se dá conta do custo depois."

Atualmente, outro problema que tem se tornado comum tem relação com as seguradoras, especialmente as que fornecem seguro para telefones celulares. O consumidor compra o aparelho, contrata uma garantia estendida, que segundo Arnaldo é um seguro, e depois na hora do furto ou quebra, a empresa não quer fazer a cobertura. "No caso de furto, por exemplo, tem empresas exigindo que seja tipificado como furto qualificado", afirma.

A clonagem de cartão de crédito também figura entre as demandas recebidas pelo Procon. Há cinco meses o aposentado Luiz de Jesus Dias, de Rio Preto, recebeu a fatura do cartão com uma compra realizada nos Estados Unidos no valor de R$ 500. "Fui até a loja de onde era o cartão e reclamei, mas não adiantou. Nem a operadora do cartão resolveu o problema, tive que recorrer ao Procon". O aposentado conta que o trâmite demorou menos de 15 dias e a compra foi ressarcida.

O problema também ocorreu com o vigia noturno Valdinei Carlos da Silva, mas as compras foram feitas aqui mesmo no Brasil. A fatura chegou acompanhada de diversas compras de um jogo de ação chamado Free Fire. "Só consegui resolver o problema depois da reclamação. Precisei cancelar o cartão para solicitar um novo e mudar a senha."

Serviços

Segundo Arnaldo, as queixas relativas aos prestadores de serviços também têm crescido no Procon de Rio Preto. Nesse caso, além do próprio mau serviço prestado, o consumidor tem responsabilidade quando passa por um problema. Isso porque se deixa levar por promoções muito atrativas e não faz pesquisas para checar a reputação daquele profissional. "Se o consumidor vê uma faixa, por exemplo, de um instalador de a-condicionado por R$ 100, deve duvidar. Esse valor está muito baixo no mercado". A melhor coisa a ser feita é buscar indicações e referências sobre o serviço prestado.

O consumidor que se sentir lesado em algum tipo de relação comercial deve procurar o Procon no endereço Rua Silva Jardim, 3604, Santa Cruz. Se não se chegar a um acordo, a demanda pode ser encaminhada para resolução judicial, seja por meio da Defensoria Pública ou ainda no Juizado Especial Civil. "Temos um alto nível de resolutividade, na casa de 81% neste ano. Ou seja, de dez casos, oito são resolvidos em audiência de conciliação", afirmou.

(Colaborou Nathane Piloto)