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Nobreza dos Animais

EXPO conta com a presença de animais premiados

Exposição agropecuária de Rio Preto conta com grandes exemplares de diferentes raças de bovinos; animais premiados são super valorizados, com preços entre R$ 100 mil e R$ 650 mil


    • São José do Rio Preto
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Os animais que ocupam os pavilhões do recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto são as grandes estrelas da Expo Rio Preto. Eles chamam a atenção de quem não está acostumado a ver de perto bois, vacas e bezerros e ainda impressionam até mesmo quem já lida com eles diariamente. Em Rio Preto, há espécies bastante premiadas em exposições Brasil afora, de raças como nelore e tabapuã. Quando se fala em valores dos animais, todo mundo desconversa, mas nos bastidores o que se ouve é que há animais que valem entre R$ 100 mil e R$ 650 mil - se fossem vendidos pelos donos.

A Expo Rio Preto, que segue até o próximo domingo, 6, reúne cerca de mil animais nas baias - além dos outros mil que vão a leilão - de raças como simental, girolando dupla aptidão, indusbrasil, senepol, angus, nelore, nelore mocho, gir leiteiro, tabapuã e girolando. Não vai mais haver a presença do gado da raça sindi.

O Diário deu uma volta pelo recinto na manhã desta quinta-feira, 3, e apresenta alguns animais que integram a exposição. Muitos, inclusive, irão para a pista de julgamento. Nesta sexta-feira, a competição segue firme para seis raças: nelore, nelore mocho, tabapuã, simental, gir leiteiro e girolando. Nesta edição do evento, são duas novidades, a raça indusbrasil - com aptidão para corte e leite - e a ultrablack, um cruzamento com angus. São 17 cabeças indusbrasil e 20 black.

Entre os animais premiados em outras exposições, um dos estaques é o touro tabapuã Vinho FIV, da Fazenda Milagrosa, em Tabapuã, de 23 meses e 918 quilos. Ele foi campeão na categoria Júnior Maior na Expozebu, em Uberaba. Ele também foi considerado o terceiro melhor macho da competição e vai para a pista em Rio Preto. "Ele se destaca na raça pelo padrão", afirma o tratador Jesus Perpétuo Serafim.

O nelore é a raça que reúne o maior número de animais na Expo. São 200 cabeças de 24 criatórios, além de outras 55 nelore mocho, de cinco criatórios. Quem for ao evento poderá conhecer Camila FIV, do criatório de Dorival Gilbertoni, de Taquaritinga. O animal é um dos grandes exemplares nelore e uma das fêmeas mais importantes da Expo.

Isso porque foi sagrada três vezes grande campeã consecutivamente: Avaré, Barretos e Uberaba. "Essa fêmea é um modelo de raça. Nos últimos oito anos, não apareceu nenhuma com mais beleza", afirmou o tratador Luan Padun. Para ele, na Expo Rio Preto pode nascer o grande campeão da raça.

A novilha maior Faveira, da fazenda Lince, em Neves Paulista, também participa do julgamento em Rio Preto. Ela tem 21 meses e 830 quilos. O animal, bastante premiado em exposições de Campo Grande, Bauru, Avaré e Uberaba, se destaca pelo bom desenvolvimento e boa capacidade reprodutiva. Ela vai parir antes dos dois anos.

Dá para encontrar ainda a novilha Eclipse, da raça angus, animal de Delfinópolis (MG), que vai para julgamento em Rio Preto. Ela tem um ano e 400 quilos e já foi campeã reservada em Avaré, neste ano. Suas características envolvem a precocidade. Entre os guzerá, o touro Bugre, de 33 meses, da Fazenda Cruz Alta, em Tietê, ganhou como recorde de peso na Expozebu ao bater 1.040 quilos aos 26 meses. Na Expoinel, nova marca: 1.190 quilos aos 33 meses. "Em dezembro ele se aposenta e vai para a central de genética, para coleta de sêmen", explicou o tratador Caio Crispim.

Leilão

A programação desta sexta-feira na Expo Rio Preto conta ainda com o 1º Leilão Mega Quarter Horse, a partir das 20 horas, no próprio recinto. Serão vendidos 46 animais e coberturas de grandes garanhões americanos. Um deles é El Hombre, avaliado em R$ 800 mil e cuja cobertura (sêmen) custa R$ 3,5 mil. "A expectativa é de chegar a um faturamento de R$ 3,5 milhões com o leilão", afirmou o criador Marcelo Lisboa Singh, de Rio Preto, e um dos organizadores do leilão.

No leilão Astros da Arena, de touros de rodeio, realizado na quarta-feira, foram vendidos 75% dos animais (foram 57 lotes e 56 animais), o que representou um faturamento de R$ 500 mil, a preço médio de 12 mil por cabeça. O animal mais caro foi o Rei do Pagode, por R$ 50 mil. O famoso Boca Quente, vendido para reprodução, saiu por R$ 20 mil.

 

Área de expositores: 9h às 19h

  • 1º Leilão Mega Quarter Horse: 20h
  • Julgamento de raças: das 8h às 12h e das 14h às 18h
  • Ciclo de Palestras sobre Pecuária: 8h
  • Visitas guiadas: 9h30 e 14h
  • Duo Passarin - Contação de causos com viola: 17h às 19h
  • Palco Caboclão: Samba do Caboclo - Alma Sambista: 18h às 19h30
  • 3 palquinhos - Shows acústicos: 17h às 18h e das 20 às 21h
  • Vila Criativa: artesanato, turismo regional núcleo de economia criativa: 16h às 23h

Palco Principal

  • 1º Festival Nacional da Moda de Viola - seletiva: 19h às 20h30
  • Show Almir Sater: 21h
  • Praça de alimentação: 18h às 23h
  • Restaurante Caboclão: 11h às 23h
  • Restaurante Rancho: 11h às 23h

Crianças

  • Passeio de trenzinho: 17h às 20h
  • Acampamento Escoteiros: 18h às 22h
  • Parque de diversões: 17h às 23h
  • Espaço da Criança (piscina de bolinhas, touro mecânico e cama elástica): 18h às 22h

Interessados em aprender sobre exportação de gado vivo podem participar do curso de Adriano Caruso, da Global Exports, especialista no tema. O evento será a partir das 18h e vai dar um panorama geral sobre o assunto, desde como funcionam as negociações, operacional e logística do negócio. "São abordados os trâmites da comercialização, as normas, exames necessários, manejo, bem-estar do animal, tempo de viagem etc."

Segundo Caruso, a exportação de gado vivo é mais um nicho de mercado que vem ganhando força nos últimos três anos. Rio Preto se destaca por ser o polo que recebe os animais de estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É que na região estão instalados os estabelecimentos pré-embarque (EPE) que recebem os animais que vão para o exterior. São ambientes monitorados e certificados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) onde os animais passam por uma quarentena e fazem os protocolos sanitários exigidos para o embarque.

O primeiro embarque na região ocorreu em 2016. Segundo Caruso - responsável pela operação - foram embarcadas 25 mil cabeças, em Guapiaçu. No ano passado, 500 mil cabeças embarcaram da região rumo ao porto de São Sebastião. São 16 EPEs e cinco empresas que fazem a exportação dos animais. "As empresas compram os animais dos criadores e fazem as operações, que podem levar 20 dias se for para abate e 40 dias se for para engorda", disse. O custo é estimado em R$ 15 milhões para 5 mil bezerros. Atualmente, a Turquia é o maior comprador de animais de cruzamento industrial.

Encontro

Também será realizado nesta sexta-feira o 1º Encontro Leite de Impacto, a partir das 9h. Entre os temas em debate, qualidade do leite, seleção genômica para rebanhos leiteiros, estratégias nutricionais para o período das águas, assim como utilização da raça angus para produção de carne de qualidade. "Na pecuária, especialmente na leiteira, qualquer erro significa muito prejuízo, não paga investimento. O produtor precisa enxergar a propriedade como uma empresa e ficar atento aos suportes e ferramentas para não errar, para evitar perdas", afirmou a veterinária Renata Kfouri Torero, da Recria, empresa que está organizando o evento.

A noite desta sexta-feira marca a seletiva nacional do Festival Nacional de Viola, que apresenta os grandes vencedores neste sábado. Em seguida, sobe ao palco principal o músico e violeiro Almir Sater, que traz para o show de Rio Preto quatro violas e dois violões, além de banda. "O show é baseado no trabalho de dois anos que tenho com o Renato Teixeira", afirmou.

E no repertório não podem faltar as clássicas "Tocando em Frente", "Chalana", "Trem do Pantanal" e músicas dos projetos mais atuais, o AR (Grammy Latino 2016) e AR (2018) em parcerias com Renato Teixeira, "D De Destino", "Bicho Feio", "Assim Os Dias Passarão", entre outras. "A viola caipira é uma bandeira brasileira, um símbolo que tem um sotaque diferente em cada região. Faz parte da cultura paulista e a iniciativa é importante para preservá-la", comenta sobre o festival.

Almir Sater nasceu em Campo Grande (MS) e é um dos responsáveis pela valorização da viola de dez cordas (viola caipira). Ele ficou ainda mais famoso e popular ao fazer várias novelas, mas não perdeu sua conexão com a natureza. (LM)