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Arte na caixa

Primeira edição do Festival de Teatro Lambe-lambe tem início hoje

Rio Preto recebe a partir desta sexta-feira, dia 1º, a primeira edição do MINI - Festival de Teatro Lambe-Lambe que recebe dez espetáculos realizados dentro de caixas cênicas em miniatura


    • São José do Rio Preto
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Há três décadas, a baiana Denise Di Santos e a cearense Ismine Lima adaptaram uma caixa de câmera de foto lambe-lambe (antiga máquina fotográfica usada em praças e parques) e criaram o teatro encaixotado, capaz de proporcionar uma performance curta, mas intimista. De lá pra cá, a arte se popularizou e ganhou o mundo.

Desde a criação do teatro lambe-lambe, a encenação realizada em uma caixa cênica adquiriu novos formatos em diferentes países, ganhando um número ainda maior de adeptos. Em comemoração ao aniversário de 30 anos dessa expressão artística e para fomentar esse formato por aqui, Rio Preto recebe seu primeiro festival de teatro lambe-lambe, que começa nesta sexta-feira, dia 1º de novembro e segue até domingo.

Batizado como MINI, o festival é uma iniciativa do grupo Varanda Teatro e reunirá dez espetáculos de teatro de miniaturas de diferentes regiões do Brasil e um da Argentina. O projeto do evento foi contemplado na última edição do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura.

Os espetáculos são realizados dentro de uma caixa cênica em miniatura capaz de receber um público de até duas pessoas por vez. Com o auxílio de fones de ouvido e um tocador de mp3, o espectador acompanha a história através de um pequeno buraco na caixa. 

Para uma das criadoras da arte, Denise Di Santos, o teatro de caixa é a "grande pequena nova expressão teatral". Denise marca presença no MINI com o grupo Teatro Lambe-Lambe da Bahia (Salvador), que apresentará "Ela no Caminho", espetáculo inspirado no poema "No meio do caminho", do mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Para ela, o teatro de caixa opera como um transformador de corações.

"Quando a pessoa que assiste ao teatro de lambe-lambe sai de dentro da casa de espetáculo, ela já não é mais a mesma. Ela é tocada, ou pela tristeza ou pela alegria. Essa arte modifica sentimentos", afirma Denise.

Ismine também estará presente no festival com "O Professor Tinoco e Seu Fiel Amigo", do Teatro Lambe-Lambe - Um Espaço Para Olhar, da cidade de Monte Verde (MG). Para a artista, a evolução no formato do teatro foi um dos pontos fundamentais para a popularização da arte encaixotada. "São vários formatos hoje em dia. Diferentes grupos começaram a adaptar a forma de apresentação e passaram a se reunir por meio de redes de artistas e em festivais, por isso ele se popularizou", conta.

O MINI ocupará a Praça das Rosas (sexta, das 18h às 20h), o Bosque Municipal (sábado, das 15h às 17h) e o Parque Ecológico Danilo Santos de Miranda (domingo, das 10h às 12h). A programação busca difundir o formato, considerado uma linguagem popular do teatro de formas animadas e ainda pouco conhecido pelo público em geral.

Em cada dia, todos os espetáculos serão apresentados simultaneamente pelo período de duas horas, o que possibilitará ao público assistir a diferentes obras no mesmo local, explica um dos organizadores do festival, João Darte. "São histórias de curta duração, por isso as pessoas que forem até o local poderão assistir às várias caixas", pontua.

Os espetáculos se dividem em diferentes técnicas de teatro de animação, como manipulação de bonecos e objetos, teatro de papel, teatro de sombras, projeção de vídeos, entre outras. Para a seleção dos espetáculos, um dos critérios que os organizadores levaram em consideração foi a relação das companhias com o movimento artístico. "São grupos que promovem mostras, encontros e festivais que difundem esse tipo de arte. Outro critério é que eles estivessem registrados no mapeamento do teatro em miniatura", explica Darte.

Além das criadoras, o MINI também terá a presença de Tiago Almeida, diretor artístico do Grupo Girino, de Belo Horizonte (MG), coordenador do Festim - Festival de Teatro em Miniatura e editor da revista Anima. Ele desenvolve pesquisas em teatro de bonecos, artes visuais e vídeo, e atualmente também é presidente da Associação de Teatro de Bonecos de Minas Gerais (Atebemg).

O evento também terá uma atração internacional, com a participação do grupo argentino Gabriela Clavo y Canela, que traz o espetáculo "Gato Negro", concebido e interpretado por Gabriela Céspedes, que já se apresentou com seus bonecos em diversos festivais pelo mundo.

"É um desafio inspirador tanto pra gente que está animando, desenvolvendo o espetáculo, quanto para a pessoa que está assistindo. Porque você está fazendo o espetáculo para uma única pessoa. É um espectador único, uma energia única e possibilidades únicas. A gente trabalha com a energia do outro. O espetáculo é o mesmo, mas você faz o espetáculo em função do que aquela pessoa está assistindo", conta Denise.

No ano de 1989, as criadoras não poderiam imaginar que esse tipo de arte se tornaria tão popular e estaria presente em inúmeros países. "Nós nos apresentamos no primeiro dia e conseguimos formar uma fila quilométrica de pessoas. Naquele momento percebemos que não era uma coisa qualquer. No segundo dia, eu já sabia que aqui ia ser uma coisa universal, porque o espetáculo aproximava as pessoas, enquanto a tecnologia distanciava", lembra Ismine.

Apesar de ser uma arte criada no Brasil, o teatro em miniatura possui mais reconhecimento fora do país. "Abraçamos essa missão de multiplicar e espalhar o teatro lambe-lambe para as pessoas conhecerem, saberem que é brasileiro e que foi criado por duas mulheres", destaca Darte.

Bate-papo

A programação do festival será encerrada com a roda de conversa "30 anos de Teatro Lambe-Lambe", reunindo todos os artistas participantes desta primeira edição em um momento de troca e compartilhamento de experiências. O encontro será realizado no domingo, das 15h às 17h no Parque Ecológico e será aberto ao público em geral.

 

Apresentações

Sexta-feira, 1º de novembro

  • Praça das Rosas - 18h às 20h;
  • Endereço: Jardim dos Seixas, em frente ao Colégio Criarte

Sábado, 2 de novembro

  • Bosque Municipal - 15h às 17h;
  • Endereço: Rua José Deguer, S/N - Jardim Nazareth

Domingo, 3 de novembro

  • Parque Ecológico Danilo Santos de Miranda - 10h às 12h;
  • Endereço: Av. Benedito Rodrigues Lisboa, São Francisco

Ações Afirmativas

Sexta, 1º de novembro

  • Oficina Teatro de Papel - 8h30 às 10h30 - Projeto PIC - Projeto de Incentivo ao Cooperativismo (direcionado a alunos do projeto)

Domingo, 3 de novembro

  • Roda de conversa - 15h às 17h - Parque Ecológico Danilo Santos de Miranda

 

A Fiandeira

  • Cia Plastikonírica
  • Santos (SP)
  • Duração: 5 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 20

Circo Zolho

  • Coletivo Caixeiros
  • Ribeirão Preto (SP)
  • Duração: 3 minutos e 36 segundos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 20

Ela no Caminho

  • Denise Di Santos
  • Salvador (BA)
  • Duração: 3 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 40

Encontro

  • Teatro de Caixeiros
  • Ribeirão Preto (SP)
  • Duração: 3 minutos e 29 segundos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 20

Gato Negro

  • Gabriela Clavo Y Canela
  • Argentina
  • Duração: 4 minutos e 12 segundos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 20

Isto Não é Uma Caixa

  • Grupo Girino
  • Belo Horizonte (MG)
  • Duração: 2 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 50

O Professor Tinoco e seu Fiel Amigo

  • Ismine Lima
  • Monte Verde (MG)
  • Duração: 3 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 40

Relicário d'Ela

  • Teatro Caixeiros
  • Ribeirão Preto (SP)
  • Duração: 3 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 50

Relicário d'Ele

  • Teatro Caixeiros
  • Ribeirão Preto (SP)
  • Duração: 3 minutos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 50

Saudade

  • Cia. Plastikonírica
  • Santos (SP)
  • Duração: 5 minutos e 30 segundos
  • Quantidade de espectadores por duas horas: 20