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EM SÃO PAULO

Musical 'Madagascar' aposta em conceitos da animação original

'Madagascar - Uma Aventura Musical' estreia na sexta-feira, 11, no Theatro Net São Paulo, no shopping Vila Olímpia


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São Paulo

Basta mencionar a história dos quatro animais que fogem do zoológico de Nova York em busca da descoberta do mundo além dos muros para que se lembre de "Madagascar", festejada animação que a DreamWorks lançou em 2005 e que se desdobrou em quatro filmes. "O segredo do sucesso é justamente uma mensagem que, nos dias atuais, até faz mais sentido: a busca pela liberdade e o valor da amizade", comenta Renata Borges, diretora executiva da Touché Entretenimento e produtora de "Madagascar - Uma Aventura Musical", que estreia na sexta-feira, 11, no Theatro Net São Paulo, no shopping Vila Olímpia.

Trata-se da divertida história de quatro amigos - a Zebra Marty, o Leão Alex, Glória (um hipopótamo fêmea) e Melman (uma girafa macho) - que, acompanhados de quatro pinguins, embarcam em um navio e acabam acidentalmente na ilha da África Oriental. "Para além da aventura, está a história de quatro seres totalmente distintos que deixam o conforto do local onde vivem para descobrir outras opções do mundo - e, só conseguem isso, se se manterem unidos, mesmo sendo animais que normalmente não viveriam juntos", observa Marllos Silva, que assume pela primeira vez a direção de um grande espetáculo.

Sua concepção de encenação se baseia principalmente na interpretação. "Claro que o musical tem um aspecto de show, mas fiquei mais interessado em apostar na contradição dos personagens e também dos ambientes onde se passa a história, Nova York e Madagascar", explica.

A produção brasileira tem total liberdade criativa, ainda que se baseie na adaptação feita por Kevin Del Aguila, com músicas originais e letras de George Noriega e Joel Someillan. "Estamos sendo fiéis ao original, mas com o nosso tempero brasileiro. Quando se faz uma versão, algumas piadas perdem a força e, para que elas voltem a fazer sentido dentro da história, nós as adaptamos para a nossa cultura. Nossas referências estão presentes no estilo de interpretação, nas coreografias e na forma como os personagens são construídos", conta o diretor.

Entre as várias medidas para esta montagem, está a criação de uma Overture, aquela canção de abertura que serve para anunciar o início do espetáculo e que reúne trechos das várias canções que serão apresentadas ao longo da história. "O original já começa com a história rolando, mas preferimos colocar essa abertura que já vai ambientando o público."

Um dos grandes desafios de "Madagascar, Uma Aventura Musical" é a caracterização do elenco. Os mais de 60 figurinos criados por Fause Haten se inspiram no perfil dos personagens apresentados pela animação. "Eu busquei que os atores se transfigurassem nos animais - para isso, criei um corpo específico para cada um", conta Haten que, além de tecido, utilizou espuma para dar o enchimento necessário para que cada um tivesse o perfil adequado de seu personagem.
E o processo foi realmente de descoberta: no ensaio acompanhado pela reportagem, na terça-feira, 8, o ator André Loddi, que vive o leão Alex, pediu um ajuste do figurino na sua perna esquerda, pois ele estava com dificuldade em reproduzir alguns gestos do felino.
"O efeito visual de todas as caracterizações é fantástico, apenas estamos descobrindo detalhes que, depois de acertados, facilitam nossa atuação", conta ele que, neste mesmo processo, viveu outra adaptação: interpretar com uma cauda.
"Quando começamos os ensaios, ainda não havia figurino, portanto, eu reproduzia os movimentos básicos. Agora, já caracterizado, fui aprendendo a mexer a fim de que a cauda não mexesse demais ou mesmo que atrapalhasse meus próprios movimentos."
Situação semelhante é vivenciada por Lucas Cândido, que interpreta o frenético Rei Julien, monarca que comanda a selva em Madagascar - é ele quem canta, por exemplo, um dos hits do musical, Eu Me Remexo Muito, que, durante as apresentações, será acompanhado pela plateia, que vai ganhar bastões coloridos para marcar o ritmo. "A adaptação aconteceu aos poucos, especialmente para executar a coreografia, que é ágil, com a cauda", disse Cândido.
"Todos nós ganhamos um segundo corpo, que veio com exigências específicas", explica Ludmillah Anjos, que vive Glória, a hipopótamo fêmea. "No início do processo, era difícil manter a concentração para cantar, pois havia outros problemas para resolver. Para isso, contamos com o auxílio da Inês Aranha."
Ela se refere à preparadora de elenco, que detalhou um projeto de movimento para cada ator. "Fomos incentivados a pesquisar detalhes sobre seu bicho, especialmente a forma de andar", lembra Mauricio Xavier, que trouxe um tom brasileiro à sua zebra Marty. "Na minha coreografia, puxo mais para o funk, que é um ritmo muito popular no Brasil."
Já Ivan Parente, intérprete da girafa Melman, se solucionou com uma certa facilidade a necessidade de mudança de seu figurino (a estrutura que usa na cabeça limitava a movimentação de sua boca), a aventura foi desvendar a alma de seu personagem. "Quando a Inês nos incentivou a pesquisar sobre nossos personagens, logo vi que a girafa é um bicho blasé, sempre mascando devagar, passos vagarosos, sempre olhando literalmente de cima o que acontece ao redor", diverte-se. "Assim, Melman tem um ritmo próprio, devagarzinho, além de ser hipocondríaco, como acontece no desenho."
A liberdade na atuação também se espalhou para outros pontos criativos do espetáculo - como a criação do cenário, assinado pela produtora Renata Borges, que pela primeira vez exerce o trabalho de cenógrafa. "Não tenho experiência, mas sempre gostei de palpitar", diverte-se ela, que uniu alta tecnologia com cenários físicos, como a instalação de um grande painel de LED, de 50m², no qual são exibidos mais de 30 microfilmes ajudarão a ambientar as cenas, desde o zoo até a floresta de Madagáscar.
A cenografia foi produzida quase na totalidade na China. "Teremos ainda alguns puppets, que dão uma dinâmica visual ao espetáculo. Busquei o que seria viável para que os atores não ficassem cansados ao manipular", explica Renata, que recriou ainda uma das entradas do zoo do Central Park.